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quinta-feira, janeiro 29, 2009
Discutir é bom e eu gosto (às vezes)

Eu e o meu homem discutimos. Não é todos os dias, não estamos sempre pegados, mas de quando em vez discutimos. E algumas discussões são daquelas mesmo boas, daquelas que vêm mesmo a calhar em dias que nos apetece mandar vir com alguém. Não acredito em relações que não metam uns bons gritos de quando em vez. Não acredito. Geralmente, são sinónimo de qualquer coisa mais grave. Do género, já estão tão acomodados que nem vale a pena estar a discutir. Discutir para quê? Sobre quê? Fico nervosa com casais que estão sempre óptimos. Que nunca têm uma crise. Que se dizem iguaizinhos. Que gostam exactamente das mesmas coisas. Que são capazes de fazer tudo juntos, 24 sobre 24 horas. E que nunca se fartam. Nunquinha. Acho sinistro. A ausência de discussão numa relação é mais ou menos o mesmo que uma criança que está no quarto quietinha e em silêncio: alguma estão a aprontar. E, mais tarde, ou mais cedo, a coisa acaba por estalar. E quando estala, geralmente é em grande.
É por isso que eu dou graças a Deus pelas minhas discussõezinhas que, acredito, têm belos efeitos terapêuticos e me parecem sinal de normalidade. O meu homem, que é um doce (para além de santo), diz que as nossas discussões nunca põem em causa aquilo que sente por mim. Eu sou mais intempestiva, há sempre ali dois a quatro segundos em que penso que não lhe quero voltar a pôr a vista em cima nos próximos seis anos. Depois acalmo. Quando estou sozinha e não tenho que competir pela razão, lá admito que algumas vezes (raras) as coisas que ele diz até fazem algum sentido (mas pouco, pouquíssimo, hã?, nada de usar isto contra mim em discussões futuras). Às vezes dou o braço a torcer, outras vezes dá ele por mim. Importante, importante é que, no final, ninguém vire as costas.
A verdade é que as mulheres precisam tanto de uma boa discussão como de comprar um par de sapatos por mês. Desculpem lá, mas são coisas que fazem falta. E não há nada pior que uma pessoa chegar a casa com vontade de discutir e levar com um homem que só diz "sim, querida, tens razão, querida", ou, pior, "quando estiveres mais calma falamos". Nós queremos falar é naquela altura, quando estivermos calmas já não tem graça nenhuma, não é uma discussão, é uma conversinha! Queremos despejar a nossa fúria! Queremos que ele assuma as nossas dores e fique tão enervado como nós estamos! Quando uma mulher quer discutir, é deixá-la! Tentar refrear os ânimos é ainda pior. E, para além disso, um homem que não sabe mandar um par de berros na devida altura não nos serve para coisa nenhuma. A primeira vez que o meu homem elevou a voz assim à séria, eu achei até muito sexy e, na minha cabeça, dei a discussão por terminada (só na minha cabeça, porque na prática tinha que continuar até ele me dar razão). A sério, se as mulheres quisessem um pacifista, andavam com monges tibetanos. E, claro, não nos podemos esquecer que muitas discussões acabam em make up sex por isso, no final, saímos todos a ganhar, não é verdade?
Pronto, termino com o envio de muitos beijinhos e abraços ao meu homem, que discute comigo quando tem que ser, e que por isso e por muito, muito, muito mais (tipo, deixar-me dançar na Fnac, secção de dvds, e só ter um bocadinho de nada de vergonha), é a pessoa mais incrível que me passou pela vidinha.
quarta-feira, janeiro 28, 2009
Não façam lume ao pé de mim

Indisposta dos nervos como estou hoje, sou menina para explodir.
quarta-feira, janeiro 28, 2009
These shoes are made for walking

E é exactamente isso que eu tenciono fazer.
Isso e continuar a comprar sapatos em dias esquisitos, como foi o de ontem. My little revenge.
Já tinham saudades de uns sapatinhos, confessem.
domingo, janeiro 25, 2009
A porta está só encostada
(texto publicado no Lux Frágil, nº5)

Liguei o computador para escrever sobre o amor. Vinha cheia de ideias, sentimentos, frases tão feitas e tão inspiradoras que nem o nevoeiro-à-D. Sebastião que paira sobre Lisboa as conseguiria dissipar. Até que me deparei com a folha em branco, o cursor a piscar, insistente, a pedir palavras. E percebi que isso era o mais fácil. Escrever sobre o amor, viver com amor, acordar e dormir com amor, é o mais fácil. A partir do momento em que se tem, é tudo de uma facilidade relativa. Difícil é viver sem ele

Nada de equívocos, nada de vozes contestatárias. Partilhar a vida - sei-o eu, sabemos todos -, não é pêra doce. Não é com moeda ao ar que se decide quem vai primeiro para o duche de manhã, quem trata da loiça, quem leva o cão à rua quando os termómetros mal roçam aos valores positivos. Não é de cara alegre que se dá o braço a torcer, que se engolem sapos do tamanho de prédios de três andares, que se ensaia um pedido de desculpas. Não baixa em nós, subitamente, um manto de altruísmo que faz com que a divisão e a partilha se transformem na oitava maravilha (no tempo em que só havia sete, agora perdemos-lhe a conta), operações tão simples de realizar que até dão gosto.

Ter amor, viver com amor, fazer com que as coisas resultem, dá trabalho. Chatices pegadas. Discussões de bater com a porta. Ralações que nos levam minutos de vida saudável. Mas, não me lixem, não é, nunca será pior, que não ter ninguém. Já se sabe que há quem goste, quem viva assim por opção, sobre esses estamos conversados. Mas querer e não ter, procurar e não saber onde se encontra, viver com a solidão como inquilina, não é coisa que se deseje por tempo indeterminado.

É boa a sensação de ter a casa por nossa conta por um dia, uma semana. É bom pôr fim a uma relação que nos consome, ficar em silêncio. É aceitável jurar a pés juntos que não nos voltaremos a meter noutra, pelo menos enquanto a memória ou dor causada pela última ainda estiverem demasiado avivadas. O problema é que passa. O chavão que ninguém quer ouvir, sobretudo quando tem o coração mais passado que carne picada, faz sentido: não há nada que o tempo não cure. Mesmo que não se saiba o que fazer com esse tempo. Pior, mesmo que não se saiba quanto tempo dura esse tempo. Há sempre um dia que se acorda e já passou. E estamos, de novo, disponíveis no mercado das relações. Mais velhos, menos fantasiosos, mais experientes, mais de pé atrás, mais ou menos disponíveis, mas de novo no mercado. E a roda volta a girar.

Não sou uma descrente. Não digo, como escreveu o Miguel Esteves Cardoso numa crónica tão fatalista quanto brilhante, que o amor fechou a porta. Que já ninguém se apaixona de verdade. Que já ninguém quer viver um amor impossível. Que já ninguém aceita amar sem uma razão. Que a paixão, que deveria ser desmedida, é na medida do possível. Que os namorados de hoje são embrutecidos e cobardes, incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia. Isto tudo disse ele, génio das palavras, não eu. Se calhar é porque tenho amor na minha vida, estou na fase cor-de-rosa. E porque vivi ainda pouco, mas o suficiente para saber que a porta do amor nunca se fecha. Está é encostada. Pelo menos, dá-me mais jeito pensar assim.

É preciso já ter vivido com amor, com paixão estúpida, para saber como é a vida sem eles. Para lhes dar valor quando nos entram pela porta só encostada, quase sempre sem se fazerem anunciar. É preciso já ter sentido vontade de morrer - que é diferente de sentir vontade de nos matarmos, que amores à Romeu e Julieta não há assim tantos. É só aquela coisa de não se estar bem em lado nenhum, de ver o amor em todos os sítios menos ao nosso lado. Aquela coisa de não ter vontade de saltar da cama. A sensação que há uma nuvem cinzenta localizada em cima da nossa cama, a largar chuva dia e noite. Não ter fome, não ter frio, não ter nada. Só aquela bola imensa que vai da garganta ao estômago, que não desaparece nem por nada. E a certeza, tantas vezes absoluta, que nunca mais se voltará a ser feliz, intercalada com a outra certeza, aquela que diz que assim é que se está bem, num processo de verdadeira esquizofrenia que vai do riso à lágrima em menos de três segundos.

Viver sem amor, com a alma em suspenso, não é mal que se deseje a ninguém, (não vá o feitiço virar-se contra o feiticeiro, e depois é que são elas). Porque, em bom português, é uma merda. Devia constar dos censos e tudo. Gostava que as pessoas que mandam nisto se dedicassem a ver quantas pessoas vivem sem amor. Quantas são menos produtivas à conta disso. Quantas encarecem o sistema nacional de saúde, com depressões, ataques de pânico e afins. E quantas é que não prefeririam uma cara-metade a um aumento de salário. Chegue eu um dia ao governo e uma das primeiras medidas será essa: amor para toda a gente, dê lá por onde der.

O amor faz falta pelas coisas mais comezinhas. Para ter alguém com quem ir almoçar. Para provocar uma discussão quando a vida corre mal e se quer descarregar em cima de alguém. Para festinhas na alma. Para dividir as contas. Para mostrar à família que, afinal, há alguém que nos pegue. Para se poder usar um vestido de noiva. Para se ter um ar respeitável e acabar com a imagem de estroina. Para combater o medo do escuro. Para ter sexo com frequência. Para ter sempre um ombro onde chorar. Para nos sentirmos completos. Não é isto, tudo isto e ainda mais, que dá sentido à vida?

Longe de mim a postura messiânica, estar para aqui a pregar das virtudes do amor. Cada um é como cada qual. Se calhar há mesmo quem nunca vá encontrar alguém. Se calhar há mesmo quem nunca tenha conhecido o amor e não precise nem queira. Se calhar há mesmo quem hasteie a bandeira da solidão e a faça abanar ao vento, orgulhosamente. Se calhar há quem não precise de mais companhia que da dos livros, dos filmes, de um cocker spaniel. Mas eu, que tenho amor e que sei como é não ter, não quero andar para trás. Que ninguém me tire os beijos, os amuos, os abraços, as discussões, a contagem de segundos até o ver outra vez. E como eu há muita gente. É por isso que, a quem vive com as dificuldades típicas de quem não tem amor, reforço que a porta está só encostada. Que o tempo, aquele tempo, vai passar, e o amor não tem por que não entrar aos atropelos. Que “o amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita. Não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar. O amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe”. Diz o MEC. E digo eu.
quarta-feira, janeiro 21, 2009
Claro. As mulheres é que conduzem mal. As mulheres é que provocam acidentes. As mulheres é que andam a três à hora. As mulhers é que são uma nulidade ao volante. O que eu sei é que há homens* que quando o sensor de marcha atrás - essa coisa para panisgas -, deixa de funcionar, esquecem-se que é preciso fazer uma coisa tão básica como olhar para trás antes de decidirem estacionar a viatura como se estivessem no Dakar. O carro ficou bem. Já da parede do parque de estacionamento do El Corte Inglés não se pode dizer o mesmo. Ficou com um buraco tão grande que podia passar por lá a Margarida Martins, nos tempos em que ainda pesava 340 quilos. "Ah, estou habituado a que o carro apite na marcha atrás". Hã hã. Paniiiiiiiiiiiiiiiisga.

*não vamos referir nomes para não ferir susceptibilidades, não é, homem da Pipoca?
terça-feira, janeiro 20, 2009
5 ANOS DE PIPOCA

Ai, valha-me Deus, que isto do Alzheimer precoce é uma coisa tramada. Então não é que me esqueci que o Pipoca faz hoje cinco anos de vida?????? (obrigadinha à leitora que me alertou, muito obrigadinha).

Ora então parabéns para o Pipoca, para mim e para todos vocês, sim? Um grande bem haja e muita saudinha.
terça-feira, janeiro 20, 2009
Uma gaja muita gira, vá, engraçada, vá, normal, pronto, um trambolho

Ontem, em conversa com meu esposo, confirmei aquilo que eu já desconfiava há muito: a total incapacidade de isenção dos homens no que toca às características físicas das suas ex-namoradas e casos. Eu explico. Se me perguntam se os meus ex-namorados eram giros, eu respondo qualquer coisa como "era engraçado", "não era feio" ou, quando muito "era giro". Sem grandes euforias ou exageros, que as mulheres são dadas ao realismo e entendem o conceito de "giro" como uma coisa muito mais lata do que ter uma cara laroca e um belo rabo. Nunca tive namorados de cair para o lado, daqueles que são consensualmente giros. Até já tive namorados e casos a atirar para o feiote. A maior parte eram só giros-normais, que se tornavam muito giros por serem pessoas bem dispostas, divertidas, terem carisma. É também nunca ouvi nenhuma amiga a dizer "beeeeeeeem, o meu ex era uma coisa do outro mundo. Não havia mulher que não desejasse afinfar-lhes os dentinhos". Mas com os gajos é diferente. As ex-namoradas são sempre de "muita giras" para cima. Se se lhes pergunta "como é que era a tua ex?", levamos logo com um "era loira, de olhos azuis", ou "era morena de olhos verdes". Pimba, ficamos logo arrumadas. Começamos a olhar para o nosso cabelo escorrido e de cor indefinida, para os nossos olhinhos castanho-banal, e é impossível não pensar que estamos a anos luz dessa realidade. Que de certeza que ele só anda connosco porque não conseguiu arranjar outra top-model do mesmo nível. É que a proclamação da beleza das ex é tão grande e tão convicta que, no mínimo, ficamos a pensar que eles andavam com uma Heidi Klum ao lado. E é aí que se abrem os "x-files". Eu já não levo a coisa muito a sério, que já sei que nisto das ex quem conta um conto acrescenta um ponto (neste caso, acrescentam-lhe um tamanho de soutien , 10 cms de altura e muita simpatia). Os homens, simplesmente, não são capazes de dizer que andaram com um gaja normal, nem gira, nem feia, só engraçada. Não! São sempre um portento, umas deusas gregas, a inveja de todos os outros homens (e mulheres). Não sei se é aquela coisa da competição masculina. Não tenho provas, mas quase posso jurar que, entre si, os homens desenvolveram um jogo chamado "as minhas ex são muito mais gostosas que as tuas", e por isso vá de inventar e de lhes atribuir características que as desgraçadas nunca tiveram. E, claro, gaja que é gaja, depois de ouvir tudo isto, fica com curiosidade de ver o que é que já passou pelo prato do nosso homem. É curiosidade mórbida, eu sei, mas eu tenho-a, azarucho. Foi por isso que ontem, depois de o meu namorado ter passado uma parte do jantar a falar duma gaja que ele em tempos - não muito longínquos -quis catrapiscar, eu tive que ir descobrir do que é que se estava ali a falar. Segundo ele, era uma gaja que tinha todos os homens à perna, muito concorrida, a rainha da cocada preta, que eu até a podia ver, era só ir ao Google. E eu fui. E ela era um esquilo. Mesmo. Uma loura com cara de esquilo. Engraçada, mas um esquilo. Claro que ele saiu em defesa. Que ao vivo era mais gira. E insistia naquela coisa de ter muitos homens atrás. Pois claro. Se eu tivesse cara de esquilo mas usasse um soutien 38D, de certeza que também teria homens à porta de casa, numa fila que dava quatro voltas ao prédio. Sou uma pessoa realista. A sério. E não tenho problemas em assumir que uma gaja é gira. Muito gira. Uma bomba, daquelas que apetece jogar ao galo com um x-acto na cara dela. Mas aquela não era meeeeeeeeeeesmo nada de especial (pudesse eu aqui pôr a foto da dita e logo viam). Assim como outras que ele já me mostrou, igualmente apelidadas de muito giras, de louras de olhos azuis ou morenas de olhos verdes, mas completamente normalzinhas, daquelas que uma pessoa passa na rua e não vira a cabeça. Juro que não percebo o problema dos homens em assumir que andaram com pessoas normais. E eu já lhe disse "filho, se um dia acabarmos, tu não vá para aí dizer que andavas com um gaja muita gira, porque depois a tua nova namorada vai pedir fotos, vai olhar e dizer "era isto?? Era com isto que andavas?", e não vale a pena. Nada de andar a causa inseguranças nas pessoas, ou a criar muitas expectativas, porque há sempre o momento do "checking-photos" e lá se vai a vossa reputação de "sacadores-de-gajas-giras" por água abaixo. Diz só que eu era normalzinha, às vezes até a atirar para o feio (sobretudo nos dias em que não lavava o cabelo), pode ser?

Nota: nem de propósito. Fui de novo ver a foto da tal jovem, e eis que me deparei com um fórum sobre ela. Na primeira mensagem lá deixada alguém diz que ela não é lá muito gira mas tem umas belas mamas. O que é que eu disse??? O que é que eu disse? É das mamas, pá!
terça-feira, janeiro 20, 2009
A Playstation dele morreu

Digam todos comigo: oooooooooooooooooooooohhhhhhhhhh!
domingo, janeiro 18, 2009
Incompatibilidades

Por um lado, estou a tentar escrever um texto de oito mil caracteres sobre o amor. Por outro, estou a tentar descobrir o desvio padrão, a dimensão da amostra, o nível de precisão e o valor de "z".

Ser trabalhadora-estudante não resulta. Especialmente quando o trabalho e o estudo versam sobre coisas tão diferentes como sentimentos e números.
quinta-feira, janeiro 15, 2009
Recebi hoje, de duas pessoas diferentes, um mail a pedir que publicasse aqui no blog um alerta para um português desaparecido em Berlim. Não costumo aceder a pedidos, mas este é mais que justificado. A notícia está a ser veiculada massivamente, e a mobilização dos amigos e familiares tem sido incrível.

Chama-se Afonso Tiago e está desaparecido desde o dia 10. Podem ver mais informações no blog criado para o efeito: http://findafonsotiago.blogspot.com/
quinta-feira, janeiro 15, 2009
O meu namorado é o melhor do mundo. Pelo menos, do meu.
quarta-feira, janeiro 14, 2009
Dramas doméstico #1

Ele: podíamos ir ver uma etapa da Volta ao Algarve em Bicicleta!!
Eu: hã??
Ele: Vem cá o Contador!
Eu: quem??
Ele: o Alberto Contador, o espanhol!
Eu: ah...
Ele: Deve haver uma meta-volante lá em Tavira! Podíamos ir ver!
Eu: ....
Ele: a sério! Levamos o farnel e acampamos à beira da estrada, logo de manhãzinha, para guardar lugar.

É que nem me conseguia lembrar de nada mais giro para fazer em Fevereiro senão meter-me a caminho do Algarve para ver a Volta passar. É que mesmo que, num breve momento de alucinação e espamos violentos, eu até pudesse considerar a ideia de ir ver ciclistas, a referência ao farnel à beira da estrada foi a machadada final. Fica para outra altura, sim?
terça-feira, janeiro 13, 2009
Eu recebo comentários a chamar-me puta (nunca me deu para cobrar, mas com a crise que para aí anda, é coisa a considerar).
Recebo comentários a dizer que sabem onde eu moro, que um dia me fazem uma espera.
Recebo comentários a dizer que sou uma estúpida de merda.
Recebo comentários a dizer que sou pirosa.
Recebo comentários a dizer que sou fútil.
Recebo comentários a dizer que sou acéfala.
Recebo comentários a dizer que sou feia, que sou gorda, daí não pôr fotos minhas.
Recebo comentários a dizer que sabem porque é que a minha última relação terminou, e que não é de admirar, porque sou uma atrasada mental.
Recebo comentários a dizer que não dão muito tempo à minha actual relação, e que não é de admirar, porque me conhecem muito bem e sabem que eu sou assim.

E no meio disto tudo, gente com cojones para se identificar? Afirmam e juram a pés juntos, com uma propriedade que sabe Deus onde foram buscar, que me conhecem, que sabem tudo sobre a minha vidinha. Mas depois nem vê-los, claro está, que foi para isto mesmo que a blogosfera foi inventada. Para se declarar de forma anónima e cobarde o que não se tem coragem de dizer cara a cara. Nojo nojo nojo.

domingo, janeiro 11, 2009
E assim se passou mais um fim-de-semana

Arrancou com o primeiro casamento do ano (e vivós noivos), seguiu-se a comemoração do 28º aniversário, pelo meio muitas horas a dormitar e a ver filmes num sofá quentinho. Obrigada a todos os que me fizeram companhia, obrigada por todos os presentes/prendas e, sobretudo, pelas gargalhadas. É por tudo isto que roubo a mítica frase da Rititi, para dizer que os meus amigos são, sem dúvida, melhores que os vossos.


















sexta-feira, janeiro 09, 2009
Os vegetarianos

Não gosto de vegetarianos. Os vegetarianos são pessoas esquisitinhas e que me mexem com os nervos. Os vegetarianos lixam sempre os jantares de grupo. Se for em casa é preciso cozinhar qualquer coisa à parte -dá trabalho -, se for num restaurante é preciso ligar a avisar que se vai levar um vegetariano, se dá para lhe preparar qualquer coisinha. Sente-se sempre uma pontinha de desconforto, é mais ou menos como dizer que vai levar o cão, se lhe podem arranjar um cantinho, desculpe lá o incómodo. Os vegetarianos requerem tratamento especial, por isso deviam passar a designar-se "seres portadores de deficiências alimentícias". E, já agora, deviam ostentar um dístico no carro que lhes garantisse estacionamento nos centros comerciais e acesso às caixas de pagamento prioritárias.
Percebo assim-assim quem não come carne por não gostar - embora seja de desconfiar, tenho para mim quem não gosta de um bom bife com molhanga não pode ser lá muito boa pessoa -, agora quem não come por pena dos bichos, não há paciência. E depois é sempre a mesma desculpa: "ah, coitadinhos, sofrem tanto, vieram a este mundo para acabarem num prato em versão hamburger, cambada de insensíveis, então não era tão bonito um planeta repleto de vaquinhas, ah, mas os leões comerem as zebras em África isso é completamente diferente, é sobrevivência, completamente diferente!". Pequenada, a minha sobrevivência também depende de comer semanalmente um belo naco de carne, bem temperadinha, ali com muita batata frita à volta. E se não comer carne fico violenta. E mordo.
Também gosto dos vegetarianos que recusam espetar um garfo numa costeleta, mas depois venha de lá um carapau ou um rodovalho, ainda com olhinhos, guelras e dentes. Isso já não há problema nenhum. Porquinho não, rodovalho venha ele. O rodovalho não é bicho? Ninguém tem pena do rodovalho? E os vegetarianos que se benzem perante uma salsicha, mas depois também não vem nenhum mal ao mundo se usarem cabedal dos pés à cabeça? E quanto produto é que não há por aí que na sua composição mete bocados de um bicho qualquer (medicamentos incluídos)? Aí já não tem mal limpar-lhes o sebo? Ah, pois é! Interesseirozinhos!
Depois irrita-me aquela coisa da evangelização de coisas com nomes tão esquisitos como tofu, seitan ou soja. Sempre a quererem impingir, sempre a dizer "prova lá, hmmmm, tão bommmm, quem é que precisa de carne quando pode comer um seitan com anchovas?". Mas o pior de tudo é confeccionarem pratos que se assemelham aos das "pessoas normais". Meus amigos, se é para fazerem um tofu à Braz, porque é que não comem logo a porcaria do bacalhau duma vez? Se fazem um arroz que é a cara chapada do arroz de pato, porque é que não enfiam lá um quá-quá? E chouriço de seitan??? Mas isto cabe na cabeça de alguém??? É igualito, igualito ao chouriço, mas depois vai-se a ver e em vez de porco leva seitan??? Se querem a vossa comida diferentezinha, arranjem as vossas receitas, olha agora!
E depois queixam-se. Os vegetarianos é uma gente que se queixa muito. Quer dizer, já bem basta uma pessoa fazer-lhes o enormérrimo favor de lhes arranjar um prato diferente, e têm sempre que soltar o lamento. Ou porque lhes fizeram uma salada, ou porque lhes fizeram uma omelete, ou porque lhes dão uma sandes com Tulicreme. No fundo, qualquer coisa prática que não meta carne nem peixe. Queriam o quê? Um fonduezinho de vegetais? Uma grelhada mista de frutas? Então levem um tupperware com a vossa comida, não sejam maçadores.
Vamos lá, deixem-se de coisas. Venham daí comer bifes e vão passar a ter uma vida social muito mais gira, está bem?

Espero que as minhas duas amigas vegetarianas não deixem de me falar para todo o sempre. Uma delas até contribuiu com informação técnico-científica que está na base deste texto. Tão querida. Não come carne, mas é muito querida. E acho que come rodovalho.

Estou completamente apaixonada por isto

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Bruno Aleixo na escola

Já ri até às lágrimas. M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O.

quarta-feira, janeiro 07, 2009
Entre os que já recebi e os que estou para receber...

... este foi "o" presente. Linda e enorme, como se quer.
terça-feira, janeiro 06, 2009
Todos os anos, por esta altura a minha mãe repete a mesma história. “E depois eu pedi ao taxista para pararmos em casa, só para eu ir buscar a mala com as roupinhas, e quando voltei já ele se tinha ido embora. Devia ter medo que nascesses no táxi. Depois o teu pai queria que eu chamasse uma ambulância, mas fomos para a praça de táxis a ver se aparecia algum”. Eu faço sempre o mesmo ar de surpresa, como se estivesse a ouvir aquilo pela primeiríssima vez. Com esta e com muitas outras histórias. Como aquela que o meu pai conta, de estar sentado comigo na relva do jardim do Príncipe Real, distraído nas suas leituras, e de eu largar a gatinhar por ali a fora. Até que alguém gritava “olhe a menina”, e lá ia ele a correr atrás de mim. Uma vez, tão esperta, mas tão esperta, gatinhei até ao Sérgio Godinho e agarrei-me ao livro que ele estava a ler. É mais ou menos nesta altura que a minha mãe se sai com o “então e quando o Papa veio a Portugal em 82 e lhe tocou na cabeça?” (a minha, não na do Sérgio Godinho, que esse já é abençoado que chegue). Também relembram sempre, com orgulho, o facto de o Baptista Bastos me falar todos os dias, quando se cruzava comigo na rua Luz Soriano. Eu a caminho da primária, ele de regresso do Diário Popular, com o seu lacinho ao pescoço. Claro que eu só podia vir a ser jornalista. Morava na rua d’O Século e andava na escola na rua onde ficava o Diário Popular, o que é que se esperava? Do infantário lembro-me do Gabriel, a quem dava abraços. Lembro-me de ser a última a sair da mesa no dia em que a comida era açorda (fiquei com o trauma, nunca mais lhe toquei). Lembro-me do encontrão que me valeu três pontos no lábio inferior. Lembro-me das educadoras, a quem tratávamos por tias. Lembro-me da Ana Miller, a preferida, uma sonsa do pior. Lembro-me que era tão, mas tão perto de casa que no último ano já ia sozinha. Não havia cá raptos, nem Maddies. Brincava sempre na rua. Nunca fui atropelada, assaltada, esfaqueada, ninguém se meteu comigo. Até tenho fotografias descalça. Pedia para o Santo António e fazia pequenas fortunas. Um dia, também no jardim do Príncipe Real, palco de todas as minhas parvoíces infantis, recusei-me a ir para casa. O meu irmão tanto correu atrás de mim que caiu e partiu um braço. Lembro-me muito bem da Nã, a vizinha que era mais avó do que outra coisa, e que berrava desalmadamente quando lhe atirava cobras e aranhas de plástico pela janela. Também me lembro de passar horas a fio no Snob (como é que não havia de ser jornalista?). Era giro correr por lá quando estava fechado aos clientes, empanturrar-me em pipocas salgadas, ajudar a menina Maria a dobrar os guardanapos que, dali a horas, haveriam de servir para limpar a molhanga dos bifes. E lembro-me, tão bem, mas tão bem, de ir à antiga Luz ao domingo, quando os jogos eram todos às três da tarde, e de comer uns bolinhos em forma de laço. A relação com a Luz continuou. Era lá que tinha aulas de ginástica, depois ballet, tantos e tantos anos. Ainda o Colombo não passava de um gigantesco lago que servia de piscina às gaivotas.Apresentei-me no primeiro dia de escola com canetas de todas as cores, e fiquei desmoralizada quando soube que só íamos usar lápis e borracha nos primeiros tempos. A primeira professora foi a D. Ana. Depois morreu e seguiram-se umas dez, nenhuma tão boa. Ainda tenha a folha com o abecedário que ela ofereceu a cada um dos meninos, com as letras em maiúscula e em minúscula. Foi na primária que conheci o André, o primeiro grande amor. Era neto de uma senhora que trabalhava lá na escola e vivia no Algarve. Só vinha a Lisboa de vez em quando, para me desconcentrar. Passava as aulas a trocar bilhetinhos, com muitos corações, muitas juras de amor (a minha mãe ainda guarda alguns religiosamente, e quando me quer envergonhar vai buscá-los). E ele era um cavalheiro. Acompanhava-me a casa no final das aulas, dizia à minha mãe que não gostava que eu fosse sozinha. Coisa que me irritava, que eu tinha sete ou oito anos mas já era uma pessoa emancipada e com chave de casa.As férias eram sempre, mas sempre no Algarve. Há fotos que comprovam que eu estive na praia da Manta Rota, ainda a minha mãe estava grávida. E, desde então, não passou um verão em que lá não tivesse posto os pés. Foi lá que aprendi a andar de bicicleta e a gostar de caracóis. Enfim. Da primária fui para a preparatória, dali para o liceu Passos Manuel, onde passei seis anos (e fumei durante um mês), do liceu para a faculdade. Neste trajecto não me lembro de querer ser jornalista. Não me lembro de o ter decidido, nem sequer desejado com muita força. Gostava de escrever, não tinha jeito para mais nada, por isso fui para jornalismo. O meu pai estava no hospital no dia em que me licenciei. Outros azares bem maiores já nos tinham batido à porta antes disso, mas cá em casa leva-se a vida com alegria.
Já escrevi milhares e milhares de caracteres. A primeira vez que vi o meu nome a assinar uma peça foi n’A Capital. Tenho dois dossiers com todos os textos que lá escrevi. Aliás, tenho guardado tudo o que já publiquei na vida e que, não sendo muito, é uma conquista. É o meu legado. E ainda tenho muito para escrever.
Não me posso queixar da vida que tenho tido. E o melhor ainda está para vir. Afinal, hoje só faço 28 anos.
sábado, janeiro 03, 2009
2009: doze passas para ser feliz

31 de Dezembro de 2008,
23h59. Na mão doze passas,
uma para cada resolução
que se quer tomar no novo
ano. Sensatas, prepotentes,
ridículas, seguras. Nossas.

Primeira passa: Tempo
Este ano vamos ter tempo. Vamos
escapulir-nos mais cedo do trabalho para
entregar o corpo a massagens. Vamos
ao cinema uma vez por semana, sessões
duplas se for preciso, Tarantino ou Oliveira.
Vamos contorcer a agenda para marcar
jantares de amigos, daqueles que se
alongam até virarem ceia, pequeno-almoço.
Vamos esticar-nos no sofá, indiferentes à
loiça que grita para ser lavada. Vamos ver
os miúdos sem ser a dormir, vamos dar um
beijo aos pais sem ser no Natal. Vamos
ter tempo para nós, para rir agarrados à
barriga, para ler revistas à beira rio. Vamos
enterrar o telefone debaixo do colchão,
atirar o despertador contra a parede,
dormir mais uma hora, fazer da preguiça
um pecado imortal.

Segunda passa: Corpo
Este ano vamos deixar o ginásio onde
não pomos os pés, onde não levantamos
pesos, onde o rabo não diminui, onde os
músculos não aumentam, onde a carteira
emagrece. Vamos calçar os ténis e subir e
descer colinas, para isso temos sete. Vamos
passear o cão mais vezes, ensiná-lo a atirar
a bola para a apanharmos. Vamos correr
os metros que conseguirmos, hoje dois,
amanhã quatro, para o ano a maratona.
Vamos comprar uns patins, arranhar os
joelhos. Vamos dançar na sala, pular na
cama, trepar paredes, subir um andar a
pé, mais dá-nos cabo dos rins. Vamos
desejar com muita força que o corpo ganhe
contornos de escultura. Esperar para ver.

Terceira passa: Comida
Este ano não vamos renegar um
hambúrguer, umas batatas gordurosas,
uma piza familiar. Não vamos ostracizar
os brócolos por serem verdes, torcer o
nariz aos espinafres, fazer a segregação
da cebola. Não vamos desmaiar com os
transgénicos, benzer-nos perante salada
pronta-a-servir. Vamos deixar o enjoo de
lado para experimentar peixe cru, perceber
que se perderam anos de vida, nunca
mais querer outra coisa. Vamos espalhar
tachos pela cozinha, sujar o fogão, errar
até fazer bem, perceber que a comida feita
existe por algum motivo. Vamos tornar-nos
reis da cozinha, impressionar o mundo.
Vamos estourar dinheiro num restaurante
caro, vamos sentar-nos numa tasca.
Vamos esquecer a ASAE e voltar ao pato
à Pequim.

Quarta passa: Nós
Este ano vamos ajoelhar-nos para
um pedido de casamento. Vamos ganhar
coragem para lhe dizer que temos outro,
que o seu melhor amigo se faz a nós, e
nós a ele. Vamos mudar de casa, uma tão
grande como os nossos sonhos. Vamos
dizer-lhe que o amor já lá vai, passou.
Vamos tentar ter um filho. Vamos apanhá-
-lo com outra, vomitar todas as lágrimas e
arranjar um novo amor. Vamos esquecer
as paixões de 2008, de 2007, todas as que
nos espatifaram o coração. Não vamos
dizer que o problema somos nós, não eles,
porque às vezes são mesmo eles. Vamos
fingir que nunca dissemos “nunca mais”
e vamos viver tudo de novo. Vamos dizer
“desculpa”. Vamos esperá-la com o jantar
feito. Vamos levá-lo à bola. Vamos pedir-
-lhe a chave de casa. Vamos dizer “não
desculpo”.

Quinta passa: Alma
Este ano vamos ser solidários. Vamos
mandar trabalhar quem exigir cinco euros
para “uma sopinha”, pagar um cornetto-
-morango a quem o pedir com convicção.
Não vamos dizer “para comida sim, droga
e vinho é que não”. Vamos sacar de uma
moeda quando a intuição nos mandar,
oferecer o último cigarro, esticar o isqueiro
para lume. Não vamos deixar gorjetas
ao empregado que nos levou o copo que
ainda tinha vinho, ao taxista que quase nos
abateu a tiro por pedirmos factura. Vamos
dar a volta ao armário, deixar partir calças
que nunca viram a luz do dia, livros que já
foram lidos, pacotes de arroz em excesso.

Sexta passa: Viagens
Este ano não damos a volta ao mundo,
mas damos voltas no mundo. Vamos fazer
o mapa de carro, escolher a low cost mais
barata, somar cidades. Vamos para fora cá
dentro, vamos para fora lá fora. Vamos ao
castelo de 28, vamos ver Lisboa de barco,
vamos ao Porto pelos carris. Vamos estar
em movimento, vamos ficar parados a olhar
para Nova Iorque, Roma, Madrid, Xangai.
Vamos ter saudades de casa. Não vamos
querer voltar.

Sétima passa: Poupança
Este ano vamos virar o porquinho ao
contrário, pescar as últimas moedas, jurar
que tudo será reposto. Vamos resistir ao
crédito tão fácil que só pode ser difícil,
ao empréstimo de seis meses que é para
a vida toda, ao dinheiro emprestado que
é sempre vendido. Vamos fazer explodir o
subsídio de férias, pôr nos pés uns sapatos
de dezenas, na parede um plasma de
milhares, não é verdade que uma vez não
são vezes? Vamos fazer contorcionismo
orçamental até ao final do mês, dos meses,
do ano. Vamos suspirar por mais, vamos
ser felizes com menos. Vamos fechar a
poupança-reforma, abrir uma conta-vida.

Oitava passa: Gritos
Este ano vamos gritar com a EMEL,
rasgar em pedacinhos a décima-oitava
multa, lançá-la ao ar versão confetti. Vamos
inverter os papéis, gritar com o chefe, exigir
um “obrigado”, um “por favor”, um sorriso?
Vamos gritar com quem deixar o cão
aliviar-se nos passeios públicos, com quem
não parar na passadeira, com peões que se
arrastam na passadeira. Vamos gritar pelo
Benfica, gritar com o Sporting. Vamos gritar
com a crise, com os professores, com os
bancos nacionalizados, com o prato que se
desfez no chão, com o três no Euromilhões,
com a chuva sem chapéu à vista.

Nona passa: Parvoíces
Este ano vamos oferecer abraços a
quem passar, vamos para a janela lançar
bolas de sabão. Vamos pôr um trampolim
no meio da rua e cobrar um euro por salto.
Vamos trabalhar com um fato de Batman,
assegurar que só podemos trabalhar em
missões heróicas ao serviço da pátria, nada
de mandar mails ou atender telefones.
Vamos andar de bicicleta na rotunda do
Marquês. Vamos pedir um beijo na boca
a um estranho. Só para ver a que é que
sabe.

Décima passa: Eu
Este ano vou jantar fora sozinho, pedir
só um bilhete no cinema. Vou passar um
fim-de-semana inteiro de pijama, sem lavar
os dentes antes de dormir. Vou apagar o
teu número de telefone e verter lágrimas
agarrada a um peluche. Vou cortar a franja
e pintar as unhas dos pés na mesa da
sala. Vou aprender espanhol, mandarim,
informática e cozinha do Camboja. Vou
atravessar o restaurante para dizer que o
miúdo aos berros me tira o apetite. Vou
ver novelas às escondidas, ler romances
pop debaixo dos lençóis. Vou mandar o
bife para trás as vezes que forem precisas,
voz firme, olhar erguido. Vou dizer que não
gostei da prenda, exigir o talão de troca.
Não vou encher o mundo com as minhas
dores, bem bastam as dores do mundo.

Décima primeira passa: Confissões
Este ano vamos pôr tudo em pratos
limpos. Vamos contar quem fez o risco na
porta esquerda do carro, quem atacou a
poupança para comprar o gadget. Vamos
contar que aquelas férias com amigos no
Algarve, há doze anos, afinal foram em Ibiza.
Com o namorado oito anos mais velho. Que
não tinha carta. E que era sensível ao álcool.
Vamos dizer que mentimos, que aquele
vestido a transforma num cachalote, não a
faz parecer mais nova, muito menos magra.
Vamos anunciar que foi por medo que não
entrámos na montanha-russa, não foi bem
por prescrição médica. E que a deixámos
casar com outro porque fomos estúpidos. E
teremos que viver com isso para sempre.

Décima segunda passa: Horóscopo
Este ano não queremos saber se Leão
vai bem com Virgem, se Capricórnio irá para
a cama com Peixes, se Sagitário só poderá
ser feliz com Balança. Vamos dar fogo às
previsões que anunciam dores de dentes,
febres altas e Júpiter na casa de Saturno.
Vamos rir-nos das boas probabilidades
de aumento, de negócios de milhões, de
amores para toda a vida. Não nos digam
que Abril vai ser um mês excepcional,
que em Agosto pode estar calor e que em
Novembro é capaz de chover. Não tracem
a nossa vida por um ano, que a nós só nos
importa o hoje.

* Texto publicado no 4º número do jornal do Lux. Muita coisa boa para ler.
sábado, janeiro 03, 2009
Primeiro pedido de 2009

Que a lampreia de ovos que sobrou das festividades desapareça rapidamente cá de casa, sob pena de eu me transformar num cachalote ainda antes do final de Janeiro.
quinta-feira, janeiro 01, 2009
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E prontinho. Uma pessoa distrai-se e, em menos de nada, já está em 2009. Poucos planos para o ano que aí vem. Essencialmente, ser feliz, processo que começou a ser trabalhado nos últimos meses de 2008. Do ano que passou, pouco há a dizer. Foi, muito provavelmente, um dos mais infelizes da minha história. Com demasiados dias a acordar e a pensar que já não havia nada a fazer, que o meu destino era sentir-me irremediavelmente miserável e ratazana deprimida para toda a eternidade e mais além. Não era. E a chegada do Outono encarregou-se de mo mostrar. A mim, drama queen das drama queens. A maior parte dos 27 mil pedacinhos em que o meu coração se desfez já estão colados. Há algumas peças importantes por recuperar, mas em 2009 trata-se do resto.

Que 2009 me traga tempo para ler, e mais ainda para escrever, paciência para o mestrado, beijos na boca, paciência para o trabalho, viagens, muitas viagens, bons planos de vida, paciência para o ginásio, menos ataques de fúria e melhorias de feitio, paciência para gente que parece ter nascido para chatear, e pequenos ataques de Alzheimer que me apaguem da memória tudo o que lhe ocupa espaço, que o Benfica seja campeão, vá lá, vá lá, vá lá . 2009 vai ser um grande ano.

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