Pub SAPO pushdown

Meninas e meninos. Ou só criançada, vá.

quinta-feira, agosto 31, 2017

Um dia o Mateus chegou a casa a dizer que na escola não o deixavam brincar com bonecas. Perguntei-lhe quem é que não deixava, e disse-me que era a educadora. Achei aquilo estranho, expliquei-lhe, como explico sempre, que toda a gente pode brincar com tudo, e dei o devido desconto, que já se sabe que nestas idades os putos contam um conto e acrescentam uns cinquenta mil pontos. Dias depois, a queixa repetiu-se: "a A. não me deixa brincar com bonecas!". Do que conheço da professora e do que conheço da escola, não estava propriamente a ver uma coisa dessas a acontecer, mas como a queixa era repetida lá me resolvi a ir ter com a educadora e perguntar o que é que se passava. Tal como eu pensava, explicou-me que os brinquedos estão à disposição de todos. Carros convivem alegremente com bonecas, bolas convivem alegremente com brinquedos que imitam utensílios domésticos, está tudo ali à mão de semear e cada um brinca com o que bem lhe apetecer. O que acontecia, explicou-me,
é que as meninas, numa atitude mais territorial, não achavam muita graça a que os meninos brincassem com as bonecas, porque são meio abrutalhados e nem sempre as tratam com a delicadeza e o cuidado que elas acham que as bonecas merecem, por isso tentavam protegê-las como podiam. E, conhecendo o Mateus como conheço, estou mesmo a vê-lo a agarrar-se aos cabelos de uma boneca só para a tirar das mãos de outra pessoa que estivesse a brincar com ela. Do mesmo modo que se a dita boneca estivesse lá para um canto, ao abandono, muito provavelmente ele não a quereria. Basicamente é aquela coisa irritante que os putos têm de só quererem brincar com aquilo com que os outros estão a brincar.

O assunto ficou arrumado, mas achei importante que fosse esclarecido. Até porque se a resposta da professora fosse qualquer coisa como "ah, pois, é que nesta escola as meninas brincam com bonecas e os meninos com bolas, não há cá misturadas", tirava-o dali em três tempos. Em casa o Mateus nunca ouviu expressões como "isso é para meninas" ou "isso é para meninos". Nessa altura em que andava mais queixoso por não o deixarem brincar com bonecas, levei-o a uma loja para trocar um presente de Natal, disse-lhe para escolher o que quisesse e até sugeri que levasse uma boneca, já que andava a falar tanto no assunto. Respondeu-me "mas as bonecas são para meninas" e eu lá lhe disse, pela enésima vez, que isso não existe, que os brinquedos existem para quem quiser brincar com eles, seja menino ou menina. Acabou por escolher mais uma merda qualquer da Patrulha Pata e, como é óbvio, não o obriguei a levar uma boneca só para lhe provar que não vinha nenhum mal ao mundo. Mais do que lhe pregar lições de moral aos quatro anos, quero é que ele seja feliz.

Este blá-blá-blá todo para chegar à questão da Porto Editora e dos cadernos de actividades. Azul para menino e rosa para menina. Com bolas e carros para o menino, com estrelas e bailarinas para a menina. Os cadernos acabaram por ser retirados do mercado por recomendação da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género e, opinião minha, acho que se abriu aqui uma premissa perigosa. Já se disse mil e uma coisas sobre o assunto, já se escreveu tudo e mais um par de botas, não houve cão e gato que não tivesse alguma coisa a dizer sobre o tema. E eu li tanta atrocidade que tive vontade de não frequentar redes sociais nos próximos 50 anos. Gente a apelidar a Porto Editora de "nojenta", gente a sugerir boicotes, gente que se empregasse um terço da capacidade de indignação que empregou neste caso para discutir assuntos realmente importantes faria com que o país andasse para a frente em três tempos. Mas espera lá, perguntam vocês, este assunto não é importante? É, claro que sim. Mas não justificou este circo todo que se montou.

Tal como 98,7% das pessoas que deram o seu inestimável contributo para este tema, também eu não tive a oportunidade de ver os cadernos. Não os tive nas mãos, não pude fazer uma análise comparativa, não sei se as diferenças cognitivas eram assim tão evidenciadas. Toda a gente teceu comentários com base numa imagem que foi divulgada na internet (a do labirinto), mas isso, por si só, não é suficiente para perceber se todas as actividades das meninas eram mais fáceis do que as dos meninos. Duvido muito que fossem. Mas depois, claro, há também o problema das ilustrações. As dos cadernos dos meninos remetem para actividades ao ar livre, para desportos, para aventuras. As das meninas remetem para um universo de fantasia, de princesas, de coisas mais delicadas. E isso é que não pode ser, valha-nos Deus, que é certo e sabido que miúdos que preenchem livros de actividades com barcos e escorregas serão uns machistas de primeira, e miúdas que preenchem livros com galochas e cupcakes serão umas tontas, oprimidas que acreditam que o seu lugar não é outro que não a cozinha.

Na minha singelíssima e nada relevante opinião, o único problema dos livros é terem a indicação "menino" e "menina" na capa. Percebe-se a estratégia comercial da Porto Editora. Tendencialmente, é verdade que isso faz/pode fazer com que os meninos queiram (ou sintam que devem querer) o que diz menino e que as meninas queiram (ou sintam que devem querer) o que diz menina. E que os próprios pais se sintam inclinados a fazer uma escolha. Se não dissessem nada, seriam só um livro azul e um livro cor-de-rosa. O primeiro mais aventureiro, o segundo mais fantasioso, mas que cada criança escolhesse o que mais lhe agradasse, sem esse suposto estigma de ser para menino ou para menina. É mais ou menos como os brinquedos do McDonalds. Deixaram de estar segmentados por géneros, para não ferir susceptibilidades, e passaram a ser só brinquedos. Há dois à disposição, toda a gente sabe que um é mais orientado para o sexo feminino e outro para o sexo masculino, mas não têm o rótulo e isso já deixa muita gente mais descansada. É o que se quer.

Se alguma vez me tivesse cruzado com os livros de actividades da Porto Editora, provavelmente teria comprado o azul, "para rapazes". Pela simples razão de achar que o Mateus se identificaria mais com a bonecada. Mas, e isto é, para mim, o verdadeiramente importante, não teria qualquer problema em comprar-lhe o cor-de-rosa, mesmo que tivesse a indicação "para meninas". Se o Mateus gostasse do livro, se o quisesse, qual era exactamente o problema? Tanto quanto sei, não havia nenhuma obrigação ou proibição implícita a cada um dos livros, cada um compra (comprava) o que quer, para quem quiser. O problema está  só na cabecinha complexada das pessoas.

Com quatro anos o Mateus já manifesta gostos e preferências. Já vai ao Netflix e escolhe as séries que quer ver, já vai a uma loja e opina sobre os brinquedos que lhe compramos. Regra geral, vai para as coisas ditas  de rapaz (e sublinho muito o "ditas", para que ninguém me venha cá bater). Gosta de desenhos animados de acção, gosta de lutas, de carros, de bolas. Não liga a bonecas, a roupinhas, a filmes de princesas, a brincar aos pais e mães ou às tarefas domésticas. Nunca me pediu nada dessas coisas e, como tal, acompanho-lhe as vontades e deixo-o fazer aquilo que, aparentemente, o faz mais feliz. Claro que lhe podia sugerir roupa cor-de-rosa, Barbies, Nenucos, ou a Cinderela a rodar na televisão três vezes por dia. Mas, sinceramente, sinto que seria muito mais uma imposição do que uma sugestão. Às vezes lá o convenço a ver uma Pequena Sereia ou coisa que o valha (mais para me contentar a mim do que a ele) mas, invariavelmente, ao fim de uns minutos lá me está a perguntar se já pode pôr no Cars, ou no Star Wars ou numa das milhentas coisas desinteressantes que ele adora.

A sociedade formata os miúdos, desde sempre, para que gostem mais disto ou daquilo? Sim, claro. O melhor exemplo é que assim que engravidamos toda a gente fica morta de curiosidade para saber o sexo do bebé, para poder decorar o quarto ou comprar as primeiras roupinhas. A segmentação começa logo aí. Mesmo que não seja intencionalmente, encaminhamos logo os miúdos para determinadas escolhas. Mas essa orientação para certas cores ou brincadeiras tem uma implicação nociva na forma como os miúdos encararão as questões de género? Serão mais preconceituosos ou discriminatórios por causa disso? Tenho sérias dúvidas. Se o trabalho em casa/escola for bem feito, se as bases forem boas, não é por os miúdos adorarem futebol e as miúdas bonecas que isso se reflectirá, de forma prejudicial, na forma como vêem as questões de género. O Mateus adora carros, eu compro-lhe carros mas, ao mesmo tempo, também lhe explico que não há problema nenhum em brincar com bonecas. Deixo-o completamente à vontade para me pedir uma, não permito que ele diga "isso é coisa de meninas", explico-lhe as vezes que forem precisas porque é que não deve dizer isso. A verdade é que alguém lhe incutiu essa ideia. Provavelmente saída da boca de algum coleguinha, provavelmente saída da boca de um adulto que até lho pode ter dito na brincadeira, sem pensar na dimensão da questão, mas em casa essa ideia será sempre contrariada. 

Acho que nos encaminhamos, perigosamente, para um mundo cada vez mais asséptico, onde as diferenças se esbatem e se combatem como se fossem uma coisa má e potencialmente perigosa. E não são, não acho que sejam. Meninos e meninas são diferentes, mas de repente montou-se todo um drama em torno disto. Uma amiga de Facebook apelava para que as mães deixassem de comprar roupa cor-de-rosa às filhas. Mas... e se as filhas quiserem? Se as filhas gostarem? Se as filhas preferirem? Será que retirar-lhes o cor-de-rosa é a melhor forma de combater as questões de igualdade de género e de provar que as mulheres são tão ou mais capazes do que os homens? "Minha rica filha, a partir de hoje só vestes castanho. Vais sentir-te miserável e infeliz? Paciência, mas ao menos o mundo sabe que não embarcas cá nestas merdas de meninas". 

Pela parte que nos toca, o Mateus saberá sempre que tem o mundo à disposição. Será sempre educado para perceber que gostar de azul não o impede de gostar de rosa, ou de amarelo, ou de vermelho. E que há meninos que só gostam de rosa, que há meninas que só gostam de azul, e que isso não interessa rigorosamente nada. Será educado para perceber que mulheres e homens devem ter acesso às mesmíssimas oportunidades, que ser homem não é um estatuto que faz dele mais importante, respeitado ou especial. E este é o verdadeira influência que todos nós devemos ter o cuidado de exercer na vida dos nossos filhos. Quanto a cadernos azuis ou cor-de-rosa... Por Deus, não me macem.

Foto: Henri Cartier-Bresson

128 comentários:

  1. "O melhor exemplo é que assim que engravidamos toda a gente fica morta de curiosidade para saber o sexo do bebé, para poder decorar o quarto ou comprar as primeiras roupinhas."
    E, assim que levamos o bebé à primeira consulta, o próprio médico nos entrega o boletim com a cor associada ao género da criança. Eu, tonta me confesso, tenho um menino e uma vez em conversa com mães de meninas disse qualquer coisa como "sim, porque no boletim dos percentis... sabem, aquele azul!" e só nessa altura é que fiquei a saber que há boletins cor de rosa :)

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    1. Tem duas cores porque os percentis são diferentes e assim os médicos e enfermeiras não tem que andar constantemente a depir os bebés para saber qual o sexo. É uma questão apenas prática. Facilita a vida dos profissionais...

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    2. Faz todo o sentido, nem tudo se resume a "sexismo"! há que ponderar antes de "atirar" ao alvo. E a Ana Afonso não é nenhuma toda, simplesmente desconhecia a diferenciação dos boletins de saúde e o fundamento da "coisa". 😃

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    3. Sim mas isso acintece e muito bem porque as tabelas dos percentis de meninos e meninas é diferente porque o crescimento de meninas e meninos é diferente e quando vamos ao médico ou enfemeiros facilita muito só de olhar a capa/cor saber de sexo da criança estamos a falar/lidar.

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    4. Eu mãe de 3 rapazes também desconhecia que esse livro também existe em rosa :)

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    5. Eu, mãe de duas meninas, desconhecia que o livrinho havia em azul. Ahahah

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    6. Mas em vez de ser cor... podia apenas dizer o sexo na capa... ou então ser amarelo e verde ou outra coisa qualquer, não?

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    7. Na suica na ha ca cores diferentes, sao tds iguais, alias tem la o quadradinho de F e M ao laod da data de nascimento. nao ha ca percentis, n ha ca a guerra dos percentis. o medico tem a tabela dos percentis em frente aos olhos, se houver curiosidade mostra aos pais.

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    8. E qual é o problema de haver duas cores inclusivamente o azul e o rosa?

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    9. Convencionou-se azulM e rosaF, tal como podia ter sido amareloF e verdeM ou vice versa... É irrelevante! 😉

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  2. Na minha singela opinião, se a CIG em vez de se chamar Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género se chamasse comissão para a igualdade de oportunidades/direitos metade dos problemas seriam evitados. Este foi um, virão outros.
    Eu nao sou igual ao homem, não quero ser igual ao homem, quero é saber que tenho os mesmos direitos e as mesmas oportunidades que ele.
    Maria

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    1. Subscrevo totalmente o seu último parágrafo.

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    2. Concordo!!!!

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    3. Nem mais 👏👏

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    4. Completamente de acordo! 👌👏👏

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    5. É que é isto mesmo...

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  3. A educação é a base. Os miúdos no ensino básico têm uma disciplina que se chama formação cívica ou educação para a cidadania que deveria servir exatamente para abordar temáticas importantes como a igualdade de género mas é isso que acontece? Não. No meu tempo - que não foi assim há muito - essa aula era ocupada pela professora com matérias em atraso, marcação ou alteração de datas de testes entre outras coisas que nada tinham a ver com o propósito e objetivo da disciplina. Este é o meu exemplo mas acredito que represente uma maioria nas escolas por esse país fora. Isto tudo para voltar à ideia inicial: a educação é a base e enquanto os miúdos não tiverem uma formação cívica à séria - aliada à que têm em casa por parte dos pais- a mentalidade não irá mudar.

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    1. Pois tem razão mas falta saber se têm essa educação em casa transmitida pelos pais ou estes estão à espera das aulas de formação cívica ou educação para a cidadania para fazer o trabalho com as crianças que os próprios pais se demitem de fazer.

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    2. Isto é um ponto muito importante porque secalhar a maioria dos pais e filhos não almopartilham uma refeição juntos uma semana inteira nem partilham as tarefas e organização de casa e da vida deles. Muitos pais não tem tempo de qualidade para estar com os filhos e outros não querem estar com eles porque cuidar de um filho dá muito trabalho e estes estão melhor nas escolas, nos ATL e em casa dos avós que é para não chatearem muito e os pais fazerem a sua vida livremente. Se as crianças viverem em familia com os pais e verem em casa que tanto limpa a casa a mãe como o pai, ou faz de comer, ou trata da roupa, ou leva à escola, etc...e que trabalham os dois e que um não "manda" no outro nem no dinheiro em casa, etc...essas crianças não vão ter problemas na igualdade em sociedade quer seja nos direitos de cada um independentemento do sexo quer no trabalho ou em qualquer outra coisa.

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    3. Até poderá não ter em casa... ter um pai profundamente machista e que nunca lhe vai incutir valores de igualdade. Mas se na escola esse papel for feito é melhor que nada. Pelo menos há hipótese de colocar os miúdos a pensar, a questionar, a conhecer outras vertentes e a seguir outra linha diferente da dos pais. Agora se não há pais, nem há escola...

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    4. Bem!! O meu sogro sempre partilhou as tarefas domésticas com a mulher e sempre que pode ainda me dá uma ajuda, já o meu marido deixa muito a desejar e não é por uma questão de educação...

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  4. Pior mesmo é quando nos perguntam o sexo da criança quando estamos grávidas e, se for um menino, os comentários serem logo :"parabéns, mt bem feito" "assim é que é logo um rapaz"...só me apercebi disso quando estive grávida e entrei em choque!!! Ainda por cima comentários vindo de mulheres!!! O machismo começa também no feminino...

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    1. Sim o pior machismo parte das mulheres...os homens machistas foram educados por mulheres para serem assim e um bom exemplo que infelizmente ainda perdura na sociedade é o tratamento filha/genro e filho/nora...

      "Duas distintas senhoras encontram-se após um bom tempo sem se verem. Uma pergunta à outra:

      — Como vão seus dois filhos... a Rosa e o Francisco?

      — Ah! querida... a Rosa casou-se muito bem. Tem um marido maravilhoso. É ele que levanta de madrugada para trocar as fraldas do meu netinho, faz o café da manhã, arruma a casa, lava as louças, recolhe o lixo e faz a faxina. Só depois é que sai para trabalhar, em silêncio, para não acordar a minha filha. Um amor de genro! Benza-o, ó Deus!

      — Que bom, heim amiga! E o seu filho, o Francisco? Casou também?

      — Casou sim, querida. Mas tadinho dele, deu azar demais. Casou-se muito mal... Imagina que ele tem que levantar de madrugada para trocar as fraldas do meu netinho, fazer o café da manhã, arrumar a casa, lavar a louça, recolher o lixo e ainda tem que fazer a faxina! E depois de tudo isso ainda sai para trabalhar em silêncio, para sustentar a preguiçosa, da minha nora."
      Piadas: http://www.piadas.com.br/

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    2. Que horror, as pessoas dizem mesmo isso? Estou careca de saber que estamos inseridas numa sociedade machista e patriarcal, mas pensava que as pessoas tinham, ao menos, vergonha na cara e tentavam camuflar a coisa.

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    3. Ou como no meu caso que só sabiam dizer "ah tens barriga de menino", "tens cara de grávida de menino", "ah vai ser menino de certeza" e outras tantas idiotices...resultado foi menina. Adorei.

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    4. Que mania de culpar as mulheres. Se os homens machistas foram criados somente pela mãe é porque os pais se desresponsabilizavam de cuidar os filhos. A culpa disso também será das mães desses homens?

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    5. ahahahahaha anónimo das 9:40h! Muito bom! :)

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    6. Os homens machistas foram educados por uma mulher e, se não eram órfãos, de uma família monoparental ou homossexual, por um homem também, não?

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    7. Bem, o meu marido perdeu o pai cedo e tanto ele como os três irmãos mais velhos foram educados num meio onde os homens não fazem nada em casa. Felizmente, consegui mostrar ao meu marido a importância de partilhar as tarefas domésticas e foi comigo que ele aprendeu quase tudo.

      Mas quando há almoços em casa da minha sogra, são as mulheres que cozinham, põem a mesa, se levantam para ir buscar alguma coisa, arrumam as coisas... Os homens ficam sentados a conversar...

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    8. Eu tenho uma menina com dois e meio e uma vez uma tia perguntou me - agora tens que tentar ter um menino! Ao que eu respondi - obrigada mas não estou a pensar fazer criação...

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    9. por aqui aconteceu o mm, histerismo completo misturado com mt falta de educacao. o histerismo foi tao grande q neste momento n ha qq tipo de contacto. as pessoas as vezes sao como animais, mt basicas, mm na propria familia.

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    10. Ontem em casa da minha sogra, num jantar de família, o meu pai e o meu marido é que trataram da loiça (e eram os aniversariantes!!!). O meu sogro tb sempre fez td em casa e sempre tratou dos filhos. Há de tudo em todas as gerações, mas os homens cada vez participam mais activamente nessas coisas, e se há homens que sentam o rabo no sofá enquanto a mulher trabalha, a mulher tem de o pôr no lugar e pronto. Lá em casa umas vezes sento eu o rabo a ver tv enquanto ele arruma a loiça e trata da comida, outras vezes é o contrário. Não acho que nas gerações actuais esse machismo seja recorrente, as coisas têm sim vindo a mudar.

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  5. Pegando no caso do Mateus, felizmente ele tem uma mãe que lhe diz claramente que os brinquedos existem para quem quiser brincar com eles e que se o Mateus quiser uma boneca, terá uma boneca. Infelizmente, as crianças não têm todas este exemplo por parte dos pais e é aqui que a escola deveria ter um papel mais ativo. As meninas que gostem de futebol, carros ou lutas são vistas, com alguma piada por parte da família, como umas "Marias-rapaz"...já os meninos que demonstrem um certo interesse por bonecas e casinhas já são muito mais massacrados, quase que intimidados a não brincarem com esse tipo de coisas. Isto tem que mudar. É preciso que as escolas passem esta mensagem à criançada. As diferenças existem mas não há uma linha que separe as coisas de menina e as coisas de menino.

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    1. Porque é que a escola devia ter um papel mas activo? E como é que isso se faz realmente? As escolas são feitas muitas vezes de pais e mães. A questão é que toda a gente devia ter esse papel activo. Estamos no século XXI, já está na hora de nos deixarmos de merdas.

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    2. Quando, e refiro-me a casos concretos, a educadora comenta com os pais "Ah, ele brinca muito com bonecas!" ou "Ah, ele ao almoço quer sempre o babeye rosa ou o vermelho e isso são cores de menina!". Não é fantasia. É realidade!!

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  6. Olá Pipoca.
    Concordo totalmente com o comentário.
    Cá por casa o rapaz varia entre os bombeiros, as obras, as limpezas ou as Nenucas. Por vezes vai passear de Nenuca no marsúpio, enquanto a irma mais nova leva a dela no carrinho. Hoje fomos ao café e cada um deles levou a sua barbie.
    O rapaz está habituadissimo a ver o pai e os tios a tratarem dos seus filhos, a cozinhar, para além das tarefas ditas de rapaz, pelo que tudo é levado com a maior naturalidade.
    Quanto aos livros, o que me chateia ainda mais no título, é um ser "para meninas" e o outro "para rapazes" (e não "para meninos").
    MB

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  7. Li muitos cronistas que viram esta questão apenas pelo lado "azul vs rosa" quando o verdadeiro problema estava na discrepância entre os níveis de dificuldade dos exercícios: era bem mais fácil a menina alcançar a coroa do que o menino o barco e isso eu considero grave.

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    1. Aqui está o dito exercício:
      http://cdn.jornaldenegocios.pt/images/2017-08/img_817x460$2017_08_23_17_05_48_316104.png

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    2. Com todo o respeito, viu os blocos na sua totalidade ou somente os dois exercícios que foram postos a circular nas redes sociais? Por acaso um familiar meu tinha os livros para os filhos (exemplares com quase um ano, mas que só agora se lembraram de se indignar) e eu vi, há exercícios mais complexos para rapazes nuns casos, e noutros há labirintos mais difíceis para as raparigas. Entretanto, no sábado estava a ver o governo sombra e nem de propósito o Ricardo Araújo Pereira levou dois exemplares, dissecou-os e ficou toda a gente a saber que afinal o caso não tinha a gravidade que pintaram.

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    3. Fizeram uma comparação em mais de 80 possiveis, um em mais de 80 não me parece que seja suficiente para deduzir que todo o livro era mais fácil para elas do que para eles. Quando finalmente os jornalistas foram fazer o seu trabalho viram que na verdade 6 eram mais difíceis no caso deles e 3 eram mais difíceis no caso delas. Num universo de 80 isso não é nada. Da mesma maneira que por vezes os professores fazem dois testes para a mesma turma e é virtualmente impossível que tenham 100% o mesmo grau de dificuldade.
      Maria

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    4. Era... no labirinto. em outros exercícios as dificuldades invertiam-se, chegando a que no final da análise de todas, os livros tinham basicamente o mesmo grau de dificuldade.

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  8. Eu tenho um menino, com quase 5 anos, e nunca tive essa coisa de brincadeiras ou brincadeiras de meninos ou meninas, ele brinca com o que quiser, e digo já que adora jogar à bola, andar de bicicleta, de lutar,de carros, como adora brincar com bonecas, brincar com a cozinha e supermercado que tanto pediu e nós fizemos lhe a vontade..eu própria quando era miúdo jogava á bola com os rapazes, ao berlinde e a tudo o q os rapazes brincavam e não ligava a bonecas...e cá estou eu ótima.Com essa idade eu quero mais é que o meu filho use de imaginação a brincar e seja feliz e não esteja o dia inteiro agarrado a um tablet ou algo do género.

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  9. Só a distinção de rapazes e raparigas, como se todos os rapazes fossem iguais e todas as raparigas fossem iguais, é um bocado parva. Os rapazes não têm, por instinto ou por natureza, mais apego aos carros e ao futebol. Se há problema em sociedade fazermos essa distinção e formatarmos as crianças por género? Às vezes há. O problema dos tais livros é que as atividades dos rapazes eram imaginativas, eram viradas para a ciência, eram viradas para a criação. As atividades para as raparigas tinham a ver com princesas e cupcakes. Se não vê problema nisto... Eu acho que é um problema, um problema que deve ser criticado e bastante (atenção, censurado nunca).
    Não há mal em dar roupas rosas a meninas e bonecas. Há mal em limitarmos o futuro por standards dos anos 50... E parecendo que não essas escolhas de "atividades" limitam e formatam muito. No mau sentido.

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    1. O que me espanta é que as pessoas não percebam isto que disse no seu comentário. Que há coisas, neste caso as palavras menina e menino associadas a cores e atividades específicas, que têm muito peso nas representações sociais.

      No entanto, o que retiro de mais importante deste comentário é a noção de que dentro do género há diferenças: nem todos os rapazes são iguais, nem todas as raparigas são iguais e isso é que é importante reconhecer, defender e respeitar.

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  10. A Pipoca deixava o Mateus vestir um fato de princesa no Carnaval? Tenho uma amiga cujo filho lhe pediu isso mesmo, e ela não deixou porque sabia que ele seria gozado na escola.
    Eu deixaria uma das minhas fihas vestir um fato de rapaz (Homem Aranha, por ex.) sem problema, mas provavelmente se fosse mãe de um menino teria a mesma atitude da minha amiga pelos mesmos motivos.
    Incomoda-me tanto essa constatação :(

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    1. Por esse motivo é que os meninos que se vestem de princesas ainda são gozados: a castração começa em casa! Até aos anos 30/40 do séc. XX, era impensável uma mulher vestir calças... Tornou-se "normal" porque as mulheres começaram a usá-las, independentemente das críticas.

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    2. Não é uma questão fácil, mas há homens que se vestem de mulheres no Carnaval (e não só) por isso provavelmente deixaria. Tentava prepara-lo era para não ligar aos comentários que fosse ouvir...
      Embora concorde, isto na teoria é tudo muito fácil e bonito

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    3. Na escola onde dou aulas todos os anos pelo Carnaval há meninos que se vestem de meninas e normalmente sao sempre as máscaras mais engraçadas.

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  11. Gostava mesmo de saber o que fizeram as outras 217 editoras que têm livros de atividades/ de dormir/ de aventuras "para rapazes e para meninas". Assobiaram para o lado? Recolheram os livros, assim como quem não quer a coisa, até a chuva passar, não fosse cair-lhes a fava no bolo? As próprias livrarias resolveram esconder os livros?

    -Isto só para atirar mais achas para a fogueira...

    (um) beijo de mulata

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  12. O Ricardo Araújo Pereira encontrou um dos blocos "proibidos" na candonga! As diferenças entre um e outro são um ultraje!! Tenho dito!

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  13. Este tema tem bastante que se lhe diga. Não o da porto editora, que esse é só ridiculo, mas o da igualdade de genéros.
    Eu sou 100% contra a discriminação. O meu filho rapaz me pede para por o baton que eu uso e eu ponho-lhe, claro. Brincamos muitas vezes às maquilhagens. Mas depois o meu marido não acha bem, não por ser machista, mas por ter medo que gozem com ele. Eu sinto-me na obrigação de lhe por o baton, pintar as unhas, dar-lhe bonecas e tudo mais e deixar que ele avalie se é gozado ou não, e se quer ou não continuar a usar essas coisas. Não me vou precipitar a ter medo do que os outros acham. Mas o mais impressionante é mesmo a cabeça das pessoas. Amigos muito proximos meus que me dizem "oh não lhe pintes as unhas, que maldade, isso é de rapariga!" e dizem ao meu proprio filho que ele nao deve pintar as unhas porque é coisa de menina, fico muitooo irritada, e estou constantemente a dizer lhe que se ele quer pintar pode e isso não tem problema absolutamente nenhum.

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    1. Eu não sei a idade do menino mas acho cruel deixá-lo avaliar se os outros o vão gozar ou não. em certas idades eles ainda não têm noção da maldade dos outros e devemos ser nós a tentar precaver essas situações. também não deixo a minha filha vestir certas coisas para sair à rua (por exemplo um vestido velho que ela adora mas está todo estragado)

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    2. Sim anónimo das 15:39, vamos ensinar aos nossos filhos que eles se devem comportar consoante a opinião dos outros. Perfect.

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    3. Uma vez a educadora do meu filho do meio enviou uma mensagem para os pais a dizer que numa determinada actividade que iam fazer era possível que alguns elementos masculinos quisessem pintar as unhas. Quem se opusesse deveria mandar mensagem. Conhecia os pais da turma e achei que a pergunta não fazia sentido (quem é que ia proibir uma coisa tão inofensiva) mas o facto é que quando lhe referi isso ela disse-me que tinha recebido varias mensagens a proibir. Tinham 3 anos... Por isso percebo que lhe digam isso. Eu tenho 2 meninos e 1 menina. Sempre pintei unhas quando quiseram e sempre deixei brincar com bonecas. Chegaram a pedir me para comprar um nenuco e brincaram muito com ele. Levaram no para a escola várias vezes. Nunca tive problemas com a possibilidade de serem gozados. Acho que isso também os prepara para não fazerem a vida em função do que os outros vão pensar. Mas claro que eles são sempre permeáveis às influências fora de casa. A cor preferida de um dos meus rapazes foi o rosa até... ir para a escola. Lá está.

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    4. Sim anónimo das 00:35. vivemos em sociedade e, goste-se ou não, temos de levar com as opiniões dos outros. podemos lidar com essas opiniões de várias formas, mas continuo a achar cruel. Há maneiras de ensinar que a opinão dos outros não nos deve condicionar mas não me parece que uma delas seja deixá-los sofrer nas mãos dos outros. Não sei se têm filhos em idade escolar mas há imensas oportunidades para reforçar essa ideia sem ser preciso sujeitá-los à maldade extrema de certas crianças.

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  14. Cara Ana. E isto. Que seca! A minha filha e toda esteriotipo menina. No carnaval quis ser policia para mostrar aos rapazes que uma menina pode. Tinha 5 anos na altura e, sim, comprei esse fato como compraria um de sereia....

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    1. Se a sua filha fosse um filho e no carnaval quisesse ser a princesa Elsa, faria o mesmo?

      É uma pergunta retórica, já sei que a maior parte diria que sim, que são todos pais muito inclusivos e respeitadores das escolhas dos filhos, mas gostava que me respondessem sinceramente. Se o vosso filho vos pedisse para ir vestido de princesa para a escola, o que é que vocês fariam?

      Não acredito que a maioria não tentasse, mesmo que inconscientemente, mudar as ideias da criança.

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  15. Eu tenho duas meninas, gémeas com 11 anos. Já decorei o quarto de rosa, de lilás, de amarelo e azul. Tentei sempre não me agarrar ao que a sociedade indica mas ao que me apetecia na altura nas roupas, decoração e brinquedos. Depois que começaram elas a opinar e escolher, uma sempre teve tendência para as ditas coisas de menina (bonecas, cor de rosa, lacinhos, vestidos) enquanto a outra tendência para as ditas coisas de menino ( azul, bolas, carros telecomandados, skate, calças, futebol e nada a enfeitar o cabelo). Quando lhe apetece vestir um vestido e emperiquitar-se com fitas e laços também o faz, mas regra geral prefere o mais pratico.. Enquanto a primeira se enquadra bem na sociedade pois tem gostos com o "parâmetros normais", a outra sofre um pouco e eu sofro com ela. Mas luto e ensino-a a lutar contra o estereotipo. Tenho os adultos a dizer "ai se calhar ela vai ser homossexual", " ai se calhar é melhor leva-la a um psicólogo"... E ela leva com os meninos a não a deixarem jogar à bola nos intervalos da escola porque é menina e com as meninas a acharem estranho as preferencias dela... Nada disso é justo e acaba por ser muito cruel para uma criança que apenas quer brincar com o que lhe apetecer e vestir o que lhe apetecer... Pela parte que me toca, ensino-as todos os dias que o importante é sermos felizes com o que gostamos e não com o que os outros gostam para nós. O importante é trabalharmos o nosso coração para ser bondoso, empático, generoso e amigo.

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  16. Eu sou mulher, tenho um cargo de chefia, aqui na empresa há muitas mulheres com cargo de chefia, ganho mais que o meu marido, não me sinto superior por isso, nem ele inferior. Adoro futebol, o meu marido e filho também. Discutimos futebol em casa e o meu filho recorre a mim e ao pai de igual forma, para saber horários de jogos, nomes de jogadores...Em casa o meu filho vê programas de culinária e não pensa que cozinhar e limpar sejam "só" tarefas da mãe. O meu filho vê programas de lutas e filmes de princesas e nunca ninguém lhe disse que isso é coisa de menina. O meu filho brinca com a cozinha da prima e a prima brinca com os carros e os bonecos feios do primo. Ah! E há uma coisa de que me orgulho: em vez de passar as férias a fazer actividades de preparação, não sei exatamente para quê, o meu filho brinca com os outros meninos e meninas.
    cris

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    1. Muito bem! Revejo-me nas suas escolhas e parabéns pelo exemplo que estão a construir na vossa família.

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  17. Concordo com o texto.
    Não vi os livros, vi as capas, que logo me chamaram a atenção, não tanto pelo rosa e azul, que isso para mim é o menos. Não deviam era ter escrito expressamente "menino" e "menina". Isso sim, limita a compra, a escolha.
    Um menino folheia o livro e até pode identificar-se com as imagens e os jogos que lá estão, mais virados para certas atividades, mas ao dizer "livro de menina" vai limita-lo na escolha.
    Por mim poderiam haver dois livros completamente diferentes, com niveis de imaginação, dificuldade e imagens diferentes, desde que não discriminassem, logo à partida, quem "pode" comprar cada um dos livros.
    Quando vamos comprar um carrinho ou uma boneca, em que cada coisa até é culturalmente mais aceite para um ou outro genero, não diz "boneca para menina" ou "carrinho para menino", pois não? Um menino ao comprar uma boneca, pode até sentir o peso do "culturalmente aceite" mas não vem com uma legenda "brinquedo de menina" e isso para mim faz toda a diferença.
    Como vou dizer ao meu filho que pode escolher o livro rosa se lá diz para meninas? Quando diz só para maiores de 12 anos, também não o deixo escolher esse, não é?

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  18. Anónima das 00:30 isso acontece porque socialmente os rapazes não vestem saias nem vestidos e as raparigas vestem todo o tipo de roupa. Mas já quando somos adultos no carnaval e os homens se vestem de mulher são os que mais gargalhadas provocam já as mulheres com um fato de homem ficam a parecer isso mesmo "homens"

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  19. A igualdade de direitos e deveres entre homem e mulher não vai acontecer com base nos desenhos dos labirintos ou das actividades do livro de actividade ou se é mais fácil ou mais dificil, as crianças com esta idade não olham para um labirinto que tenha uma menina e um bolo a pensar "só as meninas é que fazem bolos" ou um menino a pensar "eu não posso fazer bolos" , o que eles vão absorver é se em casa deles ou dos avós e restante familia virem só as mulheres a cozinhar, a arrumar a limpar e os homens no sofá ou só os homens a trabalhar fora de casa e a ganhar dinheiro, ou só os homens é que conduzem,ou só a mãe é que trata dos filhos,etc...isto é o que eles vão absorver que são os exemplos que eles vê e as vidas que eles conhecem

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    1. A questão é que esses aspectos da sociedade e exemplos que vêm de casa ainda são maioritários em Portugal. Não esquecer que Portugal não é só Lisboa, onde é comum haver famílias jovens em que ambos os membros do casal trabalham e partilham as tarefas domésticas e as obrigações dos filhos. Muito do Portugal é o interior, cidades/aldeias mais pequenas, onde essa diferenciação de género está muito marcada. E é com esses exemplos, aliados aos outros tipo publicidade, brinquedos, cadernos de actividades, etc que as crianças vão crescer. Porque se a criança vir esses cadernos, mas tiver em casa um exemplo diferente, é indiferente se se veste de rosa ou azul e se brinca com action men ou com barbies. Mas se não tem em casa esse exemplo e ainda tem as influências culturais todas a "dar razão" ao que vê em casa, vai mimetizar essa realidade na sua vida adulta.

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    2. Anónima das 12:15 eu cresci numa pequena vila do interior norte do pais (e frequentava assiduamente a aldeia dos meis pais a 2km da minha casa) e em minha casa (os meus pais tem agora 70 anos) faziam os dois as mesmas tarefas de casa e ainda hoje fazem e o meu pai cuidou de mim quando bebé e criança tal e qual como a minha mãe e o meu pai sempre me disse que eu podia fazer tudo aquilo que quisesse referindo-se às coisa consideradas de "homem" e ele sempre me levou para todo o lado e ensinou a fazer tudo e sempre disse que que existia diferença de eu ser rapariga ou se tivesse sido rapaz porque eu não tinha problemas em fazer o que quer que fosse. E eu sempre fui super feminina e sou até hoje mas tanto ando de saltos altos e vestido como de calças de ganga, t-shirt e botifarras para fazer o que for preciso e adequado à situação.

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    3. Anónima das 15:25, sou de Lisboa e vivo há dois anos na aldeia do meu marido, no norte do país.

      Aqui, os homens trabalham e em casa são muito poucos os que ajudam as esposas. Vão para o café ou para os tascos. As mulheres também trabalham, mas ainda vão para casa tratar das limpezas, das refeições e dos filhos. Aos sábados é ver estas mulheres a limpar as casas o dia todo, enquanto os maridos estão nos cafés.

      Aguentei dois anos, já avisei o meu marido que no fim do ano nos mudamos para Lisboa, não aguento viver mais nos anos 70.

      Dê graças aos pais que tem, porque pessoas com a idade deles a viver numa aldeia e com essa mentalidade, são raras.

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    4. Anóno«ima mas isso não se divide pela localidade onde mora mas pela mentalidade social, se o seu marido a ajuda ou trabalho agualmente em Lisboa tamb´em o faria na aldeia embora compreenda perfeitamente o que me está a dizer e as influencias sociais qua existem nos meios mais rurais/aldeias onde toda a gente mete o nariz na vida de toda a gente e acha que todos tem que fazer igual. Ah eu não vivo na aldeia nem os meus pais, viveram até sairem para estudar e depois só nas férias, vivem numa vila a 2km da aldeia mas as coisas são mesmo como descreve...graças ba deus que os meus pais viveram sozinhos pelo país fora para trabalharem e que foi isso que permitiufazerem as coisas deles sem dependerem de ninguém. Mas é mesmo como a anónima me está a dizer, eu vivo numa pequena cidade do interior norte e que fica a 10km da aldeia do meu marido e quando ele abre a boca para toca na possibilidade de morar lá eu só lhe respondo "claro que sim mas vais sozinho" é qua além de não haver infraestrutura nenhuma é a "puta da mentalidade" ...e atenção o meu marido faz tudo em casa o quer for preciso.

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    5. Só o facto de as próprias mulheres dizerem que "os maridos ajudam", já se vê a mentalidade!!! Nem o marido, nem a mulher, ajudam! Ambos contribuem para a família e a vida que decidiram viver em conjunto...

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    6. Anónima das 8:53h...haja alguém que me compreende 😁 Viemos para aqui viver devido ao trabalho do meu marido. Vir de férias às aldeias é uma coisa, mas viver aqui...sabe Deus!! Nunca vi tanto azedume como aqui, tanto maldizer, tanta cusquise. E a mentalidade destas mulheres - algumas ainda mais novas que eu (tenho 34) - foi o que mais me surpreendeu pela negativa.

      Uma vez em conversa, a propósito de uma notícia em que um homem tinha sido apanhado a bater na mulher na rua, diz-me uma: ao menos que lhe batesse dentro de casa, que é para não se meterem na vida deles.

      Fiquei sem reacção 😱😵😨😲😳

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    7. É isso anónima das 21:34 (pelo desculpa pelas palavras mal escritas no texto mas escrever no telemóvel muitas vezes dá nisto!!!)

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  20. Eu sou da opinião da Ana, o verdadeiro problema destes livros foi fazer a distinção na capa. O resto já foi tudo dito, tudo mais que falado até à exaustão. Precisamos é de mais pais como os do Mateus neste mundo, de menos gente machista e menos feministas extremistas.

    Os meus pais sempre me disseram que eu podia ser quem eu quisesse, assim como a minha irmã. Quando eu era bebé usei montes de roupas de rapaz, porque a minha mãe tinha herdado e não ia estar a deixar de usar só porque eram "de rapaz". Também tive cabelo curto durante anos e sim, parecia um rapaz. Cresci a gostar de nenucos na mesma, mas também de carros. Quando fiquei com um quarto só para mim escolhi a cor verde para ele, enquanto a minha irmã optou pelo cor-de-rosa. Entretanto cresci e considero-me bastante "feminina", mas principalmente sou pela igualmente em TUDO. Sim, os homens também devem fazer tarefas domésticas (não é ajudar, é fazer tal como as mulheres), mas se for preciso mudar um pneu também serei a primeira a chegar-me à frente.

    Para quem não viu os restantes exercícios, podem ver alguns exemplos aqui: http://www.tvi24.iol.pt/videos/politica/ricardo-araujo-pereira-comprou-os-livros-para-miudos-espertos-e-miudas-estupidas/59a2dce00cf21d6c5360f7a8

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  21. Mas em que momento é que se tornou errado as meninas vestirem rosa e os meninos azul? Qualquer dia não há casas de banho para mulheres e homens para não ferir susceptibilidades...poupem-me! Os meninos podem brincar com bonecas e as meninas com carros, mas que mal têm as cores? Vamos usar todos o amarelo?

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    1. Se quiser saber toda a história (tão recente e tão comercial):

      https://www.amazon.com/gp/product/025300117X/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1789&creative=390957&creativeASIN=025300117X&linkCode=as2&tag=smithsonianco-20&linkId=X74M6IF7XPBLS7NV%22%3EPink%20and%20Blue:%20Telling%20the%20Boys%20from%20the%20Girls%20in%20America%3C/a%3E%3Cimg%20%20data-cke-saved-src=%22http://ir-na.amazon-adsystem.com/e/ir?t=smithsonianco-20&l=as2&o=1&a=025300117X

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    2. Curiosamente, em tempos idos o azul, como cor delicada, era associado a meninas. O rosa, por ser uma cor mais forte, era associado aos meninos. Os anos 40/50 inverteram o caso.

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    3. E qual é o problema se houver casas de banho unissexo? Passei umas semanas na Dinamarca (e na Suécia) e muitas eram assim. A mim fazia-me mais sentido: não havia aquela irritação de estar na fila da casa de banho das mulheres quando a dos homens estava vazia! Assim era - pam pam pam - igual para os dois sexos. E não me venham com tretas: a parte "sensível" das idas à casa de banho é feita à porta fechada, e os homens em casa usam sanitas por isso também têm de saber como se usa sem sujar...

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    4. E qual seria, na verdade, o problema de não haver casas de banho para homens e outras para mulheres? Que diferença faz ter um sítio só para mulheres ou só para homens quando o que lá se faz é igual para toda a gente?! Em casa, homens e mulheres usam a mesma casa de banho, por que é que é necessário espaços públicos terem dois WC's distintos?

      A questão das cores é a mesma questão de tudo o resto: conectam as pessoas, à partida, a uma cor que é a do seu género porque alguém assim se lembrou. Tal como alguém se lembrou que bonecas são para meninas e carros para meninos. Faz com que meninos e meninas que queriam usar a cor ou brincar com brinquedos ditos do outro género se sintam castrados nos seus gostos e desejos. Claro que estas coisas são para ser trabalhadas em casa, mas há sempre preconceito. É essa a questão. Não temos que usar todos o amarelo, mas deveríamos poder usar todos o azul ou o rosa se assim nos apetecer, sem que alguém nos diga que não podemos ou nos gozem. Simples.

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  22. Hahahahahahahahah =D Mt bom este tema... Depois a Investigação na Área da Psicologia / Sociologia ....etc's... Não interessa para nada...Acho bem acho bem...

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  23. A última parte do texto é a que ais interessa.. São esse valores que tento sempre passar ao meu Santiago... Ter o mundo á disposição e que ele decida o que mais lhe agrada...

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  24. O meu filho tem 1 ano e durante o dia fica com a avó (minha mãe), ora apesar de eu comprar alguns brinquedos para levar para a casa dos meus pais ele tem à sua disposição todos aqueles que eram os meus brinquedos, aka: barbies, nenucos...um mundo cor de rosa portanto, lá existe um berço rosa, com lençóis rosa e por aí a fora, porque convínhamos não me fazia sentido ir gastar € apenas por uma questão de cor, portanto não me incomoda nada que ele brinque com bonecas, que viva num pseudo mundo cor de rosa.
    E aqui entra a questão de efetiva entre homens e mulheres, tendencialmente ele não liga aos meus brinquedos que tem a disposição, no limite são peluches que ainda lhe chamam à atenção, o resto passa-lhe ao lado e gosta mesmo é de pular e explorar outras coisas (leia-se fazer asneiras lol), aqui tenho o exemplo mais puro de que esta questão não deve ser imposta por ninguém, muito menos a sociedade nesta vontade louca de linearizar tudo!

    Do que vi dos ditos cadernos, o exercício do labirinto efetivamente tinha mais complexidade no caderno azul, no entanto, existiam igualmente exercícios no caderno cor de rosa que eram mais complexos do que os exercícios similares no caderno azul.

    Conclusão: isto é definitivamente um não tema!

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  25. Quando a primeira criança da família, ainda estava dentro da barriga, ofereceram-lhe uma bola - era menino. Este menino cresceu e não gosta de futebol, nem basket, nem andebol, gosta de ciência e de matemática e de nadar.
    Quando foi a minha vez de engravidar e tendo descoberto que era uma menina, imediatamente disse à família que era proibido oferecer roupinhas cor de rosa (por uma questão de gosto pessoal), então, enquanto a minha filha crescia as pessoas achavam que era rapaz só porque não usava cor de rosa, a menina cresceu e só quer cor de rosa para tudo!
    A lição que aprendi foi simples, as crianças fazem a sua própria seleção natural.
    Tenho agora um menino, que usa cor de rosa, tal como o pai, e não é que a miúda andou a gozar um menino na escola porque levou uma t-shirt dessa cor? Ela tem o exemplo contrário em casa! A força dos pares em determinadas idades tem muito peso, mais do que todos os valores de respeito e igualdade que lhe possamos incutir. Usar cores ou brinquedos como o alerta para a discriminação sexual é desviar o cerne da questão, eu li imensos livros da Anita e isso não me reduziu como mulher, tenho um pai sexista e isso nunca me impediu de ter livre arbítrio e reivindicar iguais direitos relativamente ao meu irmão. O investimento deve ser feito na educação, na cultura, quanto mais esclarecido é o indivíduo mais livre é para tomar decisões, o caminho é longo mas na minha opinião a excisão feminina, as violações em massa, são bem mais preocupantes do que as cores ou actividades de um livro. É a hipocrisia reinante do, estamos muito preocupados com isto aqui à beira de casa, mas o trabalho infantil e as mulheres forçadas a casar e a sair da escola, já não interessa porque é muito longe daqui ...
    Poupem-me

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    1. Muitas pessoas preocupam-se com tudo isso, mas conhecem os limites da sua potencial ação. Eu não posso (a menos que decida dedicar a minha vida a essa causa) dar um contributo relevante para acabar com o casamento infantil. Mas posso contribuir, no meu país, para o incremento da igualdade de género, através da educação, debates, etc. Da mesma forma que me preocupa o bem-estar animal e, não podendo salvar os animais que estão à espera da morte no matadouro, faço o que está ao meu alcance, não comendo animais. Fazemos o que podemos, e isso não significa que "só" nos preocupemos com essas coisas.

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    2. As mulheres/crianças forçadas a sair da escola e a casar não estão tão longe assim, estão nas comunidades ciganas ao nosso lado. Infelizmente (mas não por acaso) os eternos "indignados" com estas questões supostamente sexistas, são os mesmos que defendem com unhas e dentes a idiossincrasia dessas comunidades.

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  26. Concordo com tudo o que escreveu, Ana.
    Não tenho filhos, mas já fui criança. Sempre brinquei com tudo! Joguei à bola com os rapazes, brinquei com Action Men, às escondidas, com carros, pistas, aos berlindes na terra e apesar de não ter irmãos tenho um primo da minha idade com quem sempre brinquei com panelas aos cozinheiros, com bonecas e barbies, ao "faz de conta", etc... Nem por isso me tornei menos feminina... e nem por isso o meu primo se tornou mais feminino. Nunca os nossos pais nos disseram que era errado brincarmos juntos ao que quer que fosse, com o que quer que fosse. Tive uma infância feliz e completamente normal. Acho completamente natural as crianças brincarem com o que quer que seja, como também acho que é completamente natural termos mais vontade de brincar com uns brinquedos do que outros.
    Não há pachorra é para radicalismos.

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  27. -Ó mãe deixa me vestir soutien! -Já te disse que não! -Oh mãem vá lá, quero levar soutien pra Escola...! -Já te disse que não podes, João Pedro! lolll

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  28. Quando li a noticia pensei..."PÁRA TUDO!!!!" Que mãe horrível sou eu que permiti que a minha pequena L. de 3 anos tivesse aquele livro cor de rosa que diz "MENINA", o pensamento seguinte foi de puro alívio, porque me lembrei que foi uma oferta e não fui eu que o adquiri :), nos milésimos de segundo que se seguiram só me vinham lembranças da utilização do pequeno livro, nomeadamente nos momentos que passei com a minha filha a fazer os pequenos exercícios de entretenimento (refira-se, porque a pequena só tem 3anosss)de como ela gostava de pintar o livro com aguarela, e da preocupação de não esquecer o pequeno objecto quando íamos jantar fora pois a L. lá se entretia uns minutinhos nos riscos e rabiscos. Por momentos percebi que no nosso universo não tivemos sequer consciência que existia um livro para "MENINOS" que seria mais ou menos sugestivo... porque a minha filha tinha aquele, e era com aquele que brincava, e porque um dia a minha filha terá os valores que eu lhe irei transmitir, nomeadamente o respeito pelo outro, independentemente do género, e que as "coisas" só têm o valor que nós lhes damos, pois são só "coisas"... Achei que com tanto problema neste pais, isto foi somente ridículo!!! P.S: só depois reparei que o livro era dos 4 aos 6, aí quase cortava os pulsos... Ahahahahah

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  29. Eu sou mãe do típico casalinho. Tenho uma menina mais velha e um menino mais pequenino. Penso muitas vezes na sorte que teve ele por ser o 2º filho. É que se a sociedade ainda tolera e acha piada a uma menina que tem carros de bombeiros e ferramentas (como a minha filha tinha, tal como tinha outros brinquedos), já é muito mais dura com os meninos que gostam de "coisas de menina". O meu filho, obviamente, tanto brinca com as coisas dele como com as coisas da irmã. Tem preferências nítidas: dinossauros, patrulha pata, carros, construções and so on, mas brinca muito bem com bebés e cozinhas e pequenos póneis e pinypons e tudo. Apesar de ouvir comentários idiotas, tem a sorte de ter uma irmã mais velha (e uma priminha quase da idade dele) e portanto vai escapando com menos comentários porque está a brincar com o que há em casa, obviamente, ou está a participar nas brincadeiras da irmã ou da prima.
    Ainda assim há comentários desagradáveis... perfeitamente escusados, claro.
    Numa nota adicional, a indústria tem imensa culpa no cartório. Estão a impor cada vez mais a diferenciação porque isso implica comprar o dobro das coisas. Certos produtos tento comprar de cores neutras para dar para os dois mas nem sempre se consegue. Por exemplo, ela teve um potinho musical que lhe foi oferecido. Havia em azul e rosa e claro que veio em rosa. O irmão usa-o sem problemas nenhuns (era o que mais faltava gastar dinheiro numa coisa que se deixa de usar tão depressa por causa da cor) mas sei que há muito quem vá a correr comprar de outra cor porque um menino não pode fazer xixi num pote cor- de rosa... chegaram a oferecer-me lençóis de alcofa azuis porque eu disse que ia usar os que tinha que por acaso eram rosa. como se um bebé de dias se importe alguma coisa com a cor dos lençóis...

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  30. concordo completamente ! Na minha altura, eu so brincava as barbies com os a meus primos que eram todos rapazes !
    A conta disto tambem jogava a bola, visitava casas abandonas e montava uma cabana nas arvores com eles !
    E nao sou menos mulher por isso ! So soube foi pregar um prego mais cedo ! bem pratico !!!

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  31. Ana, pode ler este artigo e dizer-me se mantém a sua opinião em todos os pontos (e podem acalmar-se os defensores da honra, este comentário é para ler mesmo com um tom neutro. Li o artigo e achei que levanta uma perspectiva interessante... É SÓ ISSO #eusouteampipoca #acalmemoscaesdefila):
    http://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/colunistas/bruno-faria-lopes/detalhe/os-cadernos-e-as-cadernas-do-nosso-descontentamento

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    1. Li o artigo, este e muitos outros que foram escritos sobre o assunto e mantenho a minha opinião.
      Recomendar a retirada dos livros é o primeiro passo para o que se refere no artigo que está a acontecer noutros países.
      Decretar mudanças sociais não funciona, e apagar a história também não

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    3. Ninguém decretou nada...

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  32. Muito bem! 1a explicação/opinião com que concordo plenamente! Anda tudo "à cata" de alguma coisa para dizer mal! Parece que está td para rebentar a
    qq momento. Irra!

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  33. Rapaz e menina. Começa logo aí.

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    1. Pois é... seria melhor evoluirmos, e passarmos a designar um ser em gestação ou recém nascido de "pessoa" ou "criatura", porque as diferenças físicas e psicológicas que persistem desde os primórdios da espécie humana e da maioria dos seres vivos, podem só porque sim, alterar-se a belo prazer dos indivíduos do sec. XXI! 😂😂😂

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    2. Pessoa, ou é menino e menina, ou rapaz é rapariga. Se é para a mesma faixa etária, não se percebe porque é que um é "Bloco de Atividades para Meninas" e o outro é "para Rapazes". Percebeu?

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    3. Anón 9:40h, a falta de entendimento da questão "blocos de atividades PE" rosa e azul, menino/menina não é extensiva a todos, eu pelo menos consigo entendê-la como estratégia de maximização de vendas e de tornar o produto mais apelativo, embora possa ter sido mal conseguida e alvo de muitas críticas! Entenda se quiser... 😉

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    4. Sr ou sra, isso eu percebo. Mas essa não é a questão do primeiro comentário. A questão é porque razão, dentro da faixa etária em causa, as crianças do género feminino são meninas e as do género masculino são rapazes.

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    5. Tanta redundância... Já não se aguenta... 😛

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    6. É redundante, são ninharias, são não questões. Eu sei que foi uma estratégia de marketing, tanto os dois livros, como o uso de rapaz e não de menino. Também sei que só compra os livros quem quer e que há centenas de alternativas para todos os gostos.

      Mas são estas coisas mínimas, estas subtilezas, que têm um peso enorme nos nossos constructos sociais e que as pessoas teimam em não querer ver. Tudo bem, continuemos a encolher os ombros.

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  34. Tanto blábláblá estragado....Queria ver estas mães tão "à frente " com os seus " mateus" a pedirem barbies no natal ou um quarto com papel parede rosa aos laçinhos. Fonix, tanto falso moralismo!

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    1. Concordo, são todos apologistas de expressar a opinião "politicamente correcta"!
      Para não ferir susceptibilidades é melhor juntar-me ao coro, ao rebanho, ao people 😀!
      Pessoalmente, não tenho qualquer pudor em afirmar que jamais deixaria um dos meus filhos pequenos ir mascarado de Barbie ou princesa para o colégio, ou
      comprar-lhes estojos de maquilhagem, incentivá-los a vestir saias, colocar batom ou rímel..., usar acessórios de menina etc... O que não invalida que brinquem quando e o quanto quiserem com bonecas, peluches, casinhas , cozinhas, eletrodomésticos, tachos panelas , etc, toda uma imensidão de brinquedos a que todas as crianças deverão ter acesso por forma a poderem tornar-se adultos conscientes da necessidade de partilha das actividades domésticas. 😉

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  35. Percebo o conceito. É de pequenino que se torce o pepino. Para banir as desigualdades de géneros há que promover a sua igualdade desde a raiz. Mas temo que todos esses valores, embora justos e correctos, possam vir a ser um problema para o desenvolvimento do pequeno Mateus. Não é que atitude da Pipoca esteja errada ao querer estimular uma visão mais aberta da parte do seu filho, mas de nada serve atribuir-lhe bons valores se as mães (ou pais) dos outros meninos e meninas não fizerem também o mesmo. Seria querer ensinar um filho a remar contra a maré. Sabemos como o mundo das crianças é maravilhoso mas também sabemos como ele pode ser cruel. Um menino ao ser ensinado a não fazer diferenças entre um carro e uma boneca na hora de brincar pode muito bem ser estereotipado ou marcado pelos outros miúdos por preferir brincar com uma boneca do que um carro. É triste mas é verdade. Todos nós gostaríamos que o nosso filho marcasse a diferença e fosse um exemplo para todos,mas ninguém quer que a sua "diferença" faça dele uma vitima. Assim, tão importante como ensinar-lhe bons valores é também ensiná-lo a saber proteger a sua imagem para que ele não seja motivo de gozo e não tenha que sofrer por causa disso.

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    1. Subscrevo na totalidade !

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    2. Bom, respeito a sua opinião mas discordo, pela minha experiência (3 filhos) acho que se os ensinarmos a seguir os seus valores, ainda que possam ser diferentes dos demais e se ajudarmos as crianças a crescer com uma auto-estima em níveis saudáveis esse possível gozo das outras crianças vai esbarrar na perfeita indiferença da nossa criança e vai ser extremamente educativo para quem gozou. Atenção que essa auto-estima saudável não é espontânea na maioria das crianças, dá muito trabalho. E trata-se de auto-estima e não de arrogância. E já agora pergunto os meninos não vão ser pais e as meninas não vão conduzir? Então a distinção de brincadeiras tem de existir exatamente porquê? Não percebo.

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    3. Anónimo (01:25),

      Afirmou discordar da minha opinião mas depois de ler o seu comentário fiquei sem saber qual a parte que motivou a sua discórdia. Nada do que disse fere a posição que assumi. E ajudar as crianças a crescer com uma boa auto-estima não segue o mesmo enquadramento do "ensiná-las a saber proteger a sua imagem"?
      Tudo o que você disse está perfeitamente certo mas quero ainda assim fazer apenas uma pequena ressalva. Na idade do pequeno Mateus, não existe crianças "indiferentes". Todos querem ser iguais e ser bem aceites pelo grupo. Ninguém quer sentir-se de fora.

      Agora, porque existe a distinção de brincadeiras entre os rapazes e as raparigas? Por um motivo muito simples. Chama-se generalização de gostos por género. Ainda que possa haver algumas crianças com um pensamento "diferente" no mundo, na generalidade os meninos sentem-se instintivamente atraídos por armas, carros e aviões (até em adultos é assim) e as meninas são instintivamente atraídas por artefactos que revelam um maior grau de sensibilidade como é o caso das bonecas. Podemos tentar "moldar" a mentalidade de uma criança mas ninguém consegue mudar a sua natureza. Como tal, as empresas que exploram o mercado económico não vão tentar alimentá-lo com produtos ligados às necessidades de uma minoria de pessoas, mas sim focar-se nas preferências da maioria (na generalidade) pois caso contrário iam entrar todas em situação de falência.

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    4. Eu explico. Por exemplo:
      "mas de nada serve atribuir-lhe bons valores se as mães (ou pais) dos outros meninos e meninas não fizerem também o mesmo. Seria querer ensinar um filho a remar contra a maré."
      Não condiciono a educação que dou aos meus filhos pelos valores da maioria dos pais ou pelo que a maioria dos pais ensina aos filhos. Mesmo que, se necessário for, tenham de remar contra a maré.
      "Um menino ao ser ensinado a não fazer diferenças entre um carro e uma boneca na hora de brincar pode muito bem ser estereotipado ou marcado pelos outros miúdos por preferir brincar com uma boneca do que um carro."
      Não me parece que tenha de ensinar aos meus filhos quais as brincadeiras do seu género, concordo que há tendências normais definidas pelo género, pela personalidade etc, mas são naturais não terão de ser "ensinadas". Da mesma forma que não digo aos meus filhos rapazes, brinquem com bonecas para marcarem a diferença, também não lhes digo que não podem brincar com bonecas porque podem ser gozados ou que bonecas são brinquedos de meninas. Deixo-os brincar com o que quiserem.
      Sobre o serem aceites pelo grupo acho que isso não é uma preocupação das crianças muito pequenas (se for penso que será uma preocupação introduzida pelos adultos que a rodeiam) e quando crescerem mais um bocadinho (e isso ,naturalmente, passar a ser importante) se forem ensinados a respeitar a diferença das outras crianças também lidarão bem com as suas próprias diferenças (quando for caso disso) em relação aos demais. E nisto acho que a auto-estima tem um papel fundamental. Os bullers são invariavelmente crianças/adolescentes com baixa auto-estima. Não têm de ser diferentes só porque sim mas têm de se sentir confortáveis para, quando for caso disso, serem diferentes. Isso pode protegê-los quando, por exemplo, estiverem num grupo de adolescentes prestes a fazer um disparate com o qual eles até nem concordam. Será que vão atrás do grupo com medo de serem gozados ou farão o que acham ser certo e terão estrutura para marcar a diferença? Eu acredito que a educação que damos aos nossos filhos pequenos tem um alcançe maior do que aquele que à partida possa parecer.

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  36. Ola Pipoca.
    Sou leitora assidua do blog e nunca costumo comentar mas hoje adorei o post e achei pertinente faze-lo.
    Trabalho na McDonald's como hospedeira tal como milhares no pais (a minha funcao em concreto destina-se ao acolhimento dos clientes e tratamento de tudo o respeita o Happy Meal, muito resumidamente) e a questao de diferenciarmos os bonecos nem se deveria ter colocado. Primeiro porque se tratava de uma questao de organizacao e depois porque nunca nenhum de nos se recusou a trocar o boneco se um menino quisesse um "destinado as meninas" ou vice versa. Alias agora que temos coleccoes "unisexo", como a actual, as pessoas continuam a insistir na distincao quando nos pedem os bonecos "ai, ponha um de menina por favor".
    Por favor compliquem menos. As diferencas nem sempre sao negativas. O fundamental e o respeito.
    Um beijinho.
    You go Pipoca!!
    J. C.

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    1. J.C., mas a questão não se trata de combater a diferença, muito pelo contrário. É aceitar a diferença e compreender que dentro de cada género há também diferenças. É compreendermos que nem todas as meninas preferem a kitty, nem todos os meninos preferem o homem aranha. E designar a kitty como boneco de menina ou o aranha como boneco de menino é, isso sim, limitar a diferença.

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  37. É importante que ocorra o debate, mesmo com os disparates ditos e escritos, pois é assim que se chama a atenção para o que passa despercebido e é incutido nas cabecinhas das crianças. Nem todas - aliás, muito poucas - vêm de lares onde os pais são esclarecidos e educam sem preconceitos. Outra coisa - as crianças são muito sensíveis à opinião dos pares, portanto, uma menina ou menino que queira o "livro do sexo oposto" talvez sinta constrangid@ ao comprá-lo, porque sabe que os amiguinhos vão dizer algo desagradável.
    Enfim, um erro básico de posicionamento de produto num mundo ocidental em que a discussão sobre todas as questões de género estão em pauta. Bastava que chamassem os livros de "livro das princesas" e "livro de aventuras" que se safavam.

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  38. O meu modesto contributo para esta "não questão", que vale o que vale...,Tanto sururu... num estádio civilizacional que se diz e pretende evoluído, pura e simplesmente devia-se relativizar e não dar importância a mais uma estratégia de marketing consumista da Porto Editora, foi somente uma forma de "apelo à compra", e existem bem piores, mais agressivas e creio, bem mais prejudiciais!
    As pessoas ofendem-se por tudo e por nada... Sou defensora da uniformização dos brinquedos e brincadeiras, é óbvio que todas as crianças no reino do faz de conta, devem dar asas à sua imaginação...No entanto, diferente da aceitação, respeito, e amor incondicional que devemos ter para com a orientação sexual dos nossos filhos, é fomentar desvios comportamentais desde tenra idade, facultando maquilhagens e acessórios femininos a um filho de sexo masculino, ou por exemplo,espuma de barbear e gilletes a um filho de sexo feminino! Independentemente de um indivíduo se identificar com um ou outro sexo, poderá continuar a aparentar pertencer ao género de origem. Qual a necessidade de um homossexual só porque se sente homem ou mulher, querer transformar-se "fisicamente" naquilo que não é! Basta sê-lo e ser-se feliz. 😉

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    1. Perdão, de onde veio a conversa da homossexualidade e em que é que isso se relaciona com o que está a ser falado aqui? Isto é que foi um salto no raciocínio...

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    2. Anónimo03 setembro, 2017 13:31 esta a trocar alhos por bugalhos... fala-se de diferenciacao de tratamento rapaz/rapariga. o problema dos livros é associar as raparigas elementos domesticos e o mundo ao rapazes e o titulo em si rapazes versus meninas. n sou grande croma a portugues, mas deveria ser rapazes / raparigas.

      o sururu é grande parte da sociedade continuar a achar q quem nasce mulher é menina e domestica o mm se aplica a achar q tds os rapazes nasceram par andar a pedrada e matar lagartixas. ninguem fala em mudar de sexo, ninguem fala em forcar uniformazicao a ninguem, fala-se em dar-lhes igualdade, igualdade em sonhar, igualdade em desenvolvimento, etc.

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    3. Anón(12:55h):
      para quem foi tão rápido a denunciar a falta de discernimento("trocar alhos por bugalhos")do anón (13.31h), curiosamente denota
      possuir uma perspectiva desatualizada da nossa sociedade, bem à época
      dos "afonsinhos"...Acha mesmo que grande parte da sociedade atual continua a considerar que "mulher é menina e doméstica, e os meninos nascem para andar à pedrada a lagartixas?!?, tão, mas tão à 60'/70'!!!
      Será conveniente investir numas sessões de LP(essa construção de frases!), e "cromos", só mesmo aqueles que se colecionavam...
      Já agora, para além do princípio da igualdade, existe um outro deveras importante- O da Liberdade(de expressão, de opinião, etc)que deve ser respeitado, ou seja, cada um é livre de opinar como bem lhe aprouver, de relacionar assuntos, como parece ter sido o caso...
      Por último, não sou o anónimo acima, cujo comentário considero tão válido como a maioria dos aqui vertidos...:)

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  39. Quero só ver se vai achar tudo tão normal quando o Mateus pedir para ir para a escola de saltos altos...

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  40. O meu filho de 3 anos (quase 4) também se queixou que no colégio, a auxiliar B. não o deixava brincar na cozinha. Achei estranho e perguntei diretamente à B. porque é que o meu filho não podia brincar na cozinha e tinha de ficar confinado à garagem. Resposta: "mãe, ele pode brincar à vontade na cozinha. Só o mandei parar porque ele estava a bater com a frigideira na cabeça dos amigos.." um buraco para me enfiar sff :-)

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  41. ACHO TAO ENGRAÇADO , QUEREM IGUALDADE , MAS DEPOIS SE TEM QUE IR AO WC DOS HOMENS É UM HORROR , NÃO SE SUJEITAM A UM EMPREGO DOS DITOS QUE SÃO PARA HOMENS , COMO CARREGAR GAS AS COSTAS PARA DISTRIBUIR , OU LIMPAR FOSSAS...POIS ISTO EXISTE E QUEM OS FAZ SÃO HOMENS PORQUE AS MULHERES ESTA QUIETO.HÁ HOMENS E MULHERES QUE SÃO DIFERENTES POR NATUREZA NÃO ENTENDO ONDE ESTÁ A DISCRIMINAÇÃO POR HAVEREM CORES OU COISAS DIFERENTES PARA AMBOS.

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    1. Isto é piada? Ou está por aí alguém com 80 anos? Já agora, desligue o caps. É só carregar numa tecla.

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  42. Estas coisas da igualdade de géneros são levadas ao extremo esquecendo uma coisa importantíssima. Os rapaz têm uma pilinha e as meninas um pipi. Quero com isto dizer que são, de facto, diferentes, por muito que nos vendam a igualdade. Tudo o resto é esconder o sol com a peneira. Há um lobby poderosíssimo que quer fazer com que sejamos todos iguais, mas não somos.

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    1. Antes pelo contrário. Há um lobby poderosíssimo que nos quer fazer diferentes desde o berço porque dá mais lucro (compra-se o dobro da roupa, dos brinquedos, dos pratos da papa, etc). Depois interessa que sejamos diferentes, para termos as mulheres em casa sossegadas a gozar a licença de maternidade e não meterem ideias malucas na cabeça dos pais, como irem acompanhar as consultas de grávida, ou, pior, gozarem eles a licença e andarem os dois a faltar ao trabalho. Esta "conversa" da igualdade não é linear nem é só para beneficiar as mulheres. Somos todos diferentes mas não é por causa de nascermos com uma pilinha ou um pipi.

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    2. Mas não somos diferentes desde o berço?
      Um pai acompanhar a mãe a uma consulta de grávida é uma ideia maluca? Querer estar ao corrente do estado da gravidez ou ver o bebé na ecografia é uma ideia maluca???!!!

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    3. "Somos todos diferentes mas não é por causa de nascermos com uma pilinha ou um pipi."
      Esta é a resposta à sua primeira pergunta.
      Quanto ao resto, o anónimo das 16.44 estava a ser irónico.

      Anónimo das 16:44 gostei das suas palavras, poucas vezes há quem compreenda que a luta pela igualdade não é apenas para benefício das mulheres, mas também dos homens.

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  43. A deixar de ler a Capazes em 3,2,1... já não aguento tanto feminismo fundamentalista. Com esta história dos livros então, foi tudo levado ao extremo. Enquanto mulher, perdi a paciência, nem tãopouco me identifico com a maior parte dos textos que por ali circulam.

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  44. Ai, minha querida Pipoca, QUE BOM ler este post, subscrevo cada palavra. Foi a opinião mais sensata que já li relativamente a este assunto. Eu educo a minha precisamente da mesma maneira neste assunto, tem roupa azul, rosa e cheia de brilhantes e bonecada (ESCOLHIDOS POR ELA que eu cá odeio essas piroseiras), tem carros, ferramentas, espadas, nenucos e uma cozinha de brincar. Tem aquilo que vai pedindo e gosta. Haja pachorra para este extremismo todo, eu concordo que independentemente de haver dois livros com bonecada diferente o conteúdo educativo devesse ser o mesmo, concordo que aquele "para rapazes" e "para meninas" é que estava ali mal, mas gerou-se uma tempestade num copo de água por causa de UMA página. Enfim. O livro ter saído do mercado assusta-me, isso parece-me quase censura, mas pronto. Palmas para ti, sem dúvida.

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  45. http://observador.pt/especiais/azul-para-os-meninos-e-cor-de-rosa-para-as-meninas-nem-sempre-foi-assim/

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  46. "gente que se empregasse um terço da capacidade de indignação que empregou neste caso para discutir assuntos realmente importantes faria com que o país andasse para a frente em três tempos." Está tudo dito!!

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