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O fim do piropo ou o princípio do respeito

terça-feira, dezembro 29, 2015
A notícia chegou ontem e caiu como uma bomba: "Piropos já são crime e dão pena de prisão". Os homens ficaram transtornados, as mulheres bateram palmas. Já eu achei os títulos falaciosos/sensacionalistas e acho que metade das pessoas que vieram manifestar-se nem sequer se deu ao trabalho de perceber o que é que, de facto, mudou. Vamos começar pelo princípio. Para já, a lei foi alterada em Agosto, mas só agora é que se deu pela coisa. Depois, dizer que "o piropo é crime" parece-me manifestamente exagerado. O que é crime são propostas de teor sexual (para ambos os lados). Obviamente que aqui entra em causa aquilo que cada um considera ser um piropo, e aí talvez já não possamos contar com o discernimento de alguns homens. Ontem eram muitos os indignados que perguntavam "então mas agora já não posso dizer a uma mulher que é bonita?", "já não posso dizer "ainda dizem que as flores não andam?", "já não posso dizer "a tua mãe deve ser uma ostra, já que tu és uma pérola?". Eh pá, se quiserem muito, se acharem que isso vos vai trazer sucesso junto do mulherio, então força, não será por isso que irão bater com os ossos na prisão, na loucura levam com um olhar de desprezo, nada a que não estejam já habituados. O que não vão poder dizer é "comia-te toda". Ou "faz-me um broche". Ou "ó flor, dá para pôr?". Ou qualquer uma dessas ordinarices ofensivas e constrangedoras que alguns homens acham que podem dirigir a uma mulher, sabe Deus porquê. Eu juro, mas juro mesmo, que adorava saber quantas vezes é que um homem se saiu com uma dessas e se safou. A sério, que mulher é que caiu de amores por um homem que lhe disse qualquer coisa como "o teu pai deve ser arquitecto para te ter desenhado um cu desses"? Os homens dizem merdas destas porque acham que podem, porque acham que é um direito que alguém lhes facultou. E também para sentirem um qualquer poder que ninguém lhes deu nem encomendou. 
Fiquei surpreendida ao ver que alguns amigos que considero inteligentes ficaram muito indignados com esta nova lei. Lá está, acho que não perceberam bem o que está em causa. Desconhecia que eram os reis do piropo. Parece-lhes uma coisa ridícula, exagerada, mas qual é o mal de se lançar um piropo a uma mulher? E qual é o mal de não se lançar? Qual é o mal de ficarem calados? O que é que ganham em atirar um comentário a uma desconhecida? Que coisas positivas acham que vão sair daí? Mesmo que achem que o piropo até é "fofinho", a probabilidade de deixarem uma mulher constrangida e desconfortável é bastante elevada. Posto isto, abstenham-se, não abram a boca. Vão ver que apreciar uma mulher em silêncio é infinitamente mais bonito. 

72 comentários:

  1. Muito bem dito pipoca! Concordo plenamente

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  2. Não tenho nada acrescentar!

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  3. Apoiado. Quando li a notícia lembrei-me logo de quando ainda andava na escola preparatória e de ficar chocada ao ouvir verdadeiras barbaridades ao passar ao lado dos clássicos trolhas e eu, na minha inocência de então, nem saber o que tais palavras significavam mas agora que me lembro, é de uma tamanha violência meninas ouvirem certos termos de homens feitos, adultos e que deviam ter vergonha por assediarem crianças... Já é tempo de se acabar com estas práticas quase medievais.

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    1. Verdade... Eu chegava a evitar passar em certos sitios, morria de vergonha. Isto porque dei o "pulo" muito cedo e c 10 anitos já tinha corpo de 16!

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  4. Acho piada que só falam das bocas ditas por homens! E as ordinarices ditas por mulheres? Todas as peças dos telejornais mostram mulheres na praia em biquíni e porquê que não mostram homens? As mulheres também mandam piropos!!!

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    1. Acredito que sim, mas em 34 anos de vida nunca assisti a tal coisa.

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    2. Também nunca assisti a tal coisa. E é um contexto completamente diferente, já que a mulher, enquanto vítima (normalmente de um ou mais homens que a abordam) estará sempre numa posição de inferioridade por ser fisicamente mais fraca, por isso, tem de "ouvir e calar", enquanto que um homem numa situação dessas não se deve sentir tão desconfortável porque pode replicar e saber que se a coisa descambar está numa posição vantajosa.

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    3. E onde é que está escrito que a lei só se aplica aos "piropos" que os homens mandam às mulheres?

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    4. Ninguém falou da lei mas sim das peças dos telejornais que só mostram mulheres como vítimas de piropo! Não coloquei em causa o que a pipoca disse nem a lei mas sim os jornalistas!

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    5. Dizer que as mulheres não mandam piropos ou insinuar tal coisa é o mesmo que dizer que só os homens abusam sexualmente.

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  5. Subscrevo inteiramente o que disseste. Nunca entendi como, com certos piropos, se pode julgar que se conquista alguém. Enfim.
    http://avidaeueocloset.blogspot.pt

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  6. Concordo totalmente contigo. Os homens que vi indignarem-se com este assunto, nem me parece que sejam os que fazem normalmente esses comentários. Acho que se estão a referir a situações em que, como por exemplo, numa discoteca, num bar, nas ruas do Bairro Alto, calha conhecerem ou falarem com uma rapariga e "mandam uma boca" mais atiradiça e dá-se uma espécie de flirt de ocasião, às vezes até mútuo.

    Muito diferentes são estas situações em que uma mulher vai simplesmente a andar na rua e é abordada por desconhecidos, do nada, para lhe dizerem coisas ordinárias. Eu ando imenso a pé por Lisboa e praticamente todos os dias sinto isso, desde carros a buzinar e tipos a mandar beijos ou a fazer barulhos pelas janelas, homens que não de desviam de nós no passeio, fazem por passar perto e sussurram uma porcaria qualquer, tipos de obras/jardineiros/cenas de mudanças/etc, que costumam andar em grupo e estar em grupo na rua e se põem perto de nós quando passamos e comentam porcarias entre si, etc. É um nojo e já falei disto com amigas minhas e todas sentem o mesmo! Às vezes homens que tinham idade para ser nossos pais ou avós, é asqueroso.

    Esses tais homens que criticam esta lei, claramente não estão a pensar nestas situações, estão a pensar em situações de "engate" normais que acontecem de forma natural e espontânea. Porque tenho a certeza que se qualquer um deles visse as suas namoradas/mulheres/irmãs/mães/filhas a passar por uma situação como as que relatei, até achavam esta lei era branda de mais!

    Acho que a aplicação desta lei será difícil, até porque a maioria dos polícias é homem e devem gozar um bocado com a situação e não levar muito a sério se alguém lhes dirigir uma queixa. Mas se uns quantos desses tarados tiverem que prestar declarações à polícia ou mesmo ir a tribunal por causa disto, a humilhação e transtorno que isso lhes causará já será bem merecida e fará se calhar com que pensem duas vezes quando decidirem expressar a sua frustração junto da próxima mulher que passa (sim, porque essas frases e abordagem para mim só demonstram a frustradice de quem as profere) e já terá valido a pena.

    Penso que na aplicação da lei nunca ninguém irá realmente preso, quando muito condenado em multa e, se lhe aplicarem pena de prisão, será suspensa pelo juiz. E também acho que um crime que já existia, o de importunação sexual (artigo 170.º do Código Penal), já cobria estas situações: "Quem importunar outra pessoa, praticando perante ela atos de carácter exibicionista, formulando propostas de teor sexual ou constrangendo-a a contacto de natureza sexual, é punido com pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa até 120 dias, se pena mais grave lhe não couber por força de outra disposição legal."

    Mas pelo menos tem-se falado deste assunto e acho que isso é positivo!

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    1. Concordo completamente ;)
      Ana

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    2. Essa é a nova redação do artigo, a que está a dar que falar. A anterior não contemplava as "propostas de teor sexual", apenas o exibicionismo e o contacto de natureza sexual.

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    3. Sou quem comentou originalmente e acrescento: não me tinha apercebido que esta "nova lei" era na verdade um aditamento ao artigo do Código Penal que referi. Foi aditada a expressão "formulando propostas de teor sexual". O que eu quis dizer foi que achava que a anterior redacção já permitia aplicá-lo a estes casos, mas com este aditamento ainda fica mais claro e expresso que assim é!

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  7. Eles não dizem os disparates que dizem, os piropos, para se safarem.
    Aliás, raramente são homenzinhos para dizerem sozinhos, é sempre em grupo.
    O que fazem é simplesmente bullying, é uma maneira de intimidar e envergonhar.
    Eu acho muito bem, estamos numa sociedade e a liberdade de dizer disparates acaba quando se torna ofensiva para as outras pessoas.

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    1. Talvez a melhor explicação para o piropo.

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  8. E as pérolas argumentativas dos homens que se sentem lesados? Ui que matéria para rir... ou não.
    Partilho convosco algumas dessas pérolas que me fizeram refletir um bocado: http://www.vinilepurpurina.com/2015/12/29/os-piropos-agora-sao-crime-acho-bem/

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  9. ASSINO POR BAIXO!!!!!!!!!!!!!!

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  10. Fico tão satisfeita por ler esta opinião! Penso que até chamarmos "piropo" é negativo, porque traz para o assunto uma leveza que este não tem. Eu não distingo entre o assédio verbal "engraçado" e o assédio verbal nojento, porque ao fim do dia o que fica é o cansaço e o incómodo de ser alvo de abordagens que não pedi. Escrevi recentemente uma crónica sobre o assunto, que, se a Ana me permitir, gostaria de deixar aqui: http://capazes.pt/cronicas/do-assedio-verbal-por-nadia-carvalho-nunes/view-all/

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  11. Apoio esta lei sou mulher e com 40 anos ainda oiço muita javardice, mas o que esperam disto?? A sério não percebo, convido até alguns ilustres piropeiros virem explicar lol

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  12. claro que os homens nao conseguem perceber o sentido desta lei. Eles nunca passaram pelo nojo, constrangimento, vergonha que 'e ir na rua e ouvir aquelas coisas nojentas.
    Quando eu tinha 13 anos ia na rua e um homem com a idade para ser meu avo virou-se para mim e disse "anda ali comigo para te ensinar o que os professores na escola nao te ensinam!" MAS QUE RAIO DE MERDA 'E ESTA? Como 'e que 'e suposto uma miuda de 12 anos reagir ou sentir-se perante uma coisa destas? ou pior? Sera que esses homens que ficaram tao indignados com esta lei iam gostar que as suas filhas/irmas/primas/namoradas ouvissem coisas dessas? com toda a certeza que nao!

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    1. Isso não é um piropo. É assédio a uma menor de idade. Sempre foi crime.

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    2. Por favor esclareça-me então o que é piropo visto que é tão entendido na matéria. A meu ver, um piropo nada mais é do que assédio sexual.

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    3. Eu devo ser ou muito tacanha ou muito evoluída. Isso é assédio a menor e, como bem diz o anónimo das 14:22, sempre foi crime. Aliás, eu até considero que outras coisas já seriam crime ao abrigo da 'injúria'. Esta lei, ou aditamento à lei, em nada vai alterar o que quer que seja. Se é desagradável? Por vezes é. Se vai deixar de existir? Continuem a sonhar. Se em Portugal uma violação, existindo provas da mesma, acaba em pena suspensa, acham que vai adiantar alguma coisa fazer queixa de um piropo?

      Não querendo desta forma conferir aos homens qualquer direito, que ninguém tem o direito de importunar outrem, seja mulher ou homem, houve um dia em que saí de casa com ténis e sentia-me super desconfortável e feia porque é um calçado a que não estou habituada. Passa um carteiro por mim e diz 'Para ver isto já valeu a pena sair de casa'. Acham que justifica ir fazer queixa do homem?? Até me elevou o ego.

      Acho sinceramente que está tudo a exagerar com isto, é uma lei que nem na teoria nem na prática vai mudar nada, porque a boa educação não é, nem nunca vai ser, legislável.

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    4. ... portanto por achar que não vai mudar nada vamos deixar de fazer leis? Então pronto, legalizem as violações. Os roubos, os homicídios! Porque não?
      Falamos aqui de assédio sexual, não de comentários desse género. Se não consegue perceber a diferença... algo está muito errado consigo. Se esse carteiro lhe tivesse dito "és muita boa, grandas mamas, faz-me um bico" se calhar não lhe elevava tanto ego e não gostava.

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    5. Lá está anónimo o assédio sexual não é novidade. A injúria já estava na lei. Daí que acho que esta alteração é para pôr as pessoas a falar de nada. Quando alguém a ofende tem o direito de fazer queixa da pessoa, seja ou não com carácter sexual. Esta alteração é redundante e o timing em que sai a notícia no mínimo curioso.

      Sim vamos deixar de fazer leis redundantes e passar a fazer cumprir as que já temos. Poupa-se tempo e dinheiro.

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    6. Redundante como? É que difamação é uma coisa e há vários tipos de assédio sexual. Há assédio sexual físico, há assédio sexual no local de trabalho. Ainda não se tinha legislado (que eu saiba) relativamente a assédio sexual feito em público.
      Não tem a ver com ofensa, tem a ver com comentário de teor sexual feitos a quem não os pediu.
      Se não acha importante problema seu, mas pelos comentários que vi aqui várias mulheres discordam de si.
      Já agora a notícia pode ter saído agora - parabéns à nossa comunicação social - mas a lei saiu em Agosto com o anterior governo.

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    7. Redundante porque já existem leis para o assédio sexual. Seja no trabalho ou na rua. O que as pessoas não percebem é que o chamado piropo como oh jóia anda cá ao ourives não vai ser criminalizado com esta alteração à lei, porque isto não constitui assédio de teor sexual, é apenas um comentário parvo. Agora coisas como 'oh puta faz-me um bico' sempre se pode fazer queixa, é assédio e ofensa ao bom nome. O que vai passar a ser criminalizado é aquilo que já antes era, daí a estupidez desta lei.

      Eu não tenho problema nenhum, sou a favor da protecção do ser humano, mas acho que quando se fazem alterações devem ser pensadas. Mas, tal como as pessoas que concordam, tenho direito a expressar a minha opinião.

      Pois, exactamente, com mais um resgate a um banco e com o governo de esquerda já a não funcionar (teve de ser o PSD a dar uma ajudinha com o Orçamento) lança-se agora um tema polémico para as massas. Na minha opinião é porque esta alteração não altera de facto nada, daí que em Agosto não se tenha ligado nenhuma a isto.

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  13. Podes ter a certeza. É tão mau, uma pessoa sente-se tão envergonhada...

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  14. Plenamente de acordo! O desejável era que não fosse preciso existir uma lei para evitar as ordinarices que nos lançam na rua. Mas se, de facto, não cai a ficha a quem as diz, há que punir. Quero muito que a minha filha cresça num país onde não precisa de evitar umas obras, nem precisa de baixar a cabeça quando um espertinho qualquer decide abrir o vidro para lançar uma brejeirice qualquer. É triste, mas continua a acontecer-me todos os dias.

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  15. Começa logo na palavra "piropo", não é? Parece assim uma graça, uma brincadeirinha elogiosa.
    Não é. É sempre desagradável, não tanto como os exibicionistas (ando a pé em Lisboa e corro junto ao rio e já apanhei a minha quota-parte, mas nunca há polícia por perto para poder denunciar e parece estúpido ligar para as emergências só porque um retardado emocional qualquer não sabe, literalmente, mantê-lo nas calças), mas é sempre desagradável.
    Quantas de nós não mudam de passeio, não dão uma volta maior, não entram de repente numa loja só para não se cruzarem com um bando de machos que acha que pode fazer comentários de cariz sexual e agir de forma intimidante? Quem nunca teve medo, depois de perder a paciência e os apelidar como porcos nojentos que são, de ser perseguida e não conseguir fugir?
    O que a maior parte dos homens indignados não percebe é que uma mulher se sente mesmo em risco, em situações em que deveria estar tranquila e descansada. Alguém acima refere que as mulheres dizem ordinarices, mas que mulher é que ameaça a integridade física de um homem? Haverá algumas, mas decerto não são a maioria. Ainda bem que se fala, estas leis servem muito mais para mudar mentalidades do que para prender alguém. Ainda bem que se fala.

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  16. Toda a gente que se indignou com a notícia ontem e que se deu ao trabalho de discorrer disparates nas redes sociais se esqueceu de ler os artigos do código penal que acompanhavam as manchetes sensacionalistas:

    Art. 170º - Quem importunar outra pessoa, praticando perante ela atos de carácter exibicionista, formulando propostas de teor sexual ou constrangendo-a a contacto de natureza sexual, é punido com pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa até 120 dias, se pena mais grave lhe não couber por força de outra disposição legal.

    Artigo 171.º - (...) 3 - Quem:

    a) Importunar menor de 14 anos, praticando acto previsto no artigo 170.º; ou
    b) Actuar sobre menor de 14 anos, por meio de conversa, escrito, espectáculo ou objecto pornográficos;
    (...)

    é punido com pena de prisão até três anos.

    Gostava de saber quem é a pessoa decente e com dois dedos de testa que discorda disto. Não, ninguém vos vai tentar prender por atirarem "Ó jóia, anda cá ao ourives" a uma mulher desconhecida na rua, seus machões, seus Don Juans do espaço público. E mesmo que esta lei nunca leve a nenhuma prisão ou multa, por ser tão difícil provar o delito, ao menos pôs as pessoas a falar disto. Não é aceitável que, nos dias de hoje, as mulheres e os homens tenham de se comportar de maneira diferente ao andar na rua. Parece que assim que saímos de casa nos sujeitamos a observação e a comentários que não queremos e não pedimos, porque alguns homens se sentem no direito de avaliar o "material" que lhes passa à frente como se fosse carne no talho. Como se o espaço público fosse deles e nós é que tivéssemos de aceitar, encolher os ombros e fingir que não ouvimos as coisas nojentas que nos dizem, a todas nós, desde meninas. Porcos.

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  17. Só acho que há assuntos mais importantes a serem levados em conta actualmente...
    Um trabalhador que infelizmente está no Algarve e trabalha durante o verão (Quando digo verão, são 8 meses de trabalho) e nem sequer consegue um subsidio para sobreviver ao inverno, mesmo com a garantia de trabalho no ano seguinte. Para depois ver perderem tempo e dinheiro (Sim, até uma coisa dessa ser aprovada, muito dinheiro sai do nosso bolso de contribuinte).
    Tipo o nosso voto que já não tem poder nenhum, elegemos um e outro assume o poder.
    Não tiro a importância disso tudo, mas acho que o que me referi, são mais importantes do que o piropo em si.

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    1. Já cá faltava o "há outras prioridades". Tenho uma novidade para si: há SEMPRE outras prioridades. Sempre. Não há nada que se faça, nenhuma lei que se aprove que seja "a mais importante" e que não existam outras coisas a serem tomadas em conta. E então? Vamos parar o mundo por causa disso?

      Quando foi despenalizado o aborto em 2007 havia coisas mais importantes a tratar. Quando foi legalizado o casamento entre pessoas do mesmo sexo em 2010 havia coisas mais importantes a tratar. Quando foi votada favoravelmente no parlamento a adopção por casais homossexuais o mês passado havia coisas mais importantes a tratar. Quando se alterou esta lei da importunação sexual em Agosto também. E assim, por cada assunto "não-prioritário" com que vamos "perdendo tempo e dinheiro" em detrimento de outras coisas, vamos evoluindo e vivendo num mundo melhor.

      O facto desta lei ter sido alterada não retira validade nem importância a outra luta qualquer. Uma coisa não impede a outra.

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    2. Parabéns pelo seu comentário Rita!

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    3. Concordo com a Rita a 100%. IRRA, que raio de mentalidade mesquinha! É óbvio que há outros assuntos importantes, mas este também é!

      Jiji

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    4. É homem, não é? Pois para mim é tão importante sentir-me em segurança na rua como para si ter emprego no inverno. São ambas importantes e quando voto espero, infelizmente não tem sido assim nos últimos 4 anos, que tratem de tooodoos os assuntos: os mais e os menos importantes, para a vida dos portugueses... todos!É para isso que lá estão! Se não quem decidiria o que era mais importante? Cada um de nós? Ou eles?

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  18. Finalmente um comentário decente em relação a isto.
    Os homens que se queixam, coitadinhos, a vida vai mudar muito. Vão sofrer imenso claramente por não poderem dizer baboseiras que só deixam as mulheres constrangidas. Enfim.

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  19. Acredito que, de uma forma geral, os piropos são associados aos homens. Parece quase algo exclusivo mas não é. Existem mulheres que conseguem ser muito piores do que os homens.

    A ideia que tenho, e partilhei isso ontem no blogue, é que os homens quase que gozam uns com os outros caso algum se queixe ser vítima de um piropo (mesmo sendo de baixo nível) por parte de uma mulher. Mesmo sendo em menor número (e acredito que o sejam) existem muitos piropos que partem de mulheres.

    Por outro lado, custa-me compreender que as pessoas não consigam fazer uma distinção entre os diferentes comentários que mencionas. Que não percebam que uma coisa é ser "simpático" e outra é ser "porco".

    Por fim, concordo contigo pois não sei como é que ainda existem pessoas que acreditam que certos comentários funcionam como arma de sedução.

    homem sem blogue
    homemsemblogue.blogspot.pt

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    1. Acho que as pessoas conseguem fazer essa distinção. O que passou a ser crime é uma pessoa dirigir-se a outra e fazer comentários de teor sexual do género "fodia-te toda" ou "grandes mamas". Ninguém está a dizer que um homem dizer a uma mulher "você é muito bonita" é crime.
      E claro que se generaliza porque em Portugal pelo menos a maior parte dos piropos são dirigidos a mulheres por homens, porque ainda vivemos numa sociedade em que os homens têm que provar que são muito machos. Com isto não digo que não há mulheres que sejam ordinárias e façam o mesmo. Mas é por isso que a lei funciona para ambos os sexos.

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  20. E os piropos delas a eles?? Já ouvi coisas bem ordinárias...

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    1. A lei não distingue géneros:são igualmente punidos.

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    2. A lei é igual para todos.

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    3. A lei diz "Quem importunar outra pessoa, praticando perante ela atos de carácter exibicionista, formulando propostas de teor sexual ou constrangendo-a a contacto de natureza sexual, é punido"

      Quando escolheram a palavra "pessoa" foi para se aplicar a homens e mulheres.

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  21. Concordo Pipoca!
    O "calado" vence tudo :)

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  22. Concordo plenamente que este assunto seja remexido pois ninguém tem o
    direito de ouvir baboseiras vindas de gente sem educação e por serem
    homens julgam que podem despejar asneiras e ordinarices a uma mulher a quem eles deviam de respeitar, pois se fosse dito à sua mãe/mulher/filha, não gostariam de certeza. Tal como alguém disse aqui
    mesmo que esta lei nunca leve a prisão ou multa, ao menos pôs as pessoas a falar disto.

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  23. Lembro-me de, na minha adolescencia evitar o caminho casa-escola/escola-casa mais curto e ir pelo mais longo (40min a pé) e mais movimentado precisamente para evitar os comentários de individuos que eu já sabia que iam estar naquela rua ou naquele café ou naquela obra. Morria de medo de me cruzar com algum deles sozinha, ou algo assim.

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  24. Concordo inteiramente...Dizia um colega de trabalho : Então mas agora se eu lhe quiser dizer que está bonita não posso?!!!!!!!!! Eh pah, não será preso por isso com certeza....mas preferia que não dissesse que ficasse caladinho, ok?Pode ser?

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  25. Concordo com o ponto de vista da Ana sobre o assunto e, subscrevo a maioria dos comentários.
    Pelo menos em teoria, a situação dos "piropos" ofensivos e humilhantes já se encontra devidamente prevista e punida no CP,ótimo, porém, não nos esqueçamos que se trata de uma ofensa "verbal" muito difícil de provar, a prova deste tipo de crime passará sempre por ser testemunhal(viu, ouviu dizer...)...e nas circunstâncias em que o crime é perpetrado, a mulher está quase sempre só, facto que poderá inviabilizar o regular prosseguimento da acção penal. Assim, ainda que seja apresentada queixa, o mais provável é o autor ficar (como sempre) impune.
    A nova redação do art.170° do CP Terá talvez...o mérito de dissuadir alguns "animais" a proferirem os seus nojentos "piropos", e a certeza de ter despoletado milhões de comentários sobre o assunto(como aqui já alguns referiram).
    Fico a aguardar e a torcer pela real eficácia desta medida(em decisões judiciais efetivas).

    MDM

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    1. Enquanto a eficácia não acontece, torcemos para que esses ordinarões covardes apodreçam no entrepernas e continuem a ter uma triste existência:))

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  26. A questão é que a lei não distingue o género de quem manda/ouve o comentário inapropriado (ainda bem) e parece que há pessoas que não querem perceber isso e destilam estupidez ao falar do feminismo exacerbado, etc. Claro que a maioria são homens a mulheres, quem nunca ouviu dirigido a si ou a outrem? E é normal que sejam as mulheres quem se insurja mais, porque lá está, todas nós já "levamos" com isso, mas acredito que haja homens que também já tenham sofrido do mesmo e a tal "manta" social do macho ibérico os retraia de partilhar a história, mas a verdade é que a maioria dos destinatários de comentários nojentos são as mulheres. Não acho que seja desapropriado ou excessivo, dizem-se coisas verdadeiramente brejeiras e nojentas, só porque sim, só porque o macho pode (acha ele) dizer o que lhe vem à cabeça e as mulheres têm que ouvir e calar, porque acham alguns "até é giro e lisonjeiro" ou "que não faz mal". Então quando é dirigido a miúdas novas acho repugnante e vil! E nunca é demais repetir, não é o típico "ó jóia anda cá ao ourives" e afins. Acredito que na prática não leve a nada, mas pode ser que alguns pensem duas vezes antes de abrirem a boca.

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  27. Lembro-me de ser miúda e ouvir coisas nojentas tais como as que escreveu. Ainda hoje passo para o outro lado da rua se vejo mestres todos juntos feito bando de chacais. Aqueles olhares nojentos que te despem e babam num piscar de olhos. Só gostaria de saber é que como é que provo que alguém me fez um piropo.

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  28. https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=875460165895594&id=734185446689734&refsrc=https%3A%2F%2Fm.facebook.com%2Fnaoacredito.com.br%2Fvideos%2F875460165895594%2F&_rdr

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  29. Sou mulher, e já ouvi algumas destas "pérolas" que a pipoca referiu. Mas a situação que mais me impressionou e passou-se comigo, foi um dia que estava a passear com a minha mãe, numa zona onde moro, e até é um sitio onde há vivendas e prédios, não tão baratos quanto isso. Aparece um grupo de 7 a 10 miúdos que não tinham mais de 14 anos, e começaram a dirigir-nos comentários de teor obsceno e completamento nojento. De referir, que há uns tempos realojaram pessoas de bairros sociais para uns apartamentos que fizeram lá perto. (N.B. como em tudo na vida, há boas e más pessoas em todo o lado, não estou a dizer que são todos iguais).
    Das duas, uma... Ou chegávamos perto deles, e dávamos-lhe um estalo a cada um, mas como eram muitos, ignoramos e seguimos o nosso caminho.
    Agora, pergunto, eu... Esses miúdos, tem mães, irmãs, onde está a educação e o respeito? Para que, terem 5 filhos, se não lhes dão educação, se não os podem acompanhar, se não lhes ensinam o bem/mal.
    Isso é o que me preocupa, esses homens, já foram crianças.
    Não é, por dizerem "Bom dia, a quem é uma flor", ou "És boa, como ao milho", que me vou chatear.
    É, sim, o desrespeito e falta de dignidade que MUITOS homens, tratam as mulheres.
    E, mais, pensar que aquelas criaturas são meus vizinhos e andam ao Deus dará no mundo.Feitos Índios.

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  30. Obrigada Pipoca. Não é preciso dizer mais nada. Acho que os homens não entendem o constrangedor que é (e por vezes, senão a maioria delas, assustador) ser-se abordado na rua por um desconhecido(a). Enfim.

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  31. Homens (ou amostras) que comentam e troçam desta alteração nunca sentiram o medo de fazer uma rua com uma saia, por saber que pelo caminho se iam encontrar com um grupo de homens que pensa que qualquer cm da pele de uma mulher é deles.
    O mais nojento é mesmo o assédio que fazem a raparigas mais novas: aos 13/14 anos tive de me queixar na polícia porque havia um homem que me esperava numa paragem de autocarro e enquanto gritava coisa obscenas, esfregava-se.. Acham isto normal, em plena luz do dia?
    Por outro lado em Itália, um dia vi-me sozinha, de telemóvel e máquina fotográfica na mão e um grupo de rapazes grande a olhar para mim, a comentar e a avançar.. Passou-se-me tudo pela cabeça, não vi ninguém conhecido e um dos rapazes pura e simplesmente chegou se ao pé de mim e disse-me que me achava muito bonita. Só. Acham mesmo que as mulheres não sabem a diferença entre estas duas atitudes?

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    1. Nas cidades onde vivi no estrangeiro (Barcelona, Bruxelas e Antuérpia) nunca senti tanto assédio como em Lisboa. Mas na Alemanha (Colónia), onde estive uns dias de férias, uma amiga e eu andámos uns metros um grupo de rapazes à nossa volta a dizerem coisas (que não percebi, porque era em alemão) e apalparam a minha amiga. Isto em plena luz do dia e numa das praças mais movimentadas da cidade. Ah agora lembro-me que em Barcelona, numa feira de livros em 2a mão, também andava um velho que se metia no meio da confusão e se roçava nas mulheres, quando elas olhavam, desaparecia na multidão. E na Tunísia, onde fui com os meus pais quando tinha uns 18 anos, houve um miudo que me apalpou. Enfim, afinal até são vários os casos que até já tinha recalcado :P se calhar se começasse aqui a pensar a sério, até me lembrava de mais situações...

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  32. muito bom mesmo , eu não conseguia dizer melhor se quisesse falar sobre o assunto. Tiro o chapéu á tua maneira de escrever , mas tiro ainda mais pela tua maneira de pensar, o olhar sobre as ''coisas'' .. um beijinho muito grande

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  33. Acho ridiculo legislarem sobre isto e criminalizarem! Acho que só faz bem à auto-estima de qualquer mulher ouvir piropos dos trolhas por mais ordinários que sejam. Cresci a ouvir coisas como: queres fazer um filme pornográfico comigo,contigo eram horas na cama e outras bocas ordinárias que eu e as minhas amigas ouvíamos à saída do liceu.às vezes respondíamos à altura.qual é o problema!? Agora gostava de ouvir piropos e já não ouço! Já nem sequer há obras nem trolhas com a crise da construção.deve ser cá um problema nacional os piropos! Tenham lá juízo.

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    1. Lá esta, a seu ver, poderá eventualmente depender da sensibilidade de cada um, pois todos sabemos que há pessoas que se ofendem mais facilmente que outras…
      Mas gostar de ouvir “Frases ordinárias”, porcas e sentir-se bem com o que se ouviu, nem todas gostamos, eu pelo menos abomino e, mesmo quando respondo à altura sinto-me deverás irritada, vexada e incomodada. E são de facto este tipo de frases inaceitáveis para a maioria… que se encontram abrangidas pela nova redação do art.170º do CP. Como já comentei, estou expectante quanto à aplicabilidade da referida disposição legal.
      Gerou-se uma enorme confusão em torno desta questão, uma vez mais… despoletada pela comunicação social que utilizou a meu ver “erradamente” o termo PIROPO e anunciou a Criminalização dos “PIROPOS”, em vez de “Criminalização de Frases susceptíveis de causar Importunação Sexual” !!!
      Pessoalmente, considero o “Piropo” um mero galateio, que de forma alguma atenta contra a Dignidade e muito menos a Honra de qualquer ser humano. Sinceramente, não me senti incomodada, não recalquei, tambem não senti aumento de auto-estima, fiquei indiferente e nem sequer dirigi olhar ou respondi quando ouvi piropos tais como : “ és boa como o milho !; Se soubesse que vinhas de amarelo tinha trazido alpiste !; Abençoada mãezinha que deu à luz uma obra prima como tu, etc..”, tão comuns quanto inofensivos! (pelo menos para mim), depois, os meus pais sempre me disseram “ mulher honrada faz orelhas surdas”.
      Acrescento ainda, que em sítio algum da letra do renovado artigo, aparece referido o termo “piropo” mas sim “propostas”, pelo que, podemos concluir que se tratou de uma Inovação criada pela Comunicação social.

      MDM

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    2. Ó anónima das 16h37, tem filhas? E que eu realmente gostava de ver a sua cara se visse uma filha sua passar por um bando de senhores desses, que a si nunca incomodaram pelos vistos, e se virasse para ela e dissesse "contigo eram horas na cama" o que é que ia achar? Também lhe ia elevar a auto estima, por achar que tinha feito uma obra-prima? Tudo o que referiu, claramente, assédio! Algo verdadeiramente repugnante. Um piropo ainda se aguenta, até dá para dar uma boa resposta é envergonhar quem o lançou, agora assédio sexual? Isso é outra história.

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  34. Uma vez corri o risco de ter sido "presa por agressão" à custa de um piropo que recebi. Ia na rua já irritada com um assunto, um por quem passei saiu-se com "Ai se fosse mais novo baixava já as calças", não fiz mais nada, virei-me para trás e dei-lhe com o guarda-chuva no braço. Vá lá que ele enfiou o rabo entre as pernas e foi andado.

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  35. "Vão ver que apreciar uma mulher em silêncio é infinitamente mais bonito."

    Aplaudo!

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  36. Eu também aplaudo mas é por razões diferentes.

    Então um "piropo legal" assim mais próximo do galanteio, mesmo de um desconhecido é uma coisa má?

    Todos sabemos que não é verdade (ou quase todos pelos vistos).
    Podem é não querer assumir, mas já estamos habituados :P

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  37. Tenho um familiar com filhas pequenas que ficou muito chocado com esta notícia , pois o título "proibição dos piropos" deu-lhe a entender que se aplicava a lei a casos como dizer a uma mulher que é muito bonita. Pensei explicar-lhe que embora dizer que alguém é bonito não é grave (nem criminalizado), se se disser a uma estranha do nada pode deixá-la desconfortável pois não se sabe quais são as intenções com que se faz o elogio. Contudo dizer isto não o ia fazer entender o que esta lei pretende prevenir, por isso contei um caso pessoal que me aconteceu e que reproduzo (de modo mais ou menos fiel) no seguinte diálogo:

    "Um dia estava com uma amiga na rua, quando um idoso mais velho que o avô me disse: vou levar-te para casa e fazer amor contigo."
    "O que fizeste?"
    "Disse para o homem ter vergonha e ele pôs-se aos gritos comigo e a repetir coisas porcas...Tinha 12 anos."

    O meu tinha 12 anos caiu-lhe como uma bomba. Talvez hajam algumas miúdas cujo corpo se desenvolve cedo e pareçam mais velhas (mesmo assim dificilmente parecem ter mais que 16, a idade do consentimento sexual, logo nojento na mesma). Não era o meu caso. Aliás, se não fosse já ter 1,60 metros passaria facilmente por uma criança de 10 anos. Esse meu familiar recordou-se disso e olhou para a filha mais velha, que embora ainda só tenha 7 anos, já parece mais crescida e embora não tenha dito nada, vi que finalmente entendeu o que esta lei quer dizer. A ideia de que em meia dúzia de anos (ou menos) uma criança vai passar a ser assediada na rua assusta qualquer pessoa.

    Poderão dizer que esta situação não se compara com um assédio a uma adulta e é verdade. Mas como adulta que já teve que andar em transportes públicos sozinha por motivos laborais e de estudos garanto-vos que já senti medo de ser seguida e fui mesmo assediada por um grupo de rapazes que se sentaram á minha volta, deram bocas do género e grunhiram de forma animalesca (sim, há anormais que fazem barulhos semelhantes aos dos documentários de acasalamento animal). Felizmente ficaram-se por isso e pude sair antes deles. Mas o trauma ficou-me até porque nem eram 10 da noite e havia mais pessoas no transporte e ninguém me veio ajudar.
    Esta lei pretende diminuir estas situações. Se terá resultados? Sinceramente, sou céptica. Geralmente estes assédios não são feitos à beira de polícias e a não ser que se saiba algo acerca do assediador em questão, o que é raro, a apresentação de queixa é demasiado complicada para tal.

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  38. Não é com leis que se educam sociedades. A educação começa em casa e não nos Tribunais.

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  39. O legislador é estúpido e desprovido de bom senso. Ensinam os princípios penais que toda e qualquer proibição visa acautelar um bem que a gravidade da sua lesão pode por em causa o equilíbrio salutar da sociedade em determinada altura e contexto concreto, sem prejuízo daqueles bens como a vida, a integridade física que são os bens de topo e que são protegidos de forma universal, variando todavia a medida da pena, ou seja, o número de anos de privação da liberdade. Daí que face a algo de grave e desmedido se torne necessário então proibir e se possível aplicar penas de privação da liberdade, quando a violação de determinado bem seja assuma uma proporção que cause mesmo um grave desequilíbrio então criminaliza-se a sua violação e em última instância priva-se mesmo a liberdade do agente criminoso. Em bom rigor, quem olhar para este dispositivo legal, vai chegar à conclusão que o Portugal de 2015 sofria uma violenta situação de "piropos" que punham em causa a estabilidade social, a coesão social, a segurança das vítimas e o seu bom nome nas ruas, colocando em risco a coexistência pacífica dos cidadãos e a sobrevivência da sociedade. Se o problema era o bom nome, o direito à imagem, o direito a passar despercebida por parte das mulheres, o Código Penal já tinha soluções legais para tais violações de bens jurídicos. Esta solução legal só revela que o legislador em Portugal legisla quando está em estados de alma, revelando a mais perfeita estupidez de quem pelos vistos gosta de se inspirar em doutrinas totalitárias e perniciosas. O livro do Hitler (A minha luta) começou com uma simples prosa de raças perfeitas que deveriam eliminar as outras supostamente inferiores e com tal propósito foi eleito, sim eleito em eleições livres, por um país culto e industrialmente avançado, para instalar o seu reinado de terror. Que vergonha e que nojo por estes senhores com propósitos moralistas e perfeccionistas!

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Teorias absolutamente espectaculares

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