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Lar doce lar

terça-feira, janeiro 21, 2014

Isto de ter a família toda doente é uma chatice que obriga a grande mobilização e ginástica para conseguir ir estando em todo o lado e dar assistência a todos. Com o homem com uma infecção respiratória aguda (eu bem lhe disse que aquilo não era só uma gripe, mas conseguir levar um homem ao hospital é quase tão difícil como conseguir levar uma mulher a interessar-se por jantes de liga leve), a grande prioridade era conseguir manter o Mateus a salvo. Não se safou. Há uma semana começou com febre e agora está com uma tosse desgraçada, que o faz ter ataques nocturnos que duram uma vida. Dá dó. Optei por deixá-lo a dormir em casa dos meus pais, pelo menos enquanto o senhor seu pai não descobrisse o que tinha efectivamente, mas ainda o trouxe para casa no fim-de-semana e mais uma ou outra noite, tentando manter as devidas distâncias. Com o diagnóstico de infecção respiratória "altamente contagiosa", agora é que não o arranco mesmo de lá, que a pobre criança não pode estar exposta à bicheza alheia. Ora isto faz com que eu durma uma noite em casa dos meus pais, para estar com ele, e outra noite em nossa casa, para prestar apoio ao homem, que já se sabe que quando estão doentes ficam particularmente chatos sensíveis. Ando cá e lá, com a tralha às costas. Um dia levo o Mateus ao pediatra, outro dia levo o pai ao hospital, outro dia levo o Mateus ao hospital, outro dia levo o pai ao centro de saúde, e tem sido isto a minha vida. Não vejo a hora de estar toda a gente devidamente restabelecida. No meio disto tudo, tenho sobrevivido. Eu, que sou pessoa que está doente para aí 36 vezes por ano, para já tenho resistido. Uma tosse aqui, uma dorzita de cabeça ali, mas enfia-se um comprimido no bucho e siga a festa, que ficar doente agora não dava jeitinho nenhum. Mas dizia eu que tenho dormido algumas noites em casa dos meus pais, coisa que já não acontecia há pelo menos uns três anos, desde que me casei. É estranho. Mas bom. Mas estranho. A casa dos nossos pais é sempre a nossa casa, mas quando saímos, casamos e temos filhos é inevitável não voltarmos e sentirmos que agora somos visitas mais do que família. Mais não seja porque o meu quarto já foi desmantelado e tenho de dormir no quarto de hóspedes, onde nunca tinha dormido. E porque quando dizemos "a casa dos meus pais" é porque já há outra casa à qual chamamos nossa. Os meus pais adoram que eu fique lá com o Mateus e com o Manolo (por eles mudávamo-nos todos lá para casa, já) e eu, não fosse a parte chata de ter a família doente e estarmos todos separados, também gosto de lá estar. Gosto dos mimos. Gosto de ter o aquecedor ligado e o pijama envolto num saquinho de água quente. Gosto da preocupação constante (tens frio? Queres mais um edredon? Essas almofadas chegam?). Gosto de acordar e ter pãozinho quente e sumo de laranja para o pequeno almoço. Gosto de ouvir aqueles barulhos e aquelas vozes que fizeram parte da minha rotina durante tantos e tantos anos. Mas também gosto das coisas da minha vida, aquelas que não tinha quando lá morava. O Mateus ali ao lado, na caminha dele. E o Manolo sempre a saltar para cima da cama e a querer dormir comigo.  E falta-me o marido, claro. :(  Somos todos muito bem tratados, não podia ser melhor, mas aquela já não é bem, bem, bem a minha casa.Não tenho lá as pantufas, nem o amaciador. Falta-me o roupão e o secador da minha mãe não é tão potente como o meu. Não sei bem onde pôr os telemóveis a carregar e não há wifi para o computador. Pequenos detalhes, coisas de nada que nos lembram que já não moramos ali. Mas já nem me lembrava como é tão bom voltar. 

32 comentários:

  1. As melhoras :)

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  2. Que texto tão lindo, Pipoca! Amei ! É por isso que não há um dia em que não faça uma visita :)

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  3. Melhoras para todos. Sinto o mesmo quando regresso a São Miguel.

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  4. Este texto fez-me chorar, e rir, e depois chorar e depois rir outra vez! Porque é mesmo assim... quando vivemos na casa dos pais estamos sempre a desejar sair e ter o nosso cantinho e sermos donos das nossas vidas (sem ter de cumprir as rotinas deles nem dar explicações), mas voltar (não de forma definitiva!!) faz-nos dar valor a cada cheiro, som, e até mesmo às aquelas mesmas rotinas que antes criticávamos. Porque aconteça o que acontecer aquele é o nosso ninho, é lá que estão as recordações que fazem o que somos hoje e é lá que estão também as pessoas que mais amor e carinho têm por nós em qualquer momento das nossas vidas: os nossos pais! Que nos tratam sempre como se fôssemos crianças. Às vezes isso é chato mas no fundo é tão bom!! Mas isso não pode ser durante muito tempo... porque é como dizes... as coisas que fazem parte da nossa vida diária actual já não estão ali e começam a fazer-nos falta passados alguns dias! ;)
    As melhoras para os doentinhos ;)

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  5. A casa dos pais é sempre a nossa melhor zona de conforto:)))

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  6. Gosto particularmente da parte do saquinho de água quente em comunhão com o pijama. A minha mãe tem essa mesma delicadeza que adoro!

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  7. Tal e qual. A casa dos pais é um abrigo onde nos sentimos seguras e protegidas de tudo.
    No meu caso, quando lá fiquei a dormir com o meu filho mais novo e ele chorava durante a noite, a minha mãe aparecia-me no quarto para saber se era preciso alguma coisa.
    O papel de uma mãe é absolutamente insubstituível.

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  8. Como o meu marido esteve para fora em trabalho no fim de semana, aproveitei para ficar em casa dos meus pais e senti exatamente a mesma coisa (mas lá tenho wi-fi ehehe)

    www.prontaevestida.com

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  9. Eu como moro longe, quando vou a "casa" fico sempre em casa dos meus pais. É tão bom! Vai a família toda mas também durmo no quarto de hóspedes :)
    Nesses dias, a minha irmã, muda-se também com a família toda e é maravilhoso ver aquela casa assim, cheia de alegria.

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  10. É bem verdade... senti isso quando ha 6 anos atrás tive de regressar há casa e cidade dos meus pais por umas semanas até ter o meu apartamento disponivel, mas ter o miminho deles até que soube bem.. as melhoras para todos!
    Quanto ao levar um homem ao Hospital ser dificil... já eu não posso dizer o mesmo... o meu vai lá mais vezes do que eu, aliás acho que a última vez que lá fui tinha 12 anos... onde é que isso já lá vai :):):)

    Sónia
    Taras e Manias

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  11. Sei exactamente o que sentes. Ainda há poucas semanas fui passar um fim de semana aos meus pais, porque o meu homem teve um evento de trabalho que durou o fim de semana inteiro, e estando grávida de fim de tempo, achei por bem não ficar a dormir sozinha em casa. Então lá fomos, eu e o cão (o Pudim) e ficámos muito bem instalados, embora não conseguisse deixar de me sentir um pouco "visita" como dizes. É mesmo assim :)

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  12. Eu gosto de jantes de liga leve, oh!!!!

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  13. Este texto emocionou-me, fez-me lembrar os miminhos que sempre tive em casa dos meus pais, também me faziam o pequeno almoço, embora agora não me possa queixar porque agora é o marido que faz.
    Mas aquela constante atenção e preocupação é tão boa, os cheiros, ah a comida da mãe, a família é mesmo a melhor coisa do mundo.
    As melhoras para o Ricardo e para o Mateus, e cuidado essas infeções têm de ser bem curadas, boa sorte em manter o marido sobre as ordens médicas, são todos uns teimosos ;)
    Beijinhos para os três :*

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  14. Adorei!! É mesmo assim! Eu poderia ter escrito cada uma das palavras deste texto porque é exactamente o que sinto!
    Beijinhos e as melhoras!

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  15. Adorei!! É mesmo assim! Eu poderia ter escrito cada uma das palavras deste texto porque é exactamente o que sinto em relação aos que amo!
    Beijinhos e as melhoras!

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  16. Vivo junta há dois anos e, muitas vezes, ainda me refiro à casa da mãe como "a minha casa". O meu quarto não foi desmontado. A mãe fez algumas alterações, mas tudo continua quase como deixei, para que me sinta em casa sempre que durmo em casa da mãe. E é tão bom. :)

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  17. Ai Pipoca... Olha este fim de semana infelizmente tive um pirepaque que me levou ao hospital. Como vivo sozinha lá tive de estar estes dias nos meus pais, que não me querem sozinha na minha casa. Mas confesso que já me sinto um pouco "visita" sei lá.. não tenho lá as minhas coisas nem nada.. Mas o miminho da mãe de aquecer o quarto e o pijaminha sabe tãp bem, assim como o pequeno almoço prontinho assim que me despacho....

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  18. Tão bem escrito e tão sentido, adorei obrigada.

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  19. Olá pipoca,

    cuidado com a gripe do Arrumadinho... há uma nova vaga de gripe A e aquelas febres altas...

    As melhoras.

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  20. Olá, Pipoca
    Quais foram os sintomas que "despertaram" uma ida ao hospital? O que achou fora do normal na gripe do seu marido?
    Obrigada

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  21. Pois, eu tambem já não tenho quarto, passou para o meu mano mais novo!
    Depois do pequeno A. nascer e como primeiro de estar na minha casa, estive na dos meus sogros, também lá passava bastantes noites! Era tão bom recordar...
    As melhoras para os teus homens!

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  22. A casa dos pais, os mimos dos pais... sim é tudo isso sem tirar nem pôr.
    As melhoras rápidas dos doentes e força aí, mulher valente. Sempre ouvi dizer à minha mãe que "mulher enrascada é pior que polícia bêbedo" ;)

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  23. As melhoras para os dois, que fiquem bons rapidamente. E é verdade não há miminhos como os dos papás :)

    R de Rita

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  24. ´Há uma certa nostalgia por aqui, sensação boa... As melhoras e repara bem eu adoro jantes de liga leve.

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  25. Fizeste-Me chorar, porque isso é uma coisa que já não vou ter.
    R.I.P.

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  26. Muito bom....muito nostálgico mesmo! Ainda me refiro à "minha casa" (dos meus pais) e "à minha casa" (mesmo minha), as pessoas só têm é de fazer mais uma pergunta: Qual delas? ;)
    Ainda não consegui mudar a expressão e bem vistas as coisas...acho que não quero!
    Sabe tão bem ter o nosso cantinho e para sempre o nosso ninho!

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  27. Que bom Pipoca que tens uns pais que te amam! Infelizmente eu não tive essa sorte...

    Beijinhos

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  28. Eu costumo dizer, gosto muito de ser mãe, mas continuo a gostar tanto de ser filha :)

    beijinhos e as melhoras

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