Sempre que eu digo que vejo o "Casados à Primeira Vista", há seeeeeeempre quem se saia com um "que horror, como é que consegues ver isso?". Meus amigos, eu sou pessoa que papou todas as edições de Big Brother e Casa dos Segredos, acham mesmo que ia deixar escapar um "Casados à Primeira Vista"? Claro que não. Felizmente, tenho algumas amigas que também vêem, por isso dá para ir discutindo detalhadamente o que por lá se passa.
Ora bem, eu já tinha acompanhado algumas edições estrangeiras, como a espanhola ou australiana, por isso benzi-me quando soube que ia chegar a Portugal. É que nós temos assim um jeitinho característico para dar cabo de tudo o que é bom, por isso comecei logo a preparar-me para o pior. O primeiro programa foi um pincel, repetições sem fim, um não acabar de encher chouriços, uma edição chata, sem ritmo, um aborrecimento pegado. A parte das repetições, então, dava cabo de mim. Os diários eram mais ou menos 90% de repetição do dia anterior e 10% de coisas novas, ao ponto de eu ter optado por ver sempre em modo gravação, para poder estar sempre a andar para a frente. Entretanto, acho que já afinaram a coisa um bocadinho. Está longe de estar perfeita, mas melhorou bastante.
Depois, temos a base disto tudo: pessoas que dizem não conseguir encontrar o amor, que já passaram por uma data de relações falhadas, e que então põem nas mãos de uma equipa de psicólogos a tarefa de lhes encontrar o par perfeito, dispondo-se a casar com um estranho. Neste tipo de programa, eu interesso-me bastante pela parte sociológica, pela motivação das pessoas. E aqui fico sem saber se as pessoas querem e acreditam mesmo que num programa de televisão vão encontrar alguém, ou se vão só em busca de protagonismo e à espera que isto lhes abra algumas portas (sabe-se lá quais). Como boa cínica que sou, tendo a acreditar mais na segunda hipótese. Acho que ninguém se sujeita a exposição de nível nacional só para encontrar alguém. Mas pronto, por outro lado, também sei que o mercado está difícil, que piora a cada ano que passa, que não se conhecem pessoas com a mesma facilidade do que aos 20 anos e que, ao fim de não sei quantas relações que deram para o torto, a pessoa já está por tudo. Inclusive ir para a televisão berrar o seu desespero ao país e acreditar que a ciência lhe irá resolver a vidinha e encontrar o match perfeito. Tuuuuuuudo bem.
A prova de que a ciência resolve muita coisa mas ainda está longe de criar química entre casais e fazer arranjinhos para a vida, está assim muito visível neste programa, que mais não é do que um conjunto de tiros ao lado. Não há ali um casal que a pessoa diga "olha, sim senhora, muito bem, parece que foram feitos um para o outro". Já dei por mim a pensar que gostava de me sujeitar aos mesmos testes psicológicos a que os concorrentes foram sujeitos, só mesmo para ver quem é que me arranjariam. É que assim de repente, todos os homens que estão no programa são de fugir. E não me refiro ao aspecto físico, que isso sempre foi o que menos me interessou nas relações, falo mesmo da cabecita daquela gente. Acho que me divorciava para aí ao fim de três minutos.
Claro que, nestas coisas, nunca sabemos o que é genuíno e o que é ficcionado em prol das audiências. Não sei se aquelas pessoas são mesmo assim ou se lhes desenharam uma espécie de personagem e lhes entregaram um guião que devem seguir. Não sei mesmo. E já todos seguimos programas destes há demasiado tempo para saber que nem tudo o que parece é. Mas pronto, assumindo que eles são mesmo assim como nós os vemos ali na televisão, que se expressam mesmo assim, que verbalizam mesmo assim, deixem-me dizer-vos o que penso de cada um dos casais: