Começar uma nova agenda é mais ou menos como regressar à terceira classe e ao início do ano escolar, quando os cadernos estavam ali, com aquele cheirinho incrível a papel, prontos a serem estreados. Sou uma fã de agendas, sou incapaz de confiar a minha vidinha a um telemóvel, por isso ninguém me tira o papel. Comprei um filofax há quatro ou cinco anos, por isso a cada novo ano só tenho de lhe comprar o recheio, mas adoro a sensação de ter todas aquelas folhas em branco, sem um único rabisco, ali à mão de semear para serem preenchidas com mil e um planos. Claro que há coisas mais interessantes do que outras, mas no meio de datas de consultas médicas ou reuniões chatas, também há espaço para assinalar aquele aniversário importante ou as próximas férias. Começo cada nova agenda cheia de boas intenções, com a letra certinha, tudo composto, mas ainda não chegámos a Fevereiro e já aquilo está um caos. Mas um caos organizado, que só eu é que percebo. E depois acontece, como acontece sempre, o ano chegar ao fim e eu não ser capaz de me livrar da agenda, porque parece que estou a deitar fora uma data de memórias (boas e más). Enfim, se também são dados ao papel, deixo-vos aqui algumas opções de agendas. Escolham bem, porque esta vai ser a vossa companheira ao longo dos trezentos e muito dias que ainda faltam para o ano acabar.
Trinta e sete? Check!
domingo, janeiro 07, 2018
À neura habitual e costumeira que baixa em mim nos aniversários, juntou-se um dia de frio polar. Saí de casa para almoçar com os meus pais e voltei para casa, prontinha a dedicar-me ao plano traçado: vestir o pijama e alternar entre filmes, séries, livros e dormir. A coisa estava a correr bem até o homem me anunciar que tinha pedido babysitter para podermos ir jantar fora. Comecei o rol de protestos: que não queria ir a lado nenhum, que não me apetecia fazer nada, que a única coisa que queria no dia de anos era ficar em casa a vegetar. Aparentemente isso é coisa que está vetada aos aniversariantes. Já tinha metade das amigas indignadas por ter decidido não fazer jantar nem festa de anos, ai de vocês que se atrevam a dizer que não querem comemorar o aniversário, cai o Carmo e a Trindade. Preparem-se para o bombardeamento de perguntas e comentários: "mas porquê??? Vá lá! Só um jantar! Um almoço! Um brunch! Pode ser um brunch? Oh, a sério, mas anda lá, faz alguma coisa? Mas vais ficar em casa, é isso? Fazes anos e vais ficar em casa?". Bom, o homem tanto insistiu que lá me convenceu. Fui praticamente arrastada pelos cabelos, a suspirar pelo meu pijama polar, mas fui. E... tinha vinte e tal amigos à espera. Não posso dizer que fui completamente apanhada de surpresa, porque houve algumas coisas que me foram deixando desconfiada, mas foi muito bom na mesma. Acabei o dia de anos rodeada por (quase) todas as minhas pessoas, a rir à gargalhada e a pensar que valeu a pena ter feito o esforço de sair de casa (até porque tive direito ao bolo de morangos do Frutalmeidas, o que compensa sempre qualquer esforço). Não adoro fazer anos, dá-me para ficar mais ratazana do que o costume, provavelmente nunca virei a gostar. Mas gosto de estar com os amigos, disso gosto sempre. E se a única forma de ter festas-surpresa é fazendo anos, então venham eles!
Quase 37 e uma angustiada crónica
sexta-feira, janeiro 05, 2018
Amanhã faço 37 anos e não consigo deixar de olhar para o número com estranheza. Sinto-me frequentemente mais perto dos 12 do que dos 40, por isso 37 soa a esquisito, parece que não encaixa. Aos (quase) 37, não faço ideia se estou onde gostaria de estar. A maior parte do tempo acho que não mas depois, se me perguntarem assim directo "então mas o que é que gostavas de ser? O que é que gostavas de fazer? O que é que mudavas na tua vida?", também não tenho uma resposta na ponta da língua, só um encolher de ombros. Mas penso, penso muito, penso demasiado, como muita gente me acusa. "O teu problema é pensares demais". É provável. Os últimos dois ou três anos têm sido passados assim, a consumir-me em pensamentos sobre o sentido da vida: quem sou, o que quero, o que é que ando aqui a fazer. Parece uma coisa assim meio esotérica, mas quando se vive permanentemente angustiado com a finitude da vida, acho que não há volta a dar.
Invejo [na mesma proporção que desprezo] a passividade em que a maioria das pessoas vive. Olho à minha volta e as pessoas que me rodeiam estão
Pôr a leitura em dia #19
quarta-feira, janeiro 03, 2018
2017 acabou com mais leituras o que, espero eu, será um bom prenúncio para 2018. Pelo menos, é isso que espero e é isso que vou tentar fazer. Estes foram os últimos quatro que li e que recomendo:
"Fim", Fernanda Torres
Encomendei este livro na FNAC, depois de me ter sido recomendado por um amigo, e demorei tanto, tanto, tanto tempo a ir buscá-lo que quando bati com os olhos no papel da encomenda já nem me lembrava do que é que se tratava. Felizmente, ainda estava na loja à minha espera. O livro conta a história de cinco amigos do Rio de Janeiro, já idosos, que recordam o que foi a sua vida. Gosto muito da estrutura do livro, em que cada capítulo é dedicado a um personagem, e a Fernanda Torres (filha da actriz brasileira Fernanda Montenegro) é uma escritora do caraças. A linguagem é muito crua, não tenta romancear o que é a velhice e eu gosto muito disso. Foi das melhores coisinhas que li nos últimos tempos.
Ano novo, casa nova
terça-feira, janeiro 02, 2018
Ontem esqueci-me de referir nas resoluções para o novo ano, mas 2018 ou, na loucura, o início de 2019, será a altura de comprar casa. O meu contrato de arrendamento termina daqui a ano e meio e não me apetece estar nas mãos do senhorio, porque é sempre uma surpresa. Tanto pode dar-lhe para aumentar a renda em 300 euros, como no ano passado, como pode dar-lhe para nem sequer me renovar o contrato. E eu não gosto dessa pressão, não gosto de não saber com o que é que posso contar, não gosto da ideia de não ter tempo para organizar a vida. Propus ao meu senhorio comprar-lhe a casa, porque isso era o melhor de dois mundos, mas ele não se mostrou particularmente interessado, por isso tenho um ano para encontrar um novo sítio.
Não ando a correr, tenho algum tempo, e o mercado também não está propriamente incrível. Já me mentalizei que, a menos que me surja assim uma oportunidade daquelas "one in a million", vou ter de
A Pipoca está loucaaa #245
terça-feira, janeiro 02, 2018
E eis o primeiro passatempo de 2018, fresquinho, fresquinho, e com uma marca que amo de paixão, assim mesmo aquele amor assolapado, de cortar a respiração: a PINKO, que tem uma nova linha de Pinko Bags. A linha inclui um shopping bag, uma mochila e uma shoulder bag, tudo a piscar o olho aos anos 90, uma das décadas mais icónicas para a Pinko. E o que tenho para vos oferecer é precisamente um shopping bag lindão (ver imagem abaixo), que vai dar um jeitaço a todas aquelas que, como eu, têm de andar sempre com a casa às costas: computador, agenda, chaves, maquilhagem, quarenta e sete bolsinhas e sabe-se lá mais o quê. Está disponível numa data de cores (das mais sóbrias às mais txanam) e em vários materiais, do veludo à tela, passando pelo tweed ou pelos bordados.
Para se habilitarem a este saco Pinko só têm de:
Algumas decisões para 2018*
segunda-feira, janeiro 01, 2018
A cada passagem de ano fazemos sempre a mesma coisa: prometemos uma data de coisas como se o início de um novo ano não fosse apenas a continuação dos dias todos que ficaram para trás. Aproveitamos o simbolismo da coisa para começar a anunciar mudanças, e começamos com isto logo para aí em Outubro: "em Janeiro é que vou para o ginásio e começo a fazer dieta". "Para o ano é que vou passar menos tempo no Facebook". "Vais ver, em 2018 é que vou ter coragem para mudar de emprego". E assim sucessivamente. Há promessas mais sérias, há promessas mais levezinhas, mas isso também não interessa nada, porque quase nada é para cumprir, não é verdade? Eu já me deixei um bocado disso, porque de boas intenções está o inferno cheio e eu, como quase toda a gente, acabo por me desviar um bocado das minhas ainda Fevereiro vai a meio. Mas pronto, há coisas que eu gostava mesmo que fossem diferentes em 2018, e como acho que algumas podem incentivar outras pessoas, aqui vão elas:
Menos tempo nas redes sociais
Já no ano passado prometi isto e depois não fui capaz de cumprir, mas esta é uma daquelas coisas que eu faço e que me irritam profundamente: queimar demasiado tempo a saltitar entre redes sociais. Para que é que isso serve? Para nada, excepto entupir-nos o cérebro de informação estúpida e desnecessária. A coisa que mais me enerva é pegar no telemóvel quando já estou deitada e, quase sem dar por isso, perder uma hora ou mais a vegetar entre Instagram e Facebook. E depois sinto-me estúpida, porque era tempo que podia ter passado a ler, a ver uma série, a escrever, a fazer qualquer coisa de mais produtiva. Na passagem de ano falava sobre isto com uns amigos e eles diziam
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