Ora então aqui está
segunda-feira, março 07, 2011
Parece toda a gente muito preocupada por eu hoje não falar do Benfica. Ora então aqui está, A Bola diz tudo. Que o Roberto é frangueiro, disso ninguém duvida, mas que a arbitragem foi nojenta e para lá de escandalosa, disso também não restam dúvidas. O Jesus bem avisou que gostavam muito do Xistra lá pelos lados de Braga. Não se enganou. Parece que só assim é que se consegue parar o Benfica. Isso e ter equipas a fazer o jogo da vida e a comemorar golos (que não lhes adiantam nada) como se estivessem na final da Liga dos Campeões. Ah pois, que ganhar ao Benfica é melhor que ter saúde,é melhor que ter dinheiro, é melhor que tudo nesta vida. Fazemos uma época de merda, mas ganhámos ao Benfica, sempre podem dizer mais tarde. E depois é vê-los a abrir as perninhas ao Porto, devidamente amestrados, numa prostituição de bradar aos céus. C'est la vie! Importante é que o senhor Xistra agora possa comprar um bom carro e passar umas belas férias num país tropical. Afinal, o cheque deve dar para isso tudo e mais um par de botas.
Festival da Canção ou Portugal no seu melhor
segunda-feira, março 07, 2011
Quando chegámos ao hotel estava a dar o Festival da Canção. E eu, que tenho um certo fascínio por programas manhoso-deprimentes, deixei-me ficar a ver (nada a fazer, aquilo tem um efeito hipnotizante sobre mim). Já estava na parte das votações, mas previ que estava qualquer coisa de muito boa para acontecer ali. A parte em que ligam às capitais de distrito, só por si, já é memorável. Gostei muito quando a representante do júri de uma cidade qualquer, ao apresentar os seus colegas, dizia "connosco está o senhor não sei quê, mediador de seguros". Oi? Então mas isto agora é assim? Ser mediador de seguros já dá direito a lugar num júri de cantorias? Mas houve mais. Um funcionário público, um aluno de uma licenciatura em música (que foi apresentado assim "um aluno da licenciatura em música". Foi aquele, podia ter sido outro qualquer), etc e tal. E depois querem rigor e não sei quê. Bom, mas a melhor parte estava para vir. Depois de um desfile de músicas absolutamente pavorosas, e com o Nuno Norte (que é, provavelmente, o pior cantor da história mundial) a fazer figuras parvas, como se o primeiro lugar estivesse no papo e ele fosse, realmente, um cantor de jeito (a voz rouca não é estilo, é só mesmo falta de capacidade para mais), eis que chega a votação do público. E eis que os Homens da Luta, que foram só lá dar um shake it out naquilo e aparvalhar um evento que já não pode ser mais parvo, sacam o primeiro lugar, deixando o pequeno Nuno Norte com cara de órfão, a tentar perceber o que é que aconteceu ali. Ri-me durante duas horas. E ainda me ri mais com o coro de assobios, com a indignação geral e com a atitude de "quero lá saber disto, só cá vim para chatear" dos Homens da Luta. Gostei. Gostei mesmo. Porque ou isto quer dizer que, finalmente, estamos a ter algum sentido de humor, ou simplesmente significa que já nos estamos a marimbar para isto tudo. E que se é para ir lá fora fazer figuras tristes, ao menos que sejam assumidas. Há quem diga que ninguém vai perceber, que toda a gente vai achar que Portugal é só isto, uma cambada de campónios mal amanhados. Mas... não é mesmo isso que quase toda a gente pensa? Parece que estou a ver Portugal a enviar uma cartinha prévia à Eurovisão, como que em jeito de aviso. Do género "este ano houve aqui um probleminha, trocaram-nos as voltas, e ganhou uma música que bom... enfim... ninguém estava à espera. Mas atenção, que é tudo brincadeira. É só para a rambóia. Em Portugal já não usamos calças à boca-de-sino desde 1970, e as mulheres também não andam de lenço na cabeça e vestidas à minhota. É tudo para a paródia, hã? Dêem-nos lá o desconto, que em Portugal anda tudo a modos que apanhado dos cornos, com a crise, e o FMI e o diabo a quatro". Enfim. Nem me admirava nada se tentassem convencer os Homens da Luta a abdicar do título, a bem dos mais altos interesses da Nação. Sinceramente, acho que a música nem é má de todo (assim de repente, acho que foi a melhor que por lá passou este ano) e já fomos lá fora com músicas bem mais deprimentes. Esta é melodicamente divertida, com uma letra irónica e, vai-se a ver, e ainda vem de lá com uma bela pontuação. Regra geral ficamos em último, por isso não vai ser difícil fazer melhor. Cheira-me que, pela primeira vez, vou votar no Festival da Canção. A LUTA CONTINUA QUANDO O POVO SAI À RUA!
segunda-feira, março 07, 2011
Ao almoço ela perguntou-me "mas do que é que tu tens medo? De quem é que tens medo?". E eu preciso destes almoços e destes confrontos com a realidade para perceber que o caminho faz-se caminhando. Que, como diria Lili Caneças, é o contrário de estar parado. Que é o que eu tenho estado.
David Luiz: o coração na ponta da chuteira
sexta-feira, março 04, 2011
O ano passado, quando o Benfica foi campeão, o Diário de Notícias pediu-me que escrevesse um texto sobre um jogador do Benfica. Escolhi o David Luiz, o meu preferido. Infelizmente, já se pôs a andar (como todos os que são bons). Fica o texto, para a despedida.
- Fica quieto, David, meu filho.
- Mas manhêeeeeee… eu não quero cortar o cabelo, não!
- Tem de ser. Filho meu vai assim prá Europa, não.
- Mas mãe, lá ninguém liga prá isso. Todo mundo tem penteado assim meio esquisito.
- David, se você não parar vai ficar tudo sem jeito. Êta, menino arretado.
- Mas mãe, eu sou assim como Sansão. Se você corta meus caracóis eu perco minha força, não consigo chutar na bola.
- Deixa de besteira, menino Já estamos terminando. Já ‘tou conseguindo ver suas orelhas.
- Manhêee?
- Sim?
- ´Cê acha que eu vou fazer bonito lá na Europa?
- Ô, meu filho. Que pergunta! Os moços não vieram buscar você? Então é porque você é bom.
- Acha mesmo?
- Claro! Toda a Bahia vai ficar sabendo seu nome. O Vitória é demasiado pequeno para seu talento. ‘Cê tem de ir em Portugal e mostrar práquela gente como ‘cê é bom de bola.
- Mãe, ‘cê arrasou meus caracóis! Não sobrou nem unzinho.
- Tá melhor assim, meu filho. ‘Cê tem de ver a bola!
-…
- David?
- Sim, mãe.
- Não vai lá pra Portugal me envergonhar, não. Seja sempre agradecido, humilde, e não esquece de rezar prá Deus estar sempre com você.
- Sei disso, mãe.
- Que sabe, o quê? ‘Ce é um garoto!
- Já tenho 19 anos, sou garoto, não!
Quem conta um conto acrescenta um ponto. E nesta história, que é minha, foi assim que David Luiz Moreira Marinho se preparou para deixar o Esporte Clube Vitória, um clube da série C brasileira, para se aventurar num dos grandes da Europa. No maior do mundo, para sermos correctos, que esta história é minha e não há clube maior que o Benfica.
Confesso, não me lembro da primeira vez que vi o David Luiz a pisar a relva da Luz. Talvez porque tenha aquela sensação que ele esteve lá desde sempre. Há tanto tempo que faz parte da mobília, do rol de meninos queridos, dos intocáveis, dos insubstituíveis. David Luiz é sinónimo disso mesmo: inigualável. Há outros bons, quase tão bons, mas nenhum assim. Excepcional.
Andamos para trás no tempo, assentamos arraiais em Fevereiro de 2007, Paris. Num jogo para a Taça UEFA, David Luiz era lançado às feras. Por culpa de Luisão, lesionado, mas muito por vontade do mister, Fernando Santos, que queria ver como o miúdo se safava. Com uma semana de Benfica, a coisa correu mal. Atrapalhou-se, enervou-se, errou passes que não podia errar, contribuiu para um dos golos do Paris Saint-Germain. Um dos três que levaram à derrota do Benfica. No intervalo pediu para ficar sozinho, suplicou ajuda a Deus, achou que seria enfiado no primeiro avião de volta ao Brasil. “Vi o mundo cair sobre a minha cabeça naqueles cinco minutos. Mas penso que a segunda parte desse jogo de Paris foi a prova de que era aquele o meu momento e que a partir dali poderia provar o meu valor dentro de campo. Foi ali que começou esta caminhada tão positiva”, diria mais tarde. Não estava errado. O jogo correu mal, paciência, mas toda a gente lhe reconheceu o talento, a raça, a persistência, a vontade de querer fazer sempre mais e melhor. Redimiu-se pouco tempo depois. A 1 Abril, na Luz, assegurava o empate contra o Porto. Não era mentira, era só aquilo a que nos começava a habituar.
- Mãe?
- Que é, David?
- ‘Cês vão me visitar em Portugal?
- Sei não, filho. É muito longe, tem um oceano separando a gente. Mas se der a gente vai. E ligamos p’ra você todo dia.
- Se eu ficar rico posso comprar uma casa p’ra vocês lá. Bem perto da praia, p’ra papai poder continuar pescando.
- ‘Cê sempre foi bom menino.
- Mãe, eu posso levar meus chapéus?
- Mas, meu filho, cê tem um monte deles. Quer levar todos?
- É. Pr’a dar sorte.
Na apresentação oficial, o miúdo das borbulhas adolescentes agarrava a camisola 23 e agradecia a oportunidade. Dizia querer sonhar cada vez mais alto. “Sou um jogador que me entrego ao máximo. Deixava sempre a pele em campo pelo Vitória da Bahia e aqui não vai ser diferente. Vou pôr o coração na ponta da chuteira sempre que jogar. Esse é que vai ser o meu ponto forte”, prometia. Magro demais, já com um metro e oitenta e cinco, caracóis rentes e polegares esticados, como quem diz que vai correr tudo bem. Correu assim-assim. Nesse ano o Brasil chamou-o para o mundial de sub-20, no Canadá, e acabou a época no Benfica como uma das grandes promessas, um talento a manter debaixo de olho, o contrato renovado até 2013 e uma cláusula de rescisão de 50 milhões de euros. Mas, no ano seguinte, o miúdo contratado para resolver a crise de centrais foi obrigado a parar por lesão. Uma época quase perdida, o tempo para os caracóis estilo fusilli crescerem, sempre escondidos pelos muitos gorros e chapéus da colecção.
O Benfica não desistiu dele, nem ele do Benfica. Começou a ser trabalhado para jogar como defesa esquerdo, para tapar buracos, para usar a altura como muro e não deixar passar ninguém. Novo azar, mais lesões, mais uma época irregular, mas sempre com os tais sinais de “special one”. Nem duas operações ao pé direito faziam parar o menino que andava à boleia dos colegas, por ainda não ter carta. Nada o impedia de fazer-se aos lances. “Se fugir do choque vou jogar ténis”, ironizava. O Benfica de Quique Flores insistiu em mantê-lo a defesa esquerdo, Jesus viu mais além, que para isso lhe serve o apelido, e trouxe-o de volta à posição original.
Hoje David Luiz é um central cobiçado por meio mundo (vade retro, Real Madrid), todos os olhos estão nele, mas nem sempre foi assim. Foi um acaso, uma questão de tamanho, um mal que virou um trunfo. Aos 16 anos era pequeno, franzino, rápido, muito ágil. Tinha tudo o que precisava para ser um bom médio-ofensivo e era nessa posição que brilhava. Mas depois começou a crescer. E a crescer. E a crescer. Em dois meses esticou 17 centímetros, inexplicavelmente. Passou das chuteiras 39 para as 43, e foi obrigado a recuar no terreno. Primeiro para trinco, depois para defesa central. Há pouco tempo, depois de um jogo, David mandava um recado a Quique Flores. Lamentava que nunca o tivesse deixado jogar onde se sentia confortável. Não era uma desculpa pela má época do Benfica com o espanhol, era a convicção de quem é bom naquilo que faz. Quando está no sítio certo.
- Mãe?
- Diz, meu filho.
- ‘Cê acha que um dia eu vou jogar em Itália ou em Espanha?
- Isso eu não sei. Mas ‘cê tem de se esforçar, fazer melhor todo o dia. Se você vacila, aí, menino, não tem volta, não.
- Sei disso, mãe. Em Portugal tem moça bonita?
- Que é isso, menino? ‘Cê vai p’ra Portugal p’rá jogar à bola, não é p’ra ficar se perdendo olhando p’rás garotas.
- Com esse cabelo curto desse jeito ninguém vai olhar p’rá mim, mesmo.
- Deixa de besteira. ‘Cê é bonito de qualquer jeito.
Já não imagino o Benfica sem o David Luiz. Sem os caracóis saltitantes e raçudos que percorrem o campo de ponta a ponta. O homem que joga com o coração na boca, que veste a camisola vermelha como se nunca tivesse conhecido outra, que bate com a mão no peito em jeito de desafio. Ai de quem se meta com o seu Benfica. No último jogo com o Braga, na Luz, uma faixa dizia tudo: “David Luiz, tu és 10, 100, 1000, o melhor de Portugal e do Brasil”. E eu arrepio-me, comovo-me e agradeço a sorte de poder escrever sobre ele.
(DN, Maio 2010)
Corrida da Mulher
quinta-feira, março 03, 2011
Esta semana, e com esta gripe que se me instalou, ainda não consegui ir correr, e isso irrita-me. Lá se vai a média das três vezes por semana., que estava a ser seguida à risca. E está bom de ver que quando voltar nem me vou conseguir mexer. E a coisa até nem estava a correr mal. Já ia na parte do plano em que se corre vinte minutos, mais dez, mais cinco, mais cinco (intervalado com um minuto de marcha), e a próxima sessão já serão trinta minutos sem parar. Nada mal. Só de pensar que comecei por correr três minutos e achei que me ia dar um fanico, conseguir correr 20 é um verdadeiro feito. Mas pronto, esta paragem não é nada boa, até porque a mini-maratona está aí e assim não há maneira de me vir a transformar numa Nandinha Ribeiro (com menos pêlos). Entretanto, já tenho outra corridinha em vista, a Corrida da Mulher (29 de Maio). Como o nome indica, menino não entra e as receitas revertem para a Liga Portuguesa Contra o Cancro. A parte gira, para além de se correr cinco quilómetros (coisinha pouca, não custa nada), é que a Reebok, a patrocinadora do evento, vai deixar o design da t-shirt oficial nas mãos das participantes. Ou seja, qualquer pessoa se pode chegar à frente e criar um desenho original e supimpa. O que ganhar, será estampado em qualquer coisa como 15 mil t-shirts. Em troca, recebe um equipamento completo da Reebok. Têm até 10 de Março (o prazo foi prolongado) e podem ler mais aqui. Cheguem-se à frente, minhas amigas. E inscrevam-se na corridinha, que vale sempre a pena mexer o rabo.
quarta-feira, março 02, 2011
No domingo ia tendo uma apoplexia nervosa na Luz. Aquele jogo deu cabo de mim. Acho que nunca gritei tanto, nunca disse tanta asneira, nunca tive tanta vontade de entrar em campo e correr o árbitro e toda a equipa contrária à chapada. Como se não bastasse, aquelas correntezas de ar ainda fizeram baixar em mim uma daquelas gripes que mete tosse, ranho, nariz entupido e fala à Nasex. Mas pronto, hoje lá estarei outra vez, com o coração nas mãos. E a rezar para que a lagartagem continue na sua caminhada de derrota atrás de derrota, que assim é que a coisa está bem. E que não lhes dê para se lembrarem de jogar bem e marcar golos, que já ninguém está habituado a isso. Quietinhos, sim? Benficaaaaaaaaaaaa!
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