
domingo, maio 10, 2009
Mais uma boda, a terceira do ano. Desta feita, a da C., que estava linda, linda, e nem a chuva fez mossa. Excepto nos meus pés, que consegui enfiar em várias poças de água com alguma profundidade. Raisparta, que fazem uma pessoa acreditar que já é verão e depois, tufas, toma lá com uma carga de água em cima dos ossos.


sexta-feira, maio 08, 2009
Se há algumas mulheres que se podem gabar de ter um namorado daqueles perfeitos, perfeitos, a mim o devem. Acredito piamente que os trastes que me foram passando pelas mãos são hoje excelentes exemplos daquilo que um homem deve ser. Comigo tinham medo de relações, eram desligados, maluquinhos, indecisos, inseguros, amorfos, indiferentes, complicados, deprimidos, medrosos, incapazes de fazer surpresas, sem sentido de moda, sem gosto por viagens e por tudo quanto fosse assim mais dinâmicozinho (ou implicasse andar, vá), traumatizados, infelizes ou, simplesmente, palhaços. Já apanhei de tudo nesta vida. E o que me lixa é que sei que os chateei tanto, que lhes dei tantos conselhos úteis e pertinentes que, basicamente, os andei a preparar para serem uns namorados de primeira categoria. Para as gajas que se seguiram a mim, claro. No fundo, comigo fizeram uma espécie de estágio. Depois eu transformei-os em homens melhores, mais dedicados, e eles lá foram à vidinha deles, prontinhos para fazer outra qualquer feliz. É por isso que se me disserem que um ex-namorado avesso ao compromisso vai casar ao fim de três semanas de namoro, ou que um ex-namorado que odeia aviões está prestes a dar a volta ao mundo com a nova cara-metade, eu acho normal. Nada me espanta. Se as larvas se transformam em borboletas, os ex-namorados ranhosos também podem passar a príncipes. Fui eu que os preparei para isso. Eu sei que também devo ter algumas coisinhas a agradecer às ex do meu homem. Está certo que não lhe conseguiram arrancar as sandálias nem os calções, mas eu já tratei disso. E se algum dia acabarmos, vai ser essa a herança que ele vai levar para uma nova relação. Nada de sandálias, nada de calções.
É por isto, minhas amigas, que temos de ser umas para as outras. Não se importem de exigir sempre mais e mais do vosso gajo. Na verdade, estão apenas a prepará-lo para ele fazer outra gaja feliz e, consequentemente, para ele próprio ser mais feliz também. E o que mais podemos nós pedir desta vida, se não a felicidade alheia?
É por isto, minhas amigas, que temos de ser umas para as outras. Não se importem de exigir sempre mais e mais do vosso gajo. Na verdade, estão apenas a prepará-lo para ele fazer outra gaja feliz e, consequentemente, para ele próprio ser mais feliz também. E o que mais podemos nós pedir desta vida, se não a felicidade alheia?
segunda-feira, maio 04, 2009
Pequenada do meu coração, a partir de agora também me podem ler, semanalmente, no 24 Horas. Tenho uma crónica aos sábados, muito jeitosa, por sinal. A primeira é de graça, como prova do meu amor. Daqui para a frente, terão que se chegar à frente com um eurito, mas olhem, antes para isso do que para Tamiflu.
Corações em crise
Ser mulher, solteira e caminhar a passos largos para os 30 não é coisa boa em parte nenhuma do mundo, menos ainda em Lisboa, onde o pavimento é tão pouco amigo dos saltos. Não falo por mim, que já estou servida e, à partida, desenrascada para a vida, mas ainda me lembro bem de como a busca foi difícil. A verdade é que o mercado relacional está como a bolsa, em queda acentuada, e só quem tem namoros daqueles que duram desde 1987 é que pode achar que isto está tudo uma maravilha. Lamento ser eu a portadora de más notícias, mas não está.
Tenho para mim que, nos dias que correm, é mais fácil acertar quatro vezes consecutivas no Euromilhões do que arranjar um namorado. E aqui convém definir o conceito namorado, que é para o estimado leitor não vir já de dedinho em riste a gritar “é fácil, sim senhor, que ainda a semana passada a minha prima que é cabeleireira no Samouco pôs umas fotos na net e agora namora com um rapaz muito jeitoso, que por acaso até esteve detido por tráfico de droga e por bater em mulheres, mas é uma jóia de moço”.
Ora bem, por namorado uma mulher entende um homem que não seja complicadinho dos nervos. Só isto. Se calhar é o mesmo que exigir que o Nuno Gomes marque quatro golos numa época, uma impossibilidade (ou um milagre), mas é só mesmo isto que se espera. Chega de homens que não sabem o que querem (“estou tão confuso, compro o Pro Evolution Soccer 26 ou o Championship Manager 35?”). Chega de homens que ouvem a palavra casamento e se atiram para o chão aos guinchos, a pele subitamente a explodir numa urticária aguda. Chega de homens fiteiros que aos 37,6 de febre já estão a redigir as primeiras palavras do testamento. Chega de homens que não sabem a diferença óbvia entre o bege e o caqui.
Não se pede um namorado muito giro, ao melhor estilo George Clooney em tronco nu, que a partir de certa altura é preciso redefinir as prioridades (e baixar o grau de exigência). Mas quer-se um namorado lavadinho, dedicado, que pague o primeiro jantar, que não repita diariamente que a sopa da mãe é que é boa, que não troque uma ida à Zara por uma tarde de bola, que ao fim de uma semana de namoro (duas, vá) esteja pronto a juntar as escovas de dentes. E que nunca, mas nunca na vida ouse dizer “mais sapatos???? Mas já tens tantos!”.
Ainda há uns quantos exemplares que encaixam no perfil desejado, mas contam-se pelos dedos. E, se uma pessoa se distrai, são rapinados por qualquer outra predadora desesperada enquanto o diabo esfrega um olho. É que os homens interessantes são como um belo lugar de estacionamento no Bairro Alto: de vez em quando vaga um, mas rapidamente é ocupado. E ou se deixa de conduzir de vez ou se começa a estacionar em tudo quanto é lugar proibido. É que se não formos nós há-de ser outra.
Corações em crise
Ser mulher, solteira e caminhar a passos largos para os 30 não é coisa boa em parte nenhuma do mundo, menos ainda em Lisboa, onde o pavimento é tão pouco amigo dos saltos. Não falo por mim, que já estou servida e, à partida, desenrascada para a vida, mas ainda me lembro bem de como a busca foi difícil. A verdade é que o mercado relacional está como a bolsa, em queda acentuada, e só quem tem namoros daqueles que duram desde 1987 é que pode achar que isto está tudo uma maravilha. Lamento ser eu a portadora de más notícias, mas não está.
Tenho para mim que, nos dias que correm, é mais fácil acertar quatro vezes consecutivas no Euromilhões do que arranjar um namorado. E aqui convém definir o conceito namorado, que é para o estimado leitor não vir já de dedinho em riste a gritar “é fácil, sim senhor, que ainda a semana passada a minha prima que é cabeleireira no Samouco pôs umas fotos na net e agora namora com um rapaz muito jeitoso, que por acaso até esteve detido por tráfico de droga e por bater em mulheres, mas é uma jóia de moço”.
Ora bem, por namorado uma mulher entende um homem que não seja complicadinho dos nervos. Só isto. Se calhar é o mesmo que exigir que o Nuno Gomes marque quatro golos numa época, uma impossibilidade (ou um milagre), mas é só mesmo isto que se espera. Chega de homens que não sabem o que querem (“estou tão confuso, compro o Pro Evolution Soccer 26 ou o Championship Manager 35?”). Chega de homens que ouvem a palavra casamento e se atiram para o chão aos guinchos, a pele subitamente a explodir numa urticária aguda. Chega de homens fiteiros que aos 37,6 de febre já estão a redigir as primeiras palavras do testamento. Chega de homens que não sabem a diferença óbvia entre o bege e o caqui.
Não se pede um namorado muito giro, ao melhor estilo George Clooney em tronco nu, que a partir de certa altura é preciso redefinir as prioridades (e baixar o grau de exigência). Mas quer-se um namorado lavadinho, dedicado, que pague o primeiro jantar, que não repita diariamente que a sopa da mãe é que é boa, que não troque uma ida à Zara por uma tarde de bola, que ao fim de uma semana de namoro (duas, vá) esteja pronto a juntar as escovas de dentes. E que nunca, mas nunca na vida ouse dizer “mais sapatos???? Mas já tens tantos!”.
Ainda há uns quantos exemplares que encaixam no perfil desejado, mas contam-se pelos dedos. E, se uma pessoa se distrai, são rapinados por qualquer outra predadora desesperada enquanto o diabo esfrega um olho. É que os homens interessantes são como um belo lugar de estacionamento no Bairro Alto: de vez em quando vaga um, mas rapidamente é ocupado. E ou se deixa de conduzir de vez ou se começa a estacionar em tudo quanto é lugar proibido. É que se não formos nós há-de ser outra.
domingo, maio 03, 2009
Foi o melhor fim-de-semana do ano, so far. Sol como se quer e o primeiro semi-escaldão num ombro, que é para não me armar em espertinha. Sexta dedicada a casamento. Sábado com almoço em cima da praia e todas as revistas do social folheadas de uma ponta à outra (não há melhor quando chega o calor. É isso e bolas de berlim, só fazem sentido no verão e na praia). À tarde seguiu-se a Feira do Livro, alegria anual. Uma pequena fortuna que lá deixei, mas uma pilha de livros novos nos sacos. A ideia era visitar o João Tordo, mas acabei a falar com o Lobo Antunes (não faz mal, são os dois bons). Uma hora de fila para chegar ao senhor (porque as pessoas acham que o Lobo Antunes gosta de as ouvir falar sobre as suas vidas, e do quanto apreciam os seus livros, e de como em pequeninos sempre sonharam ser escritores). Apanhei-o na pior altura, a comer um Calipo de morango. Às tantas fartou-se. "Chega desta porcaria, desta obscenidade". Do parque Eduardo VII para a esplanada da Bénard. O Chiado ao rubro de gente e calor, e um croissant com chocolate à minha frente. As primeiras Melissa nos pés, novinhas, novinhas. Dois dedos de conversa no Bairro e paragem no japonês para abastecer. Benfica a perder. Pior, Benfica a perder com um golo de um senhor chamado Ruben Micael. Sushi meio atravessado. Estender as pernas no sofá, começar a ler um dos novos livros. Namorado a dormir com a cabeça no meu colo, tipo cão. A melhor companhia do mundo. Hoje é domingo e está-se em casa a trabalhar. C'est la vie.

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