quinta-feira, janeiro 29, 2009
Discutir é bom e eu gosto (às vezes)
Eu e o meu homem discutimos. Não é todos os dias, não estamos sempre pegados, mas de quando em vez discutimos. E algumas discussões são daquelas mesmo boas, daquelas que vêm mesmo a calhar em dias que nos apetece mandar vir com alguém. Não acredito em relações que não metam uns bons gritos de quando em vez. Não acredito. Geralmente, são sinónimo de qualquer coisa mais grave. Do género, já estão tão acomodados que nem vale a pena estar a discutir. Discutir para quê? Sobre quê? Fico nervosa com casais que estão sempre óptimos. Que nunca têm uma crise. Que se dizem iguaizinhos. Que gostam exactamente das mesmas coisas. Que são capazes de fazer tudo juntos, 24 sobre 24 horas. E que nunca se fartam. Nunquinha. Acho sinistro. A ausência de discussão numa relação é mais ou menos o mesmo que uma criança que está no quarto quietinha e em silêncio: alguma estão a aprontar. E, mais tarde, ou mais cedo, a coisa acaba por estalar. E quando estala, geralmente é em grande.
É por isso que eu dou graças a Deus pelas minhas discussõezinhas que, acredito, têm belos efeitos terapêuticos e me parecem sinal de normalidade. O meu homem, que é um doce (para além de santo), diz que as nossas discussões nunca põem em causa aquilo que sente por mim. Eu sou mais intempestiva, há sempre ali dois a quatro segundos em que penso que não lhe quero voltar a pôr a vista em cima nos próximos seis anos. Depois acalmo. Quando estou sozinha e não tenho que competir pela razão, lá admito que algumas vezes (raras) as coisas que ele diz até fazem algum sentido (mas pouco, pouquíssimo, hã?, nada de usar isto contra mim em discussões futuras). Às vezes dou o braço a torcer, outras vezes dá ele por mim. Importante, importante é que, no final, ninguém vire as costas.
A verdade é que as mulheres precisam tanto de uma boa discussão como de comprar um par de sapatos por mês. Desculpem lá, mas são coisas que fazem falta. E não há nada pior que uma pessoa chegar a casa com vontade de discutir e levar com um homem que só diz "sim, querida, tens razão, querida", ou, pior, "quando estiveres mais calma falamos". Nós queremos falar é naquela altura, quando estivermos calmas já não tem graça nenhuma, não é uma discussão, é uma conversinha! Queremos despejar a nossa fúria! Queremos que ele assuma as nossas dores e fique tão enervado como nós estamos! Quando uma mulher quer discutir, é deixá-la! Tentar refrear os ânimos é ainda pior. E, para além disso, um homem que não sabe mandar um par de berros na devida altura não nos serve para coisa nenhuma. A primeira vez que o meu homem elevou a voz assim à séria, eu achei até muito sexy e, na minha cabeça, dei a discussão por terminada (só na minha cabeça, porque na prática tinha que continuar até ele me dar razão). A sério, se as mulheres quisessem um pacifista, andavam com monges tibetanos. E, claro, não nos podemos esquecer que muitas discussões acabam em make up sex por isso, no final, saímos todos a ganhar, não é verdade?
Pronto, termino com o envio de muitos beijinhos e abraços ao meu homem, que discute comigo quando tem que ser, e que por isso e por muito, muito, muito mais (tipo, deixar-me dançar na Fnac, secção de dvds, e só ter um bocadinho de nada de vergonha), é a pessoa mais incrível que me passou pela vidinha.
Eu e o meu homem discutimos. Não é todos os dias, não estamos sempre pegados, mas de quando em vez discutimos. E algumas discussões são daquelas mesmo boas, daquelas que vêm mesmo a calhar em dias que nos apetece mandar vir com alguém. Não acredito em relações que não metam uns bons gritos de quando em vez. Não acredito. Geralmente, são sinónimo de qualquer coisa mais grave. Do género, já estão tão acomodados que nem vale a pena estar a discutir. Discutir para quê? Sobre quê? Fico nervosa com casais que estão sempre óptimos. Que nunca têm uma crise. Que se dizem iguaizinhos. Que gostam exactamente das mesmas coisas. Que são capazes de fazer tudo juntos, 24 sobre 24 horas. E que nunca se fartam. Nunquinha. Acho sinistro. A ausência de discussão numa relação é mais ou menos o mesmo que uma criança que está no quarto quietinha e em silêncio: alguma estão a aprontar. E, mais tarde, ou mais cedo, a coisa acaba por estalar. E quando estala, geralmente é em grande.
É por isso que eu dou graças a Deus pelas minhas discussõezinhas que, acredito, têm belos efeitos terapêuticos e me parecem sinal de normalidade. O meu homem, que é um doce (para além de santo), diz que as nossas discussões nunca põem em causa aquilo que sente por mim. Eu sou mais intempestiva, há sempre ali dois a quatro segundos em que penso que não lhe quero voltar a pôr a vista em cima nos próximos seis anos. Depois acalmo. Quando estou sozinha e não tenho que competir pela razão, lá admito que algumas vezes (raras) as coisas que ele diz até fazem algum sentido (mas pouco, pouquíssimo, hã?, nada de usar isto contra mim em discussões futuras). Às vezes dou o braço a torcer, outras vezes dá ele por mim. Importante, importante é que, no final, ninguém vire as costas.
A verdade é que as mulheres precisam tanto de uma boa discussão como de comprar um par de sapatos por mês. Desculpem lá, mas são coisas que fazem falta. E não há nada pior que uma pessoa chegar a casa com vontade de discutir e levar com um homem que só diz "sim, querida, tens razão, querida", ou, pior, "quando estiveres mais calma falamos". Nós queremos falar é naquela altura, quando estivermos calmas já não tem graça nenhuma, não é uma discussão, é uma conversinha! Queremos despejar a nossa fúria! Queremos que ele assuma as nossas dores e fique tão enervado como nós estamos! Quando uma mulher quer discutir, é deixá-la! Tentar refrear os ânimos é ainda pior. E, para além disso, um homem que não sabe mandar um par de berros na devida altura não nos serve para coisa nenhuma. A primeira vez que o meu homem elevou a voz assim à séria, eu achei até muito sexy e, na minha cabeça, dei a discussão por terminada (só na minha cabeça, porque na prática tinha que continuar até ele me dar razão). A sério, se as mulheres quisessem um pacifista, andavam com monges tibetanos. E, claro, não nos podemos esquecer que muitas discussões acabam em make up sex por isso, no final, saímos todos a ganhar, não é verdade?
Pronto, termino com o envio de muitos beijinhos e abraços ao meu homem, que discute comigo quando tem que ser, e que por isso e por muito, muito, muito mais (tipo, deixar-me dançar na Fnac, secção de dvds, e só ter um bocadinho de nada de vergonha), é a pessoa mais incrível que me passou pela vidinha.
domingo, janeiro 25, 2009
A porta está só encostada
(texto publicado no Lux Frágil, nº5)
Liguei o computador para escrever sobre o amor. Vinha cheia de ideias, sentimentos, frases tão feitas e tão inspiradoras que nem o nevoeiro-à-D. Sebastião que paira sobre Lisboa as conseguiria dissipar. Até que me deparei com a folha em branco, o cursor a piscar, insistente, a pedir palavras. E percebi que isso era o mais fácil. Escrever sobre o amor, viver com amor, acordar e dormir com amor, é o mais fácil. A partir do momento em que se tem, é tudo de uma facilidade relativa. Difícil é viver sem ele
Nada de equívocos, nada de vozes contestatárias. Partilhar a vida - sei-o eu, sabemos todos -, não é pêra doce. Não é com moeda ao ar que se decide quem vai primeiro para o duche de manhã, quem trata da loiça, quem leva o cão à rua quando os termómetros mal roçam aos valores positivos. Não é de cara alegre que se dá o braço a torcer, que se engolem sapos do tamanho de prédios de três andares, que se ensaia um pedido de desculpas. Não baixa em nós, subitamente, um manto de altruísmo que faz com que a divisão e a partilha se transformem na oitava maravilha (no tempo em que só havia sete, agora perdemos-lhe a conta), operações tão simples de realizar que até dão gosto.
Ter amor, viver com amor, fazer com que as coisas resultem, dá trabalho. Chatices pegadas. Discussões de bater com a porta. Ralações que nos levam minutos de vida saudável. Mas, não me lixem, não é, nunca será pior, que não ter ninguém. Já se sabe que há quem goste, quem viva assim por opção, sobre esses estamos conversados. Mas querer e não ter, procurar e não saber onde se encontra, viver com a solidão como inquilina, não é coisa que se deseje por tempo indeterminado.
É boa a sensação de ter a casa por nossa conta por um dia, uma semana. É bom pôr fim a uma relação que nos consome, ficar em silêncio. É aceitável jurar a pés juntos que não nos voltaremos a meter noutra, pelo menos enquanto a memória ou dor causada pela última ainda estiverem demasiado avivadas. O problema é que passa. O chavão que ninguém quer ouvir, sobretudo quando tem o coração mais passado que carne picada, faz sentido: não há nada que o tempo não cure. Mesmo que não se saiba o que fazer com esse tempo. Pior, mesmo que não se saiba quanto tempo dura esse tempo. Há sempre um dia que se acorda e já passou. E estamos, de novo, disponíveis no mercado das relações. Mais velhos, menos fantasiosos, mais experientes, mais de pé atrás, mais ou menos disponíveis, mas de novo no mercado. E a roda volta a girar.
Não sou uma descrente. Não digo, como escreveu o Miguel Esteves Cardoso numa crónica tão fatalista quanto brilhante, que o amor fechou a porta. Que já ninguém se apaixona de verdade. Que já ninguém quer viver um amor impossível. Que já ninguém aceita amar sem uma razão. Que a paixão, que deveria ser desmedida, é na medida do possível. Que os namorados de hoje são embrutecidos e cobardes, incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia. Isto tudo disse ele, génio das palavras, não eu. Se calhar é porque tenho amor na minha vida, estou na fase cor-de-rosa. E porque vivi ainda pouco, mas o suficiente para saber que a porta do amor nunca se fecha. Está é encostada. Pelo menos, dá-me mais jeito pensar assim.
É preciso já ter vivido com amor, com paixão estúpida, para saber como é a vida sem eles. Para lhes dar valor quando nos entram pela porta só encostada, quase sempre sem se fazerem anunciar. É preciso já ter sentido vontade de morrer - que é diferente de sentir vontade de nos matarmos, que amores à Romeu e Julieta não há assim tantos. É só aquela coisa de não se estar bem em lado nenhum, de ver o amor em todos os sítios menos ao nosso lado. Aquela coisa de não ter vontade de saltar da cama. A sensação que há uma nuvem cinzenta localizada em cima da nossa cama, a largar chuva dia e noite. Não ter fome, não ter frio, não ter nada. Só aquela bola imensa que vai da garganta ao estômago, que não desaparece nem por nada. E a certeza, tantas vezes absoluta, que nunca mais se voltará a ser feliz, intercalada com a outra certeza, aquela que diz que assim é que se está bem, num processo de verdadeira esquizofrenia que vai do riso à lágrima em menos de três segundos.
Viver sem amor, com a alma em suspenso, não é mal que se deseje a ninguém, (não vá o feitiço virar-se contra o feiticeiro, e depois é que são elas). Porque, em bom português, é uma merda. Devia constar dos censos e tudo. Gostava que as pessoas que mandam nisto se dedicassem a ver quantas pessoas vivem sem amor. Quantas são menos produtivas à conta disso. Quantas encarecem o sistema nacional de saúde, com depressões, ataques de pânico e afins. E quantas é que não prefeririam uma cara-metade a um aumento de salário. Chegue eu um dia ao governo e uma das primeiras medidas será essa: amor para toda a gente, dê lá por onde der.
O amor faz falta pelas coisas mais comezinhas. Para ter alguém com quem ir almoçar. Para provocar uma discussão quando a vida corre mal e se quer descarregar em cima de alguém. Para festinhas na alma. Para dividir as contas. Para mostrar à família que, afinal, há alguém que nos pegue. Para se poder usar um vestido de noiva. Para se ter um ar respeitável e acabar com a imagem de estroina. Para combater o medo do escuro. Para ter sexo com frequência. Para ter sempre um ombro onde chorar. Para nos sentirmos completos. Não é isto, tudo isto e ainda mais, que dá sentido à vida?
Longe de mim a postura messiânica, estar para aqui a pregar das virtudes do amor. Cada um é como cada qual. Se calhar há mesmo quem nunca vá encontrar alguém. Se calhar há mesmo quem nunca tenha conhecido o amor e não precise nem queira. Se calhar há mesmo quem hasteie a bandeira da solidão e a faça abanar ao vento, orgulhosamente. Se calhar há quem não precise de mais companhia que da dos livros, dos filmes, de um cocker spaniel. Mas eu, que tenho amor e que sei como é não ter, não quero andar para trás. Que ninguém me tire os beijos, os amuos, os abraços, as discussões, a contagem de segundos até o ver outra vez. E como eu há muita gente. É por isso que, a quem vive com as dificuldades típicas de quem não tem amor, reforço que a porta está só encostada. Que o tempo, aquele tempo, vai passar, e o amor não tem por que não entrar aos atropelos. Que “o amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita. Não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar. O amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe”. Diz o MEC. E digo eu.
(texto publicado no Lux Frágil, nº5)
Liguei o computador para escrever sobre o amor. Vinha cheia de ideias, sentimentos, frases tão feitas e tão inspiradoras que nem o nevoeiro-à-D. Sebastião que paira sobre Lisboa as conseguiria dissipar. Até que me deparei com a folha em branco, o cursor a piscar, insistente, a pedir palavras. E percebi que isso era o mais fácil. Escrever sobre o amor, viver com amor, acordar e dormir com amor, é o mais fácil. A partir do momento em que se tem, é tudo de uma facilidade relativa. Difícil é viver sem ele
Nada de equívocos, nada de vozes contestatárias. Partilhar a vida - sei-o eu, sabemos todos -, não é pêra doce. Não é com moeda ao ar que se decide quem vai primeiro para o duche de manhã, quem trata da loiça, quem leva o cão à rua quando os termómetros mal roçam aos valores positivos. Não é de cara alegre que se dá o braço a torcer, que se engolem sapos do tamanho de prédios de três andares, que se ensaia um pedido de desculpas. Não baixa em nós, subitamente, um manto de altruísmo que faz com que a divisão e a partilha se transformem na oitava maravilha (no tempo em que só havia sete, agora perdemos-lhe a conta), operações tão simples de realizar que até dão gosto.
Ter amor, viver com amor, fazer com que as coisas resultem, dá trabalho. Chatices pegadas. Discussões de bater com a porta. Ralações que nos levam minutos de vida saudável. Mas, não me lixem, não é, nunca será pior, que não ter ninguém. Já se sabe que há quem goste, quem viva assim por opção, sobre esses estamos conversados. Mas querer e não ter, procurar e não saber onde se encontra, viver com a solidão como inquilina, não é coisa que se deseje por tempo indeterminado.
É boa a sensação de ter a casa por nossa conta por um dia, uma semana. É bom pôr fim a uma relação que nos consome, ficar em silêncio. É aceitável jurar a pés juntos que não nos voltaremos a meter noutra, pelo menos enquanto a memória ou dor causada pela última ainda estiverem demasiado avivadas. O problema é que passa. O chavão que ninguém quer ouvir, sobretudo quando tem o coração mais passado que carne picada, faz sentido: não há nada que o tempo não cure. Mesmo que não se saiba o que fazer com esse tempo. Pior, mesmo que não se saiba quanto tempo dura esse tempo. Há sempre um dia que se acorda e já passou. E estamos, de novo, disponíveis no mercado das relações. Mais velhos, menos fantasiosos, mais experientes, mais de pé atrás, mais ou menos disponíveis, mas de novo no mercado. E a roda volta a girar.
Não sou uma descrente. Não digo, como escreveu o Miguel Esteves Cardoso numa crónica tão fatalista quanto brilhante, que o amor fechou a porta. Que já ninguém se apaixona de verdade. Que já ninguém quer viver um amor impossível. Que já ninguém aceita amar sem uma razão. Que a paixão, que deveria ser desmedida, é na medida do possível. Que os namorados de hoje são embrutecidos e cobardes, incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia. Isto tudo disse ele, génio das palavras, não eu. Se calhar é porque tenho amor na minha vida, estou na fase cor-de-rosa. E porque vivi ainda pouco, mas o suficiente para saber que a porta do amor nunca se fecha. Está é encostada. Pelo menos, dá-me mais jeito pensar assim.
É preciso já ter vivido com amor, com paixão estúpida, para saber como é a vida sem eles. Para lhes dar valor quando nos entram pela porta só encostada, quase sempre sem se fazerem anunciar. É preciso já ter sentido vontade de morrer - que é diferente de sentir vontade de nos matarmos, que amores à Romeu e Julieta não há assim tantos. É só aquela coisa de não se estar bem em lado nenhum, de ver o amor em todos os sítios menos ao nosso lado. Aquela coisa de não ter vontade de saltar da cama. A sensação que há uma nuvem cinzenta localizada em cima da nossa cama, a largar chuva dia e noite. Não ter fome, não ter frio, não ter nada. Só aquela bola imensa que vai da garganta ao estômago, que não desaparece nem por nada. E a certeza, tantas vezes absoluta, que nunca mais se voltará a ser feliz, intercalada com a outra certeza, aquela que diz que assim é que se está bem, num processo de verdadeira esquizofrenia que vai do riso à lágrima em menos de três segundos.
Viver sem amor, com a alma em suspenso, não é mal que se deseje a ninguém, (não vá o feitiço virar-se contra o feiticeiro, e depois é que são elas). Porque, em bom português, é uma merda. Devia constar dos censos e tudo. Gostava que as pessoas que mandam nisto se dedicassem a ver quantas pessoas vivem sem amor. Quantas são menos produtivas à conta disso. Quantas encarecem o sistema nacional de saúde, com depressões, ataques de pânico e afins. E quantas é que não prefeririam uma cara-metade a um aumento de salário. Chegue eu um dia ao governo e uma das primeiras medidas será essa: amor para toda a gente, dê lá por onde der.
O amor faz falta pelas coisas mais comezinhas. Para ter alguém com quem ir almoçar. Para provocar uma discussão quando a vida corre mal e se quer descarregar em cima de alguém. Para festinhas na alma. Para dividir as contas. Para mostrar à família que, afinal, há alguém que nos pegue. Para se poder usar um vestido de noiva. Para se ter um ar respeitável e acabar com a imagem de estroina. Para combater o medo do escuro. Para ter sexo com frequência. Para ter sempre um ombro onde chorar. Para nos sentirmos completos. Não é isto, tudo isto e ainda mais, que dá sentido à vida?
Longe de mim a postura messiânica, estar para aqui a pregar das virtudes do amor. Cada um é como cada qual. Se calhar há mesmo quem nunca vá encontrar alguém. Se calhar há mesmo quem nunca tenha conhecido o amor e não precise nem queira. Se calhar há mesmo quem hasteie a bandeira da solidão e a faça abanar ao vento, orgulhosamente. Se calhar há quem não precise de mais companhia que da dos livros, dos filmes, de um cocker spaniel. Mas eu, que tenho amor e que sei como é não ter, não quero andar para trás. Que ninguém me tire os beijos, os amuos, os abraços, as discussões, a contagem de segundos até o ver outra vez. E como eu há muita gente. É por isso que, a quem vive com as dificuldades típicas de quem não tem amor, reforço que a porta está só encostada. Que o tempo, aquele tempo, vai passar, e o amor não tem por que não entrar aos atropelos. Que “o amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita. Não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar. O amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe”. Diz o MEC. E digo eu.
quarta-feira, janeiro 21, 2009
Claro. As mulheres é que conduzem mal. As mulheres é que provocam acidentes. As mulheres é que andam a três à hora. As mulhers é que são uma nulidade ao volante. O que eu sei é que há homens* que quando o sensor de marcha atrás - essa coisa para panisgas -, deixa de funcionar, esquecem-se que é preciso fazer uma coisa tão básica como olhar para trás antes de decidirem estacionar a viatura como se estivessem no Dakar. O carro ficou bem. Já da parede do parque de estacionamento do El Corte Inglés não se pode dizer o mesmo. Ficou com um buraco tão grande que podia passar por lá a Margarida Martins, nos tempos em que ainda pesava 340 quilos. "Ah, estou habituado a que o carro apite na marcha atrás". Hã hã. Paniiiiiiiiiiiiiiiisga.
*não vamos referir nomes para não ferir susceptibilidades, não é, homem da Pipoca?
*não vamos referir nomes para não ferir susceptibilidades, não é, homem da Pipoca?
terça-feira, janeiro 20, 2009
5 ANOS DE PIPOCA
Ai, valha-me Deus, que isto do Alzheimer precoce é uma coisa tramada. Então não é que me esqueci que o Pipoca faz hoje cinco anos de vida?????? (obrigadinha à leitora que me alertou, muito obrigadinha).
Ora então parabéns para o Pipoca, para mim e para todos vocês, sim? Um grande bem haja e muita saudinha.
Ai, valha-me Deus, que isto do Alzheimer precoce é uma coisa tramada. Então não é que me esqueci que o Pipoca faz hoje cinco anos de vida?????? (obrigadinha à leitora que me alertou, muito obrigadinha).Ora então parabéns para o Pipoca, para mim e para todos vocês, sim? Um grande bem haja e muita saudinha.
terça-feira, janeiro 20, 2009
Uma gaja muita gira, vá, engraçada, vá, normal, pronto, um trambolho
Ontem, em conversa com meu esposo, confirmei aquilo que eu já desconfiava há muito: a total incapacidade de isenção dos homens no que toca às características físicas das suas ex-namoradas e casos. Eu explico. Se me perguntam se os meus ex-namorados eram giros, eu respondo qualquer coisa como "era engraçado", "não era feio" ou, quando muito "era giro". Sem grandes euforias ou exageros, que as mulheres são dadas ao realismo e entendem o conceito de "giro" como uma coisa muito mais lata do que ter uma cara laroca e um belo rabo. Nunca tive namorados de cair para o lado, daqueles que são consensualmente giros. Até já tive namorados e casos a atirar para o feiote. A maior parte eram só giros-normais, que se tornavam muito giros por serem pessoas bem dispostas, divertidas, terem carisma. É também nunca ouvi nenhuma amiga a dizer "beeeeeeeem, o meu ex era uma coisa do outro mundo. Não havia mulher que não desejasse afinfar-lhes os dentinhos". Mas com os gajos é diferente. As ex-namoradas são sempre de "muita giras" para cima. Se se lhes pergunta "como é que era a tua ex?", levamos logo com um "era loira, de olhos azuis", ou "era morena de olhos verdes". Pimba, ficamos logo arrumadas. Começamos a olhar para o nosso cabelo escorrido e de cor indefinida, para os nossos olhinhos castanho-banal, e é impossível não pensar que estamos a anos luz dessa realidade. Que de certeza que ele só anda connosco porque não conseguiu arranjar outra top-model do mesmo nível. É que a proclamação da beleza das ex é tão grande e tão convicta que, no mínimo, ficamos a pensar que eles andavam com uma Heidi Klum ao lado. E é aí que se abrem os "x-files". Eu já não levo a coisa muito a sério, que já sei que nisto das ex quem conta um conto acrescenta um ponto (neste caso, acrescentam-lhe um tamanho de soutien , 10 cms de altura e muita simpatia). Os homens, simplesmente, não são capazes de dizer que andaram com um gaja normal, nem gira, nem feia, só engraçada. Não! São sempre um portento, umas deusas gregas, a inveja de todos os outros homens (e mulheres). Não sei se é aquela coisa da competição masculina. Não tenho provas, mas quase posso jurar que, entre si, os homens desenvolveram um jogo chamado "as minhas ex são muito mais gostosas que as tuas", e por isso vá de inventar e de lhes atribuir características que as desgraçadas nunca tiveram. E, claro, gaja que é gaja, depois de ouvir tudo isto, fica com curiosidade de ver o que é que já passou pelo prato do nosso homem. É curiosidade mórbida, eu sei, mas eu tenho-a, azarucho. Foi por isso que ontem, depois de o meu namorado ter passado uma parte do jantar a falar duma gaja que ele em tempos - não muito longínquos -quis catrapiscar, eu tive que ir descobrir do que é que se estava ali a falar. Segundo ele, era uma gaja que tinha todos os homens à perna, muito concorrida, a rainha da cocada preta, que eu até a podia ver, era só ir ao Google. E eu fui. E ela era um esquilo. Mesmo. Uma loura com cara de esquilo. Engraçada, mas um esquilo. Claro que ele saiu em defesa. Que ao vivo era mais gira. E insistia naquela coisa de ter muitos homens atrás. Pois claro. Se eu tivesse cara de esquilo mas usasse um soutien 38D, de certeza que também teria homens à porta de casa, numa fila que dava quatro voltas ao prédio. Sou uma pessoa realista. A sério. E não tenho problemas em assumir que uma gaja é gira. Muito gira. Uma bomba, daquelas que apetece jogar ao galo com um x-acto na cara dela. Mas aquela não era meeeeeeeeeeesmo nada de especial (pudesse eu aqui pôr a foto da dita e logo viam). Assim como outras que ele já me mostrou, igualmente apelidadas de muito giras, de louras de olhos azuis ou morenas de olhos verdes, mas completamente normalzinhas, daquelas que uma pessoa passa na rua e não vira a cabeça. Juro que não percebo o problema dos homens em assumir que andaram com pessoas normais. E eu já lhe disse "filho, se um dia acabarmos, tu não vá para aí dizer que andavas com um gaja muita gira, porque depois a tua nova namorada vai pedir fotos, vai olhar e dizer "era isto?? Era com isto que andavas?", e não vale a pena. Nada de andar a causa inseguranças nas pessoas, ou a criar muitas expectativas, porque há sempre o momento do "checking-photos" e lá se vai a vossa reputação de "sacadores-de-gajas-giras" por água abaixo. Diz só que eu era normalzinha, às vezes até a atirar para o feio (sobretudo nos dias em que não lavava o cabelo), pode ser?
Nota: nem de propósito. Fui de novo ver a foto da tal jovem, e eis que me deparei com um fórum sobre ela. Na primeira mensagem lá deixada alguém diz que ela não é lá muito gira mas tem umas belas mamas. O que é que eu disse??? O que é que eu disse? É das mamas, pá!
Ontem, em conversa com meu esposo, confirmei aquilo que eu já desconfiava há muito: a total incapacidade de isenção dos homens no que toca às características físicas das suas ex-namoradas e casos. Eu explico. Se me perguntam se os meus ex-namorados eram giros, eu respondo qualquer coisa como "era engraçado", "não era feio" ou, quando muito "era giro". Sem grandes euforias ou exageros, que as mulheres são dadas ao realismo e entendem o conceito de "giro" como uma coisa muito mais lata do que ter uma cara laroca e um belo rabo. Nunca tive namorados de cair para o lado, daqueles que são consensualmente giros. Até já tive namorados e casos a atirar para o feiote. A maior parte eram só giros-normais, que se tornavam muito giros por serem pessoas bem dispostas, divertidas, terem carisma. É também nunca ouvi nenhuma amiga a dizer "beeeeeeeem, o meu ex era uma coisa do outro mundo. Não havia mulher que não desejasse afinfar-lhes os dentinhos". Mas com os gajos é diferente. As ex-namoradas são sempre de "muita giras" para cima. Se se lhes pergunta "como é que era a tua ex?", levamos logo com um "era loira, de olhos azuis", ou "era morena de olhos verdes". Pimba, ficamos logo arrumadas. Começamos a olhar para o nosso cabelo escorrido e de cor indefinida, para os nossos olhinhos castanho-banal, e é impossível não pensar que estamos a anos luz dessa realidade. Que de certeza que ele só anda connosco porque não conseguiu arranjar outra top-model do mesmo nível. É que a proclamação da beleza das ex é tão grande e tão convicta que, no mínimo, ficamos a pensar que eles andavam com uma Heidi Klum ao lado. E é aí que se abrem os "x-files". Eu já não levo a coisa muito a sério, que já sei que nisto das ex quem conta um conto acrescenta um ponto (neste caso, acrescentam-lhe um tamanho de soutien , 10 cms de altura e muita simpatia). Os homens, simplesmente, não são capazes de dizer que andaram com um gaja normal, nem gira, nem feia, só engraçada. Não! São sempre um portento, umas deusas gregas, a inveja de todos os outros homens (e mulheres). Não sei se é aquela coisa da competição masculina. Não tenho provas, mas quase posso jurar que, entre si, os homens desenvolveram um jogo chamado "as minhas ex são muito mais gostosas que as tuas", e por isso vá de inventar e de lhes atribuir características que as desgraçadas nunca tiveram. E, claro, gaja que é gaja, depois de ouvir tudo isto, fica com curiosidade de ver o que é que já passou pelo prato do nosso homem. É curiosidade mórbida, eu sei, mas eu tenho-a, azarucho. Foi por isso que ontem, depois de o meu namorado ter passado uma parte do jantar a falar duma gaja que ele em tempos - não muito longínquos -quis catrapiscar, eu tive que ir descobrir do que é que se estava ali a falar. Segundo ele, era uma gaja que tinha todos os homens à perna, muito concorrida, a rainha da cocada preta, que eu até a podia ver, era só ir ao Google. E eu fui. E ela era um esquilo. Mesmo. Uma loura com cara de esquilo. Engraçada, mas um esquilo. Claro que ele saiu em defesa. Que ao vivo era mais gira. E insistia naquela coisa de ter muitos homens atrás. Pois claro. Se eu tivesse cara de esquilo mas usasse um soutien 38D, de certeza que também teria homens à porta de casa, numa fila que dava quatro voltas ao prédio. Sou uma pessoa realista. A sério. E não tenho problemas em assumir que uma gaja é gira. Muito gira. Uma bomba, daquelas que apetece jogar ao galo com um x-acto na cara dela. Mas aquela não era meeeeeeeeeeesmo nada de especial (pudesse eu aqui pôr a foto da dita e logo viam). Assim como outras que ele já me mostrou, igualmente apelidadas de muito giras, de louras de olhos azuis ou morenas de olhos verdes, mas completamente normalzinhas, daquelas que uma pessoa passa na rua e não vira a cabeça. Juro que não percebo o problema dos homens em assumir que andaram com pessoas normais. E eu já lhe disse "filho, se um dia acabarmos, tu não vá para aí dizer que andavas com um gaja muita gira, porque depois a tua nova namorada vai pedir fotos, vai olhar e dizer "era isto?? Era com isto que andavas?", e não vale a pena. Nada de andar a causa inseguranças nas pessoas, ou a criar muitas expectativas, porque há sempre o momento do "checking-photos" e lá se vai a vossa reputação de "sacadores-de-gajas-giras" por água abaixo. Diz só que eu era normalzinha, às vezes até a atirar para o feio (sobretudo nos dias em que não lavava o cabelo), pode ser?
Nota: nem de propósito. Fui de novo ver a foto da tal jovem, e eis que me deparei com um fórum sobre ela. Na primeira mensagem lá deixada alguém diz que ela não é lá muito gira mas tem umas belas mamas. O que é que eu disse??? O que é que eu disse? É das mamas, pá!
domingo, janeiro 18, 2009
Incompatibilidades
Por um lado, estou a tentar escrever um texto de oito mil caracteres sobre o amor. Por outro, estou a tentar descobrir o desvio padrão, a dimensão da amostra, o nível de precisão e o valor de "z".
Ser trabalhadora-estudante não resulta. Especialmente quando o trabalho e o estudo versam sobre coisas tão diferentes como sentimentos e números.
Por um lado, estou a tentar escrever um texto de oito mil caracteres sobre o amor. Por outro, estou a tentar descobrir o desvio padrão, a dimensão da amostra, o nível de precisão e o valor de "z".
Ser trabalhadora-estudante não resulta. Especialmente quando o trabalho e o estudo versam sobre coisas tão diferentes como sentimentos e números.
Subscrever:
Mensagens (Atom)