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Quase 37 e uma angustiada crónica

sexta-feira, janeiro 05, 2018

Amanhã faço 37 anos e não consigo deixar de olhar para o número com estranheza. Sinto-me frequentemente mais perto dos 12 do que dos 40, por isso 37 soa a esquisito, parece que não encaixa. Aos (quase) 37, não faço ideia se estou onde gostaria de estar. A maior parte do tempo acho que não mas depois, se me perguntarem assim directo "então mas o que é que gostavas de ser?  O que é que gostavas de fazer? O que é que mudavas na tua vida?", também não tenho uma resposta na ponta da língua, só um encolher de ombros. Mas penso, penso muito, penso demasiado, como muita gente me acusa. "O teu problema é pensares demais". É provável. Os últimos dois ou três anos têm sido passados assim, a consumir-me em pensamentos sobre o sentido da vida: quem sou, o que quero, o que é que ando aqui a fazer. Parece uma coisa assim meio esotérica, mas quando se vive permanentemente angustiado com a finitude da vida, acho que não há volta a dar. 

Invejo [na mesma proporção que desprezo] a passividade em que a maioria das pessoas vive. Olho à minha volta e as pessoas que me rodeiam estão
completamente conformadas com o que têm. Não falo de ambição por bens materiais, falo mesmo das suas vidinhas. Algumas são felizes, não duvido, outras não o são assim tanto, tenho a certeza, mas parece que ninguém se questiona. Parece que chegaram a uma fase da vida em que só lhes resta esperar por uma sucessão de dias, cada um exactamente igual ao anterior. E isso, admiravelmente, chega-lhes, está mais do que bom. Se calhar a vida crescida é mesmo isso, chegar a um ponto em que deixamos de fazer perguntas, deixamos de lado uma inquietação permanente e tentamos ser felizes com o que temos, com o combo "casa + emprego + casamento + filhos", que foi o que sempre nos venderam como a receita da eterna felicidade. Se isso chega para tanta gente, porque é que parece não chegar para mim?

Se me sentar e anotar num papel todas as coisas boas da minha vida, não tenho qualquer dúvida que a lista será grande. E que isso, só por si, deveria ser suficiente para acalmar as minhas angústias. Mas começo a perceber que isto, em calhando, é um estado de espírito permanente. E não é fácil ser uma angustiada crónica, ter sempre a cabeça a rebentar de questões, de "e se?", de dúvidas e inquietações. Na maior parte das vezes estou muito farta de mim mesma, só me apetece pôr a cabeça em "mute", para não ter de estar sempre a ouvir os meus próprios pensamentos chatos e circulares. Chata, chata, chata. Por outro lado, sei que não quero passar pela vida sem me questionar. Não quero sentar-me na confortável poltrona do conformismo a ver os dias passar. E depois, chegar um dia, e pensar que devia ter feito tudo de forma diferente. Um dia em que já vou tarde.

Talvez a solução esteja no meio termo, em tentar encontrar um ponto de equilíbrio que faça com que a minha inquietação me faça andar para a frente, em vez de sentir que me limita. Sei que, muitas vezes, o inconformismo, o terror do tédio, é o que me faz atirar a coisas novas, estar sempre à procura de maneiras de fintar a rotina. A maioria das pessoas que me rodeia não teria qualquer dificuldade em descrever-me como uma pessoa "leve", despreocupada, positiva, sempre a rir, sempre com uma tirada sarcástica. Mas, por opção, poucas conhecem o outro lado, mais pesado, mais introspectivo, mais lunar e quase negro. Mas eu também sou isso. Nos últimos tempos acho até que sou mais isso do que o resto.

Não sei se aos (quase) 37 estou exactamente onde gostaria de estar, se sou exactamente tudo aquilo que gostaria de ser. Mas sei que não quero perder esta curiosidade pela vida. Que nem sempre é saudável, mas que, para mim, é mil vezes melhor do que a inércia em que quase todos parecem viver. Eu sei que isto parece assim um bocadinho a puxar para baixo, provavelmente é o efeito "aniversário", que me atinge sempre, mas deixem-me lá aqui às voltas com as minhas inquietações existenciais, porque depois também há dias em que sou tão normal como as outras pessoas todas.


126 comentários:

Anónimo disse...

Bem vinda ao clube, aqui 43 e muitas dúvidas, dúvidas, e apenas uma certeza: a Morte que retira todo o sentido ao que andamos aqui a fazer. Se morremos porque tudo isto?? Acabamos fisicamente apenas? Todos morremos num eterno vazio?? Chega a ser claustrofóbica esta ideia. Depois acrescem as preocupações com a própria Vida e o tédio da rotina.... Sim Pipoca, ser adulta não é fácil! ( Ainda me sinto com 17 anos... mas penso penso penso ) enfim . Bjinhos

Anónimo disse...

Vai haver uma alminha caridosa que vai dizer, bom, Pips, isso é Plutão em Capricórnio. E atenção que há mais um batalhão de cenas que acabou de aterrar em Capri.

Eu se fosse a ti, Pips Querida, ia conhecer o Nuno Michaels. Vais adorá-lo, trust me. :)

Em querendo, não publiques. :)
Um beijinho de último dia de 36!
Venha o 37!!! :D

Anónimo disse...

A Grande questão Humana ou pelo menos para quem pensa nela é sabermos donde viemos, porque viemos a para onde vamos. Acho que o ser humano intui por instinto o quase óbvio: viemos sozinhos e vamos sozinhos, num percurso individual que nos assusta a todos, ainda mais se pensarmos que se calhar não há mais nada após a vida , eternamente. Pelo menos não teremos, se calhar, nunca mais uma vida consciente. Quando o nosso corpo acabar, acabamos. Isto aterroriza-nos . Para quê então nascermos com inteligência e pensamento? Os animais existem , sentem isso mas não sofrem nunca com o pensamento da sua finitude. Ou não....se calhar voltamos numa eterna repetição de vida (talvez os "dejá vu" sejam a prova disso mesmo). Ou regressamos ao Universo numa outra forma de vida também ela consciente de si mesma, num outro planeta ou dimensão. Mas nada disto é certo, a vida se for apenas isto não fará sentido. Se calhar existimos por mero acaso, por mera casualidade química que terminará um dia. Aqui é importante mas o Universo é tão gigantesco que estas questões se tornam elas próprias minúsculas e se calhar desprovidas de significado perante a imensidão do que nos rodeia, a céu aberto, num Espaço e Cosmos se calhar ele sim infinito. Uma pequena reflexão que como tu também me angustia o passar do tempo e a prespectida da finitude. Bjinhos Catarina

Anónimo disse...

Por estes lados, com 37, é igualzinho!

Jss disse...

Olá... Não estás sozinha.. E acredito sinceramente que sejamos muitas mais e não "as duas" sozinhas no mundo no entanto vejo que as pessoas cada vez mais dizem o "está tudo bem/sou muito feliz/não mudava nada na minha vida...." por 2 motivos. Não querem levar com os comentários sarcástico dos outros e serem rotuladas de "lunaticas/eternas adolescentes/mimadas" ou simplesmente foram educadas com aquele espírito de o que se passa com elas não se diz a ninguém. (sim isto ainda acontece) ainda há pouco tempo uma colega me disse "aí nem com o meu marido falo disso..." Oi?? Então vives com ele! Tens filhos dele! Partilham uma vida, uma rotina, os momentos bons e maus (em principio claro!), uma cama, uma casa.. Etc.. E não partilhas com ele os teus pensamentos porque ele vai dizer para" tomar juizo"!
Mas acredito que muitas pessoas ficam muitas vezes a pensar no "se" e que gostariam de dar uma volta de 180° ou mesmo 360° a sua vida...
Beijinhos solidários...
🤣🤣

Anónimo disse...

Do meu ponto de vista acho que essas questões existenciais se colocam porque queremos dar à nossa existência um valor que ela simplesmente não tem... Não quero com isto dizer que a vida não é menos do que a coisa de mais importância, claro que é... Agora vejamos, somos UM no meio de TANTAS vidas, porque terá a nossa que ser assim ou assado?! A nossa só tem que nos deixar satisfeitos no momento. Ninguém está exatamente onde e como sonhou estar em todos os campos da vida... Numa altura estamos com a vida profissional na corda bamba mas arrebatadíssimas no amor... Noutra altura estamos bem em tudo mas sem nenhum frenesim em nada... A vida perfeita é uma utopia, e a sua procura incessante às vezes impede-nos de desfrutar do que realmente temos. Sejamos simples, não há Einsteins nem Barack Obamas em todas as gerações, podemos simplesmente ser nós e já sermos muito, desde que no fim de contas o balanço seja positivo e tenhamos sido felizes.

Inês disse...

"Se calhar a vida crescida é mesmo isso, chegar a um ponto em que deixamos de fazer perguntas, deixamos de lado uma inquietação permanente e tentamos ser felizes com o que temos, com o combo "casa + emprego + casamento + filhos", que foi o que sempre nos venderam como a receita da eterna felicidade."

Tenho 24 anos e prestes a entrar na vida de adulta, o meu maior medo é esse, tornar-me uma pessoa conformada com a vida de todos os dias e deixar de querer mais, conhecer mais, viver mais, mudar se estiver num caminho que não me faça feliz...

Anónimo disse...

Acho que é um sentimento, ou um pensamento inerente ao Ser Humano, que gosta de desafios. Não que todos os restantes, não gostem, mas acho que tem a ver com a questão de colocar objectivos de vida, e quando eles estão concluídos, sentir que precisamos de mais. Como se considerassemos a nossa vida, um jogo online, com níveis infinitos, que temos que passar, em que nos desafiamos a nós próprios. Acho que acaba por até ser viciante. Saber até onde conseguimos ir. Quantos projectos conseguimos ter. Até onde as nossas capacidades vão... O Ser Humano, vive sempre insatisfeito.

Vânia disse...

Acho que nunca me identifiquei tanto com algo que escreveste. Parece que estás a falar de mim! Obrigada pela partilha.

Claudia Cunha disse...

EX-CE-LEN-TEEEEEEE. As suas duvidas são próprias de mentes em constante progresso, crescimento e evolução (e também de quem esta "quase" a fazer 37) é de quem não se conforma é de quem tem sensibilidade aguçada e inteligência fora do comum. Deixemos a PMD ter os seus momentos mais existenciais (logo compensará com um daqueles post de humor sarcástico bem à sua maneira) porque afinal isso é a VIVER. No final o saldo tem que ser positivo e a FELICIDADE tem que ser o resultado final... e é sente-se!

Anónimo disse...

Eu - ainda - tenho 26 anos (quase 27) e sofro exactamente do mesmo mal...

A Assistente Dentária disse...

Revejo-me em cada palavra. Encontro-me numa fase em que as inquietações tendem aumentar em relação a muitas questões... Mulher, mãe, profissional... enfim. Sou uma eterna insatisfeita. Talvez isso também não seja muito bom.

Anónimo disse...

Eu vou fazer 30 e sou uma dessas pessoas supostamente "conformada". Mas não me sinto nada conformada. Sou exatamente o contrário de ti. Quando penso que se calhar para o ano já não tenho emprego baixa em mim um sentimento de terror. Como assim? Ter de começar tudo novamente? Conhecer pessoas (sou bicho do mato, no fundo acho que gosto mais de animais do que de pessoas), novos desafios, novas tarefas, tudo isso me aterroriza! E portanto se pudesse escolher continuaria a fazer a minha vida casa (que adoro) - trabalho (que não amo de paixão mas também não odeio e enquanto me der o sustento está tudo ok) - amigos (maravilhosos) - família (pequena mas boa). Mas percebo perfeitamente esse ponto de vista, tenho amigos exatamente iguais, que não conseguem estagnar, que só essa ideia fá-los tremer. Não sei se acho isto conformismo. Acho só que sou daquelas pessoas felizes com pouco.

Filipa

Tamborim Zim disse...

Pipoca, eu devo mesmo gostar muito de ti sem te conhecer, porque sinto orgulho com este teu post. Quem acompanha a tua escrita há anos sabe bem que de frívola não tens nada, e é um prazer aliviado que me proporciona ler deste teu estado. A questão da finitude é crucial p mim, permanentemente. Curiosamente voltei a publicar, há poucos dias, um post do meu blog q fala sobre um autor, o grande Miguel de Unamuno, a quem este problema afetava muitíssimo - mas, afetando-o, sacou-lhe um pensamento magistral, apesar de não inteiramente original (mas o que haverá de original na filosofia?).
Partilho-o aqui, p ti e p quem gostar, a ver se cada um aflora e absorve o q mais importa.
Feliz Demanda!
http://alegoriadaprimaverve.blogspot.pt/2012/12/um-seculo-depois.html

Anónimo disse...

Olá Ana, entendo perfeitamente o que dizes e deixa-me que te diga que não estás sozinha. Eu também invejo um pouco quem passa pela vida sem questionar nada, acho que no fundo são um pouco mais felizes, sabes? Concordo que o ideal é o equilibrio :-) beijinhos, Ana

Anónimo disse...

Também faço 37 este ano e este texto podia ter sido escrito por mim. Dou por mima questionar a minha vida, as minhas escolhas, qual o sentido disto tudo, mas ao mesmo tempo sinto-me grata por tudo que tenho.
E o conformismo das pessoas deixa-me cada vez mais perplexa, a nossa vida esta na NOSSA mão, podemos escolher ser diferentes, fazer diferente se isso fizer mais sentido para nós.

Anónimo disse...

Tenho 30 anos e sou exactamente como tu! Não tenho dúvidas que tenho uma vida muito boa e tenho de me sentir grata por ela (tenho um marido que amo e me ama, os meus pais e sogros vivos e adoramos estar com eles, tenho um emprego estável e um salário razoável, casa própria, não tenho nenhuma doença que conheça), mas também tenho essa angústia/insatisfação constante. Angustia-me o tempo a passar, a rotina, a repetição dos dias. Saber que o meu dia-a-dia, tirando férias/feriados/fins-de-semana é sempre muito repetitivo e que há por aí 214712049 coisas espectaculares no mundo que eu ainda quero ver/fazer. Sempre que tenho férias, viajo (não há um único dia de férias por ano, nos últimos 7 anos, que não tenha usado para viajar), mas, ainda assim, juntando a feriados e fins-de-semana consigo estar no máximo uns 40 dias fora, o que significa que 325 são passados a fazer as mesmas coisas. Penso que agora é que devia aproveitar, agora que estou bem, porque com o tempo só vão acontecer coisas piores, os meus pais vão morrer, nunca mais os vou ver, eu e o meu marido podemos ficar doentes, ter algo grave... mas para poder fazer coisas diferentes precisava de não ter de passar todos os dias 8h no trabalho (que é o que me dá dinheiro para fazer essas coisas diferentes).

Acho que quanto mais temos, mais vamos querer ter. Acho que quanto mais inteligentes e pensadores formos, mais vamos questionar tudo e seremos mais conscientes e, consequentemente, infelizes.

Quem vejo à minha volta ou também se questiona assim, ou são pessoas que não pensam muito no que os rodeia e são felizes com uma vida simples, ou são pessoas infelizes que passam a vida a queixar-se de tudo. Eu considero-me feliz, adoro a minha vida, adoro viver e as pessoas mais próximas que tenho ao meu redor, mas gostava de prolongar mais esses momentos e de não ter de voltar a uma rotina de trabalho que me obriga a alocar grande parte do meu dia (semanas, meses, anos...) a uma rotina e a umas pessoas que me dizem pouco. Se pensar no que gostaria de fazer então, se haveria algum trabalho onde aliasse trabalho e prazer, não consigo pensar em nenhum. Só sei que os momentos em que sou mais feliz são quando estou com o meu marido a viajar, quando recebemos amigos nossos em casa para jantar, quando passo o fim-de-semana em casa dos meus pais e estou com eles o dia todo... e isso é TÃO MELHOR e TÃO MAIS FORTE que aquilo que sinto no dia-a-dia a tratar de tarefas ou a trabalhar que penso como é tempo perdido na vida ter de passar tanto mais tempo a fazer estas 2as coisas que as 1as. Os meus colegas, pelo contrário, dizem que até já estavam fartos de férias, que é pior quando não trabalham porque têm de aturar os maridos/filhos, parece que até gostam de ali estar... enfim, não compreendo.

Anónimo disse...

isso também não percebo. Pessoas que vão contar aos amigos ou aos colegas coisas que não falam com os maridos/mulheres. Se há alguém com quem se deve estar à vontade para falar de tudo é com a pessoa com quem partilhamos a nossa vida!

Anónimo disse...

É mesmo assim. Este ano faço 39 (como?!?!?) e ainda hoje fico admirada como é possível terem passado tantos anos assim...
Tenha uma filha de 15 anos, já maior que eu, quando olha para ela penso: como é possível esta ser a minha bebé? A minha filha?
Quando estou com as colegas da minha filha, parece que estou entre amigas da mesma idade, rio e brinco com elas e de repente cai-me a ficha e penso que etsou mais perto dos 40 que dos 20 (sim, dos 20 que é como me sinto...).
Ao espelho já começo a notar as diferenças da idade, mas nem isso me faz "acreditar" que estou nos "entas"!
Se mudava alguma coisa? Tanta coisa! Mas sei que o resultado final seria pareceido: o casamento cedo (aos 20) e a filha (aos 23). Essas decisões não mudava e fazem parte de quem eu sou!

Anónimo disse...

Estou a caminho dos 35, casada, dois filhos pequenos, casa, carro, trabalho (emprego não) e todos os dias penso: "Mas que raio ando aqui a fazer?"
Sou uma eterna insatisfeita.

Anónimo disse...

Afinal não sou a única.
Quando já se tem 32 anos e um bom emprego, mas sem marido e filhos, dou por mim a questionar tudo, principalmente a minha pessoa.

Não existem Vida perfeitas, existem pessoas que têm momentos de sorte e outras têm que lutar para os ter....

Anónimo disse...

Pipoquinha tome um xanax que passa ;) .
Se não passar faça uma viagem á volta ao mundo, junte-se ao greenpeace, retire-se durante uns tempos para um mosteiro , whatever ...
Pelo menos não é a conformada nem é um carneirinho . Talvez o problema seja mesmo esse ... deveria ser seguidora de uma blogger para lhe fazer a cabeça (ah ah ah ah) .

Anónimo disse...

E seu eu disser que faço 21 no domingo, dia 7, e que me revi em cada palavrinha tua? :) Também sinto que todos à minha volta parecem resignados e conformados à vida que têm. E lá estou eu sempre a pensar no porquê de estar aqui e de se estou realmente a fazer as coisas como quero. Deve ser coisa das pessoas de janeiro... :)

Anónimo disse...

Parabéns Filipa! Adorava ser assim, eu que sou como a Pipoca com apenas 1 mês de diferença...

Carla disse...

Vamos ver mas é se o Benfica te acompanha!!!

Anónimo disse...

"Se calhar a vida crescida é mesmo isso, chegar a um ponto em que deixamos de fazer perguntas, deixamos de lado uma inquietação permanente e tentamos ser felizes com o que temos, com o combo "casa + emprego + casamento + filhos", que foi o que sempre nos venderam como a receita da eterna felicidade. Se isso chega para tanta gente, porque é que parece não chegar para mim?"

Acho que isto nao tem a ver com a idade. Claro que quando somos adolescentes, quando nao temos contas para pagar, quando nao temos filhos que dependem de nos, podemos viver num permanente estado de desafio, de busca. Mas a verdadeira acomodacao nao depende da idade, depende da personalidade e da forma como uma pessoa decide ou e forcada a viver.

Eu sou inquieta por natureza (mudei ja duas vezes de pais - nao tenho acentos no meu teclado, nao mudei de pai e mae, mas de pais onde morar - com a familia toda, incluindo criancas, atras e hei de mudar mais vezes), mas sacio a minha sede de mudanca com pequenas coisas no dia a dia.

Anónimo disse...

Fiz 40 anos o mês passado. Andei uns meses a moer sobre a "coisa", 40 anos, 40 anos. Onde estou? para onde vou? como queria estar? Escrevi muito sobre o assunto e fez-me bem, fiz balanços e conclui que estou nada acomodada e muito feliz. Ás vezes tenho medo de assumir que sou feliz mas quase sempre sou uma quarentinha muito feliz! Vai correr tudo bem!
S

Anónimo disse...

Por aqui 22 anos, a mesma situação e os mesmos pensamentos...

Anónimo disse...

O mindfullness ajuda a controlar esses pensamentos intrusivos. Acho que questionar tudo é saudável, é o que nos faz evoluir. Como pessoas e como civilização. Também acho que antropologicamente não seria muito benéfico para a espécie que todos pensassemos/questionassemos a vida assim (por isso não vale a pena pensar sobre quem cá anda sem questionar nada). Mas as excepções são as desencadeantes dos saltos evolutivos. Por isso, questionar sempre, mas se a cabeça ficar demasiano lunar, o mindfullness ajuda a colocar em perspectiva sem "queimar a cabeça" sobre o assunto.
Beijinhos
Cristina

Anónimo disse...

Ou seja a tal mindfullness quer idiotizar as pessoas, não pensem nem se questionem, vivem e morrem sem ao menos se perguntarem o que andaram cá a fazer! Que tristeza esse camuflar de pensamento!

Jss disse...

Ou se calhar não.. E agora podíamos discutir o tema.. Tipo o marido não é adequado.. A mulher não é adequada.. Mas fico me por o simplesmente "as amigas não me julgam..."

Anónimo disse...

"inércia em que quase todos parecem viver"?!
Senti.me indignada.
Não vejo essa inércia em "quase todos". A pipoca, por não saber se está onde queria estar, é que se calhar reflete a sua "desorientação" nos outros quase todos.
Cuidado com a observação. As pessoas podem ter outras ambições que passem, por exemplo, por cuidar de filhos, casa, cônjuges e de si.

Anónimo disse...

Mais uma por aqui. Eu costumo intitular-me desassossegada... Já agora, acredito que já tenhas lido mas é sempre bom reler: Livro do Desassossego de Fernando Pessoa

Anónimo disse...

Como eu a compreendendo. Passar dias a fio no trabalho quando poderíamos estar a fazer algo que realmente nos fizesse felizes. Eu vou sonhando com o euromilhoes!

Anónimo disse...

Tenho 51. Quando fiz 40 tive uma "crise" dessas e cheguei à conclusão que o que eu sou e onde eu estou é uma casualidade: não escolhi nascer dos meus pais, naquele dia, naquele local. O que sou hoje resulta das minhas escolhas às alternativas que tinha na altura. Se voltasse atrás mudava algumas, se calhar muitas, escolhas. Mas não vale a pena queimar energias com o passado. Não acredito na vida depois da morte, no sentido como a vivemos na nossa atual consciência. Mas a energia que temos quando parar o nosso coração deve ser encaminhada/absorvida para o cosmos.
Até lá, cantando e rindo, tentando sempre fazer as melhores escolhas 😁

Anónimo disse...

Acho que o problema é que conhecemos demais, sabemos demais e fazemos comparações a mais!

moijeeu disse...

43, solteira e sem filhos.....por aqui não se está melhor. Mas mesmo assim há dias (bastantes até) que me sinto bem nesta pele. Sinto-me diferente (isso todos os dias claro).
Na passagem de ano deu-me um "baque"...chorei...chorei...e questionei tudo e todos....mas já passou. Sinto-me novamente bem.
Faz parte pipoca....mas espera até fazeres 40...aí então nem te conto....

Raquel Freitas disse...

Eu tenho 27 anos, vivo com o meu marido e a nossa filha num t2 minusculo numa terrinha no meio do nada. Ambos com trabalho, e a pensar comprar casa este ano. Mas a nossa vida é exatamente o que a pipoca disse.. casa, trabalho e familia! Não há nada de empolgante a acontecer, nenhum de nós trabalha naquilo que sonhou, estamos completamente colados á rotina. Olho para a minha mâe, e ela tem uma vida identica a minha! Mas no lugar dos filhos, tem os netos para cuidar. Não gosto de imaginar a nossa vida daqui a 10 anos, mas gosto de pensar que este ano pelo menos conseguiremos a nossa casa. E eu até sou feliz, mas ao mesmo tempo há aquele amargo de me sentir feliz com tão pouco! Quem nos entende, não é?

Anónimo disse...

Por aqui 51 e penso o mesmo, porém com uma agravante.
Depois de uma vida de trabalho eis-me sem nada devido a percalços
familiares. Sem emprego, sem dinheiro, sem casa
e sem perspectiva de vida, e sempre a pensar: Meu Deus se ocorrer
algo mais grave na minha vida, o que faço eu?
E depois penso, para que tudo isso? para daqui alguns anos mais da metade de nós não estarmos mais aqui?
E pq uns tantos e outros nada? muito fizeram para ser e ter, e os que não fizeram nada?
E os que lesarem sócios, amigos, parentes? Ficam impune?
E eu? Pq eu?

Anónimo disse...

Compreendo perfeitamente! E depois se nos queixamos quase nos batem com o "não sei de que te queixas! Estás tão bem!" Como se por termos casa, trabalho e saúde não possamos ambicionar nada mais...

Anónimo disse...

Não deve ter lido o que escrevi, mas aconselho-o (a) a fazê-lo. De qualquer forma, o mindfullness, ou atenção plena, é inclusive utilizada em psicoterapia. Portanto talvez fosse mais adequado pesquisar sobre aquilo que se comenta. Talvez o seu pensamento fique menos "camuflado" e mais aberto a ideias diferentes.
Cristina

L. disse...

Poderia ter sido eu a escrever isto, mas alguém decidiu escrever por mim. E escreveu bem.

Anónimo disse...

Por aqui também me questiono! Tenho 24 anos, tirei um curso que parece que não serve para nada, onde pouco aprendi. Estou a frequentar uma formação do IEFP e continuo à procura do primeiro emprego. Questiono-me mas precisava de ter coragem para arriscar mais, mais...

Anónimo disse...

Eu tenho 32 e sei que não estou onde quero, mas tb sei que chegar onde quero não depende só de mim e por isso ando aqui todos os dias com um pé no inconformismo e outro no "o melhor é baixar as espectativas e tentar ser feliz assim." Não é que eu seja infeliz, que graças a Deus não sou, mas tenho demasiados dias de António Variações "só estou bem onde não estou, só quero ir onde não vou".
Meti na cabeça que a vida é demasiado curta e por isso tem que ser bem aproveitada. Temos de nos desafiar, temos de crescer, temos de ultrapassar os nossos limites. Mas depois isso dá tanto trabalho... e eu olho para mim completamente cansada e rebentada e olho à minha volta e vejo tanta gente sossegadinha da vida, mas aparentemente feliz, depois de ter lavado a louça do jantar e de se ter sentado a ver televisão...

Anónimo disse...

eu continuo a achar que o Quintino Aires faz aqui muita falta, neste tipo de posts/comentários. digo o Quintino que é para a coisa ficar bem alinhadinha, claro.

Anónimo disse...

É tão bom lê-la!

Anónimo disse...

Ahahahhaha

Anónimo disse...

Há imensas pessoas que adorariam (mesmo que lhes custe admitir) estar na sua pele: um bom emprego, sem marido e filhos. Tem um mundo de oportunidades aos seus pés, aproveite :)

Anónimo disse...

Isso são séries ou novelas a mais.

Anónimo disse...

An. 05 Jan 17:39: Concordo consigo, também penso assim.

Anónimo disse...

Não sei anon das 19:07h, na realidade nós queremos é aquilo que não temos.

Parisienne disse...

Tenho 26 anos e sou exatamente como tu e isto não bom, por isso sofro de ansiedade e às vezes sinto-me deprimida. Também tenho inveja daquela gente que nada se questiona e aceita tudo na vida como sendo #algo que faz parte"... Parece que para muita gente a vidaé estudar, casar, ter filhos e reformar-se...
Muitas destas pessoas também não mostram as suas fragildades ou medos e gostam de aparentar a vida perfeita...
Enfim. Fazem falta mais pessoas sinceras como tu :)

Blog da Maria Francisca disse...

Como eu a compreendo!

Anónimo disse...

Mas é mesmo isso!

Francisco o Pensador disse...

Catarina, desculpe mas há um ponto em que não concordo. Porquê que a ideia de não haver mais nada após a vida haveria de aterrorizar o ser humano? A mim aterrorizava-me mais depressa a ideia de viver eternamente do que passar a sentir um descanso eterno e profundo. Se existir um Deus, estou convencido que a existência dele é muito pior do que a nossa. Nós questionamos-nos durante o decurso da nossa vida mas ele teria que questionar-se para toda a eternidade. E também não concordo de que os animais não sofrem com o pensamento da finitude porque se eles não tivessem medo da morte não se dariam ao trabalho de fugir dos predadores nem do homem. Na minha opinião a consciência da morte é igual tanto para homens como para os outros animais. Para mim a consciência da vida é desmesuradamente mais aterrorizadora enquanto ideia e a morte acaba por ser aquilo que mais a valoriza e lhe dá sentido. Por fim, se somos uma casualidade química? Sem dúvida alguma.

Ana disse...

Obrigada por esta partilha tão humana. Um beijinho

Ana Rita Ferreira disse...

Lê Nuno Michaels! Vais adorar cada palavra :)


Também me questiono, e penso que todos nós temos as nossas próprias buscas.

E o teu texto é brilhante.

Anónimo disse...

Não sei se será bem assim, anónimo das 21:27. Eu tenho 27 e um namorado que amo, e penso muitas vezes como a minha vida é "leve" (no sentido de poder fazer escolhas mais facilmente) por não ter filhos. Acho que é preciso ser-se mesmo muito altruísta para escolher esse caminho, mas eu não o quereria para mim.

Francisco o Pensador disse...

Pipoca, acho que aquilo que a assusta mais não é tanto o medo de morrer mas sobretudo o medo de envelhecer. Os 40 anos costumam ser uma barreira psicológica muito forte porque representa a fronteira entre a parte da vida em que tudo nos é dado e a parte da vida em que tudo passa a ser-nos retirado, e, uma vez que chegou aos 37 e está a aproximar-se perigosamente dela, talvez seja por isso que neste momento seja invadida por tantas dúvidas, angústias e inquietações. Também eu já passei essa fase e também eu passei ao grupo de pessoas que deixou de se questionar. Não porque as minhas questões tivessem deixado de ser importantes mas sim porque tomei a inteira consciência de que, fizesse eu o que fizesse, jamais conseguiria obter as respostas para elas, logo, porquê perder tempo com isso se a vida passou a ser bem mais curta para podermos dedicar o nosso tempo às pessoas que realmente amamos?

Viva, ame e seja feliz. Eis o verdadeiro e triunfante cocktail que dá real sentido à nossa vida. Tudo o resto de pouco importa.

Anónimo disse...

Morrer sera como estar a dormir (sem sonhar) ou quando somos sujeitos a uma anestesia geral, isto e', nao nos sentimos mas sera' para todo o sempre.
Lembro de uma vez ouvir: se vivessemos numa realidade 2D e aparecesse uma esfera (que e' 3D), so apareceria um ponto na nossa realidade 2D (pois a esfera e' tangente ao plano num ponto). Isto e', algo muito maior havia e nos nunca teriamos acesso a saber. Penso que haja uma realidade que nao esta ao nosso alcance, que nao nos passe pela imaginacao, ou talvez ate passe, pode ser muita coisa.
Entendo a inquietacao, escolho nao a ter, tenho 33 anos e so peco saude, e estar livre de acidentes e outras tragedias. Peco isso para mim e para os meus.
E a vida e' isto, e' seguir com um dia de cada vez, que se for com saude e' ja uma grande sorte e motivo de estar muito feliz e de bem com a vida!
Viva a vida! E que ela seja como simplesmente e', questionar para que? E' assim e pronto! :)
Beijinhos e Parabens!!

Anónimo disse...

Este ano saio dos “intas “ e lá vou dar um novo capítulo aos “entas” mas na verdade não me sinto preparada para os receber 😞parece que tudo fica mais pesado que és obrigada a sentir mais responsável 😢.Nos “ intas”sempre posso ter um bocado de loucura 🤪que ninguém liga ( quer dizer não ligo eu )mas os QUARENTA é qualquer coisa estranha...

Francisco o Pensador disse...

Com 24 e 22 anos ainda não conseguiram entrar na vida adulta? E mesmo sem entrar já conseguem sentir todos esses medos e inquietações? A esse ritmo quando chegarem aos 40 anos já estarão a pensar na reforma...

Anónimo disse...

48 e a "coisa" não melhora ... às vezes penso que, modéstia à parte, a inteligência nos dá cabo da vida e de qualquer forma absoluta de felicidade ...

Anónimo disse...

Não podia concordar mais

D* disse...

Como eu te compreendo Pipoca. Graças ao facto de não conseguir estar conformada com o que a vida me ia oferecendo e querer sempre conhecer mais e mais e viajar pelo mundo inteiro deixei para trás uma relação onde havia a partilha destas minhas "loucuras" mas o outro lado era demasiado conformado para avançar a dois. Para ele só o trabalho, casa e casa da mãe era razão de felicidade. Numa relação de oito anos era eu a pedir para viajarmos e ele a dizer que não, que não podia ser, que u só queria passear. Terminamos oito anos passados, por outros problemas mais graves, e curioso...viajou. Eu continuei a desejar cada vez mais. Meti na cabeça que tem de ser uma coisa de cada vez e não me tenho dado mal. Vou investir noutra licenciatura e em viajar mais. Só levamos desta vida o conhecimento. Se ha dez anos achava que ia estar assim... Não. Se preferia não trabalhar tanto e fazer mais vezes aquilo que me satisfaz com toda a certeza e é nisso que me foco todos os dias de manhã. As vezes acho que para satisfazer todos os meus caprichos (digamos assim) só mesmo com o euro milhões.

Beijinhos

Anónimo disse...

Fiz 30 a uns dias e sinto-me mais ou menos assim...

Anónimo disse...

Não estranhes se aos 40 a inquietação piorar.

E é nessa altura que dás valor a tudo/todos que tens à tua volta.

Happy bthday Pipoca.
Kiki

Anónimo disse...

Anón 14:49h,é muito provável que quando for mãe... venha a compreender os comentários das suas colegas, pois, por muito que amemos os nossos Petizes, acredite que é muito difícil conciliar todas as tarefas... sem ficarmos completamente de rastos... É óbvio que se podermos suportar os custos de uma empregada a "vidinha" fica muito mais facilitada, mas quando a nossa realidade é diferente, e temos de dar conta do "recado" na integra,
é frequente e compreensível emitirmos esse tipo de "desabafos"! Para muitas o local de trabalho pode efetivamente servir de terapia e de refúgio! Cada qual sabe de si... e tal nada obsta a amor e dedicação materna. ☺

Anónimo disse...

Pipoca, ou melhor Ana,
Já te passou pela cabeça fazer algo do gênero um voluntariado num programa da ONU ou uma coisa assim?
Penso que seria muito enriquecedor.
Acho que vives num mundo um pouco supérfluo (isto não é uma crítica)
Talvez uma experiência mais despida de coisas materiais poderia preencher esse espaço que parece estar vazio, pelo que falas...
Se não fizer nenhum sentido podes apagar, podes nem publicar.
Fala alguém feliz, com 2 filhos, 40 anos mas que já não tenho coragem de me meter numa dessas!!

Anónimo disse...

A vida e de facto um carrossel...e quando estes pensamentos nos assolam é terrível...parece que a vida não faz sentido...para quê tanto suor e lágrimas, e pior que tudo...perder quem tanto amamos!nao é justo!sempre fui uma inconformada com a finitude da vida!
Sofro de Síndrome Pré Aniversário, custa-me envelhecer, custa-me ver os 39 ao virar da esquina e pensar que talvez já vou a meio do meu caminho!!
e pronto, já fiquei melancólica, saudosista e um pouco depré!!
Outro dia dei por mim a chorar quando ouvi a canção 20 anos do Jose Cid!! Não ouvia há tanto tempo e fez-me lembrar quando era criança...

Anónimo disse...

Cara De* acho que fez lindamente, viajar é só uma das melhores coisas que podemos fazer e que nos enriquece em diversos aspectos. Eu teria feito o mesmo se tivesse um namorado que não gostasse de viajar.

Fátima C. disse...

Oh pipoquita..ó óó eu aqui com 33 acabadinhos de fazer,retornada á casa da mamã e a odiar o trabalho que tenho (op fabril) ....nao ,ainda nao tenho filhos, e estou há 3 anos numa relaçao(numa de keep calm)
nesses teus dias menos bons.... Pensa que há e haverá, sempre alguém bem pior que nós.. Óptimo 2018


(Até quando é a data oficial que pudemos parar de desejar óptimo ano a toda a gente que encontramos?)

Telma disse...

Bem Pipoca, todo esse texto era bem capaz de ser meu... tal e qual, sem acrescentar um ponto ou virgula. Teria só uma pequena alteração, estou nos 27 quase 28 (exactamente daqui a um mês).
Sinto esse género de insatisfação/frustração desde sempre, desde que me lembro. As pessoas que me rodeiam e ouvem as minhas lamúrias dizem que sou uma insatisfeita e que assim nunca vou ser feliz, mas eu sou feliz! Só não me sinto completa...

Neste momento, tomei a decisão de mudar de área profissional, desisti daquela obrigação vinda do sub-consciente de ter um emprego relacionado com os meus estudos pois já vi que esse não é o caminho e vou à procura de algo que me preencha.
Mas, não garanto que aí me vá sentir completa.. acho que aos meus 37 vou ler o teu texto novamente e sentir exactamente o mesmo que senti hoje.

É chato ser assim?
Sim é. Já chorei muito, já gritei para o ar mais ainda e já me isolei no meu buraco presa nos meus pensamentos quase negros.

Queria ser como os "conformados"?
NUNCA! nunca desejei ser como a maioria das pessoas que vivem quase como na ingenuidade de um quotidiano igual ao de ontem, do mês passado, do ano passado, de 1975... e assim estão sem ter qualquer perspectiva, sonho, alucinação ou dúvida! Isso faz-me comichão! Talvez possa ser mais "infeliz", mas sinto-me mais viva.

Com o tempo, tenho vindo a perceber como lidar com o meu feitio. Tenho que aprender a viver com esta caracteristica, tenho que procurar novos projectos, novas actividades, novas ideias e novos gostos e isso vai-me preenchendo :) talvez um dia me sinta cheia e voe!

Ligada a esta insatisfação vem outra caracteristica chata: a constante necessidade de mudança. Mudança de look, cabelo, emprego, casa, cidade, país, etc. Farto-me de tudo com alguma rapidez.
O problema? Já estou na idade "adulta" em que todos começam a estabilizar, casam, têm filhos e tudo mais.. e eu, aqui, a ver comboios passar... sorte a minha que tenho um namorado que gosta de me acompanhar e lá andamos nós, por aí :) talvez um dia mude ou talvez o meu futuro filho (caso exista) tenha que se adaptar a este estilo de vida.

Bem, muito obrigada por este bocadinho. Fizeste-me sentir menos sozinha :) e, parabéns! Já é dia 6 :) disfruta dos teus 37 aka 12!

Beijinhos

Anónimo disse...

Também sou deste clube. 53 mas a sentir-me uma miúda. Mas é a morte que dá sentido a vida....
Luísa

Anónimo disse...

Vê o comer,orar,amar. De certeza que já viste. Mas vê outra vez, com o foco na tua introspecção de vida.
Uma introspecção uma vez por ano, coisa menos coisa, não faz mal a ninguém. Quer dizer que tens a noção do teu ser. Isto é quase quando temos que nos ir confessar ao padre, assim meio obrigados, e antes temos que pensar no que andamos a fazer da nossa vidinha. Não podemos lá chegar e dizer, olhe eu sem querer risquei o carro do vizinho e disse umas quantas asneiras durante o dia, bastantes até. Não é pensar com consciência, e isso faz parte, de nós. E se chegas aos 37 a pensar assim, nada de mal. Quer dizer que ainda tens sonhos e os sonhos são realizáveis!! Não te conformes e chegues aos 80 a pensar, "se calhar devia ter aproveitado melhor a vidinha". É preciso pessoas com questões de vida intermináveis, assim como pessoas indecisas, senão... A vida era um aborrecimento

Anónimo disse...

Porra! Aqui 42, fui mãe pela primeira e última vez(!) aos 41... até pensei que isso ainda viesse dar algum salero à vida ... nop.... tudo igual, dúvidas, angústias, medos... e segundo os estereótipos eu devia ser tãooooo feliz.... enfim tudo igual por aqui... embora mais velha a cabeça tb parou ali no final da adolescência no que aos sonhos e realização pessoal e profissional diz respeito!

Anónimo disse...

Sem tirar nem pôr!

Anónimo disse...

Exatamente o que eu penso! Não vejo problema nenhum em morrer e não haver nada do outro lado, aliás não haver outro lado dá-me um alívio. Eu gosto tanto de cá andar quanto outra pessoa e tento aproveitar.

Anónimo disse...

Afinal não está assim tão sozinha...as pessoas não estão assim tão conformadas....só que vivem ...sem falar na questão....eu tenho 45...e quando vejo miúdas com 22 e 24 anos a pensar nisso...penso que as pessoas andam loucas ...elas estão na idade de viver e procurar o que querem...já diz é bem a minha mãe...as pessoas era muito mais amigas e felizes antigamente....com o pouco que tinham.....agora quer se sempre muito mais...em tudo....e andam nestas angústias uma vida toda....VIVAM OS MOMENTOS

Anónimo disse...

Ultimamente sinto-me mais angustiada e estas dúvidas também têm dado cabo de mim. Por isso tenho feito alguma pesquisa sobre o assunto. Nesta caixa de comentários acho que não vi uma pessoa a quem passe pela cabeça que isto (a vida/ a consciência) não fique por aqui. Aconselho-vos a que pesquisem acerca do psiquiatra Ian Stevenson, que dedicou a vida à recolha de casos sugestivos de reencarnação. São milhares e foi um cientista que os recolheu, procedendo a uma meticulosa confrontação de hipóteses. Por que é que isto não é mais divulgado?, questiono-me. Bem, porque vai contra tudo o que a ciência advoga até agora e a verdade é que ainda não conseguimos provar ou explicar o que acontece depois da morte a nível fisico. Se isto é conforto que chegue? Não, até porque me considero agnóstica, por mais que ponha essa hipótese, não posso dizer que acredito piamente nela. Já para não falar que mesmo admitindo que a reencarnação seja verdade, depois surgem outras questões. Do género, vou ter sempre de recomeçar de novo? E se eu nascer num sítio horrível? Quantas vezes isso vai acontecer? Tenho algum tipo de controlo? Enfim, é de loucos e é completamente insolúvel. Por isso preferia não pensar nisso sequer. Francamente preferia. Enfim, tanta coisa para dizer que a Ana não é a única, essas dúvidas e medos assolam toda a gente. Infelizmente nem toda a gente fala sobre isso, mas não é por acaso que este é o blogue mais lido do país. Distingue-se dos outros todos, especialmente por esta componente mais humana. Quanto à própria vida em si, questionar também é normal. Compreendo que para a Ana seja mais frustrante, aparentemente tem tudo o que é preciso para ser feliz. Mas a ambição e o medo são comuns a todos. Sabem que mais? Acho que no final vai fazer tudo sentido. O que temos de pensar é que no presente estamos aqui e é tudo o que interessa. Se ao menos fosse tão fácil...

Anónimo disse...

Revejo-me em tudo o que escreveste mas ao contrário de ti tenho a perfeita noção que não estou onde gostava de estar, que não atingi o que queria atingir, nem sequer a trindade emprego, casamento, filhos. Preferia estar acomodada. Mas não, estou só e permanentemente revoltada.

Anónimo disse...

A pirâmide de Maslow explica isso. Não tem a ver com ter ou não um emprego estável ou uma família cheia e um lar. Trata-se de querer sempre mais, ter a cabeça nos sonhos, querer sempre algo profundo e especial! Faça missão 1 mês, por exemplo :)

Anónimo disse...

Excelente conselho! Acompanho-o na página do Facebook e leio os textos do blog, ele é fantástico! Não o conheço, mas fiz uma consulta de Astrologia Humanística com a querida Vânia Silva e ajudou-me a perceber imensas coisas e a serenar uma série de inquietações... :)

Anónimo disse...

Sim, às vezes acabamos por não desfrutar do tudo de bom que temos porque estamos a pensar que deveria ser diferente... Ou que falta algo que nem sabemos bem o que é :/

Marta disse...

"E não é fácil ser uma angustiada crónica, ter sempre a cabeça a rebentar de questões, de "e se?", de dúvidas e inquietações. Na maior parte das vezes estou muito farta de mim mesma, só me apetece pôr a cabeça em "mute", para não ter de estar sempre a ouvir os meus próprios pensamentos chatos e circulares."
Como eu te compreendo... Muitas vezes, o que mais queria, era um botão 'Off' para desligar os pensamentos... Identifico-me muito com o que escreveste... Tenho 31 a caminho dos 32... Quando fiz 30 foi horrível, chorei antes do meu jantar de aniversário... Porque comecei a pensar que não tinha feito nada de jeito até então, que ainda não tinha deixado 'a minha marca no mundo' e que nem estava a caminho de o fazer... E deixei que esses pensamentos fossem tomando conta de mim... Comecei a acreditar neles... E tive um ano horrível. Com ajuda, consegui perceber, e ver, que afinal tinha feito muito mais do que pensava, principalmente por mim e pela minha vida. Nunca me conformei e tentei sempre tornar-me melhor... Por isso, às vezes, o problema é mesmo onde nos focamos... A nível pessoal tenho tudo o que preciso e sou muito feliz... Mas a nível profissional, nunca soube exactamente o que queria fazer... E só me focava nisso... Agora estou numa fase mais tranquila, a tentar desfrutar de tudo o de bom que tenho e a pensar que se tiver de descobrir o que quero mesmo fazer, isso irá acontecer... A seu tempo, no tempo certo. Mas não posso deixar de viver só a pensar nisso, que foi o que fiz muitas vezes...
Por isso, não deixes de ter as tuas dúvidas/questões/inquietações... Elas podem ajudar-nos a ser uma pessoa melhor. Mas nunca te deixes consumir por elas... Porque isso, no meu caso, só me trouxe ansiedade, depressão, infelicidade a mim e aos meus...

Anónimo disse...

Este texto poderia ter sido escrito por si mas para isso teria que saber escrever como a Pipoca. O facto de não conseguir fazê-lo revela apenas que é uma pessoa tão conformada com a sua vida como aquelas que acusa de ser.

Anónima disse...

É bom questionar, é saudável ter dúvidas, é apático e embrutecedor não as ter.
Mas só comecei a sentir-me bem na minha pele a partir dos 40 (apesar de pensando no número me parecerem 200). :) E além disso, a idade física não tem que corresponder à idade mental, embora quanto mais aproximado for esse ratio, maior é o equilíbrio.

Anónimo disse...

Eu não acho que seja conformismo, mas temos de ser pragmáticos... estamos onde fizemos por estar! Acredito que há um caminho que vamos percorrendo e se tomamos determinadas decisões/escolhas foi porque quisemos! É normal que por vezes questionemos mas temos de acreditar mais em nós e confiarmos...

Anónimo disse...

O que o Franciso entende por entrar na vida adulta? Eu só consegui o meu primeiro trabalho aos 25 anos e aos 26 ainda vivo com os meus pais. Não entendo o espanto, é uma realidade dos nossos dias.

Anónimo disse...

I'm the same. Procura no Facebook a página da Noordev Kaur . Maravilhosa. Bjs 😘

Anónimo disse...

Viva simplesmente. Nao sao precisos grandes feitos. Nao preciso estar sempre realizada e feliz. O sentido da vida? Talvez um dia descubra...😘
Uma tb angustiada crónica.

Anónimo disse...

Concordo com a Luísa. A morte, pelo menos, é um limite que nos pode ajudar a definir objectivos e, em última instância, nos torna a todos iguais.

Se viver eternamente, não tenho motivo para agir, tanto posso fazer hoje como daqui a um século, é tudo igual. E ainda me consumiria eternamente na angústia de não saber o propósito disto tudo.

Sara Gonçalves disse...

Eu estou assim como tu Pipoca, mas com menos 10 anos. Chega mesmo a ser angustiante, porque temos 'tudo'para sermos felizes, mas parece que nos falta sempre qualquer coisa, nunca estamos satisfeitas.
Todas essas questões que nos preocupam: o que é que andamos cá a fazer? se se tornarem constantes e se não tivermos respostas para elas, não é bom sinal. Eu já fui a psicólogos e ando constantemente a ler livros de auto-ajuda e ando bem melhor. E não tem mal nenhum em admitirmos que precisamos de ajudar.

Anónimo disse...

Só quem não sabe o que se sofre com certos pensamentos intrusivos e com a constante loucura de pensar é q pode dizer q tecnicas q ajudam a controlar isso são para idiotizar as pessoas

Marta disse...

Parabéns Pipoca! :)

Em relação a pensares sobre o sentido da tua Vida, ainda bem que o fazes. Se olhar à sua volta vai ver pessoas estagnadas, paradas no tempo, sem se conhecerem a elas nem aos outros. O conhecimento é bom e o auto-conhecimento é melhor ainda porque nos permite preencher de dentro, sem precisares do exterior. Permite-nos evoluir, permite-nos valorizar mais o Ser e não o Ter.

Li alguns livros que me ajudaram um pouco... apesar de ainda não saber nem um milésimo daquilo que pretendo.... Permite-te conhecer, meditar, olhar para dentro.

Permite-te também deixar-te algumas sugestões de livros que li e que fizeram click em mim:

Poder do Agora - Eckhart Tolle
O monge que vendeu o ferrari / O santo, o surfista e a executiva - Robin Sharma
Profecia Celestina - James Redifeld
Conversas com Deus - Neale Walson (ainda não li mas já me recomendaram por ser bastante bom! :))

Não penses que te conhecer e questionar é uma perda de tempo, perda de tempo é andares nesta Vida sem te superares e evoluir!

Um grande beijinho,
Marta.

Anónimo disse...

Anónimo das 23h37, mas eu tenho amigas da minha idade que já foram mães e sentem exactamente o mesmo que eu! Custa-lhes horrores ir trabalhar e deixar os filhos na creche e adoravam era passar mais tempo com eles, com os maridos e restante família e amigos porque eles é que as fazem felizes. Não veem o trabalho como uma escapatória da vida e da rotina! Não veem o trabalho como um momento em que estão livres, bem pelo contrário. Eu quero ter um filho e acho que aí também vou pensar assim, aliás, ainda vou pensar mais. Porque vou ter um ser que depende de mim e que amarei mais que tudo no mundo e vou querer o máximo de tempo possível para estar com ele, parecendo-me ainda mais perda de tempo estar a gastar anos de vida no trabalho e com colegas que não me são nada, em vez de estar junto a quem amo, para ganhar dinheiro para pagar a outros para tomarem conta do meu filho. Isso para mim não faz sentido nenhum, a maneira como as nossas sociedades estão organizadas em torno do trabalho e incomoda-me que tenhamos de alocar tanto tempo precioso das nossas vidas e os nossos anos mais jovens e saudáveis a isso.

Anónimo disse...

Tenho de concordar com este comentário,ao ler o texto penso que realmente está a expor o que sente e a questionar a sua existência (quem nunca o fez?). Mas, a observação que andamos todos numa inércia... as minhas ambições não serão as mesmas que outros... arriscar, questionar, não cair na rotina é o quê?para alguns são muito ambiciosos porque mudaram de país,pois para mim isso não dava, a vida é aqui e agora,não faria sentido (para mim),faze-la longe dos meus; arriscar é o que? Despedir-me e ir viajar durante um ano? Ótimo para quem o.consegue,não sei se para mim isso me traria maior felicidade... tenho 33anos, um enprego que me ocupa as horas necessárias,dois filhos, uma casa e um marido. Tenho o tal combo..mas o verdadeiro sentido da.vida prende-se fora do tal.combo? Isso é muito redutor. Para mim, acho que a minha existência vai muito além dos blogs que sigo, a marca xpto de maquilhagem, as botas da loja tal, as roupas e as tendências... para mim isso não me diz nada, aminha existencia passa ao lado disso, gosto de estar com os meus, em pequenas coisas,pequenos momentos... hoje estamos cá e amanhã?

Ana Rocha disse...

Pipoca estou numa fase da vida em que isto me ajudou a pensar:

https://www.facebook.com/TAODEWUSHI/videos/2019508611409573/

Talvez também te ajude a ti.

Parabéns.

Um beijo

Inês disse...

Com 24 estou a acabar a tese. Curso + mestrado são 5 ou 6 anos. Não percebo o espanto. E é claro que há inquietações, saber em que área, dentro do que estudei, quero trabalhar, se fico em Portugal ou vou para fora, se arranjo um emprego mesmo que não me diga nada só para pagar contas ou se luto mais por algo mais incerto mas que fará mais feliz.

Anónimo disse...

Excelente resposta👍

Anónimo disse...

Também só conheço o Nuno Michaels do blog e da página FB (assisti a uma palestra mas não tive qualquer interação directa com o próprio).

Não conheço essa senhora, mas sei - por experiência própria - que uma consulta de astrologia pode ser um murro no estômago e tanto. Sobretudo para alguém como eu era, tão, mas tão avessa à espiritualidade em geral e ao 'esoterismo' em particular.

A vida ensina. :) Nem que seja... à força.

Anónimo disse...

Recomendo o "caminho menos percorrido", de scott peck! Uma leitura obrigatória.
Seja feliz, continue a fazer planos e seja grata! Tem muita ansia por experiências, por coisas, é muita ambiciosa. Tenha calma e alimente o espírito para lhe dar algum alento.

Anónimo disse...

Francisco O Pensador,
Eu tenho 22 anos e sempre fui trabalhadora-estudante. Trabalho para pagar os meus estudos e pago muito das minhas despesas mas ainda vivo com a minha mãe, o curso ainda não terminou e ainda não tenho um emprego na área. Por isso considero que também ainda não entrei na dita "idade adulta". E com apenas esta idade sinto exactamente o mesmo que a Pipoca escreveu. Este texto poderia ter sido escrito por mim. Não entendo a necessidade de apontar dedos à minha geração como se todos nós fossemos parasitas da sociedade sem objectivos e que vivem as custas dos pais. Juro que não consigo entender essa generalização que chega a ser tóxica e injusta.

Anónimo disse...

*viagem À volta do mundo

Anónimo disse...

É tão isto...

Anónimo disse...

Histrionica? Bordeline?

Unknown disse...

Dia 21, 48 anos... todos os anos penso nisto... qual é realmente a minha missão nesta vida ... é mesmo só isto? Tirar um curso, tirar pós graduação e mestrado, ter emprego que adoro e que me realiza, ter filhos, estar confortável na vida...ok, é bom é confortavel, mas é rotina...o ano passado só para agitar abri um bar numa praia e em vez de 15 dias em Agosto no Algarve a asneirar estive do outro lado...este ano logo se vê... passa tudo tão rápido... ainda ontem queria ser maior de idade e agora estou cada vez mais próximo dos 50 ....

Francisco o Pensador disse...

Inês e Anónimo (12:05), creio que não deva ser segredo para ninguém que a vida do ser humano atravessa 4 fases distintas que são: Infância, Adolescência, Idade Adulta e Velhice. A idade adulta inicia-se por volta dos 20 anos, logo, com ela inicia-se também o estado de Vida Adulta. Seguramente que com 24 e 22 anos ninguém deverá querer assumir que ainda atravessa a fase da adolescência, certo? Poderão decerto não possuir a autonomia ou a estabilidade financeira/emocional que desejam, mas perante a sociedade essas pessoas já são consideradas responsáveis pelos seus actos.

Francisco o Pensador disse...

Anónimo (18:46), e eu não entendo porque razão estão sempre a atribuir-me a autoria de frases que nem sequer estão no meu imaginário. Em que exacto momento você viu-me apontar o dedo à sua geração e tratá-la como se fosse composta por parasitas da sociedade sem objectivos e que vivem as custas dos pais? Vá com calma menina. Não sei que tipo de estado emocional você atravessa actualmente nem as coisas agressivas que você possa ter ouvido das pessoas à sua volta, mas eu estou seguro de que não tenho qualquer responsabilidade nesta matéria.

Anónimo disse...

Este comentário intrigou-me. Qual é o facto que revela que a anónima é apenas uma pessoa conformada? Não saber escrever como a Pipoca? Como é que isso lhe revela o que quer que seja!?

Telma disse...

Histrionica? Nao mesmo. Muito pouca gente sabe desta minha insatisfação/defeito e sou bastante timida até. Odeio ser o centro das atenções.

Bordeline? Acho um pouco excessivo. Peço desculpa se a minha escrita o/a induziu a falsas conclusoes. Sou uma rapariga perfeitamente normal mas que quando está demasiado estável se sente insatisfeita. :)

killyourbarbies disse...

Quem tem tendência para ter pavor da morte sabe muito bem que pode olhar para a coisa da perspetiva que quiser que nunca perderá o medo. Quando era mais nova (desde criança) pensava muito nisso, se pensasse muita tinha ataques de pânico. Resolvi que tinha que afastar esses pensamentos e o que acontece agora? Aparecem quando estou naquela fase entre o acordada e o sono. Não nos livramos deste medo.

Francisco o Pensador disse...

Nádia, nem é suposto perdermos esse medo. É o medo que nos mantém vivos e em estado de alerta e obriga-nos também a melhorar aquilo que temos de pior. Por não conseguirmos livrar-nos dele é que se torna importante aprendermos a viver com a sua presença sem nunca nos deixarmos dominar por ele...

Anónimo disse...

Como é que sabe o que os outros pensam ou se se questionam sobre a vida em geral e a deles em particular? Os comentários que teve são bastante “me too”... parece-me que essa angústia é bastante comum ao ser humano. No entanto, quem está feliz com coisas simples e com a sua própria rotina não é obrigatoriamente uma pessoa conformada e sem objectivos. Há também muitas pessoas que são felizes com coisas simples e se questionam na mesma sem angústia. Que se enchem nos seus dias atarefados com filhos, casa, brincadeira, afazeres domésticos e profissionais. Que são felizes por aproveitarem um quotidiano feito sim e também de rotinas e de horários mas que sabem que estes representam o crescer e viver em família, coisas simples como fazer comida juntos, fazer penteados com o champô, brincar ao faz de conta com os miúdos em chá das 5 improvisados, cantar músicas no carro, fazer puzzles, desenhar, pintar, rir. E nisso encontram o sentido da vida.
Há muita insatisfação em muitas pessoas que frequentam redes sociais e que conseguem ver muitas séries e filmes que os fazem outras vidas e também comparar, quando na verdade a maior parte desses “retratos” de vidas são irreais. Acho que quem está mais desligado do mundo digital é mais feliz com menos, não deixa de sonhar e de se questionar mas consegue ser feliz de forma simples. Às vezes basta só mudar de perspectiva, em países com dificuldades há crianças que são felizes porque têm um livro, porque têm um tecto onde alguém lhes ensina a ler, felizes com uma refeição quente ou um brinquedo improvisado. E sonham muito e têm muitas perguntas e curiosidade insaciável. Talvez se deixasse o mundo digital onde trabalha por uns tempos e vivesse numa dimensão diferente da sua, não digital, alguma angústia desaparecesse. Às vezes é necessário sairmos de nós e de tudo o que nos faz sentir nós mesmos ou o que achamos que somos para perceber quem somos e o que gostamos e queremos fazer e encontrar algumas respostas que podem ser ou não definitivas. E ser feliz com pouco não é viver com inércia nem não se questionar, é viver de forma diferente. Claro que há quem viva com inércia mas parece-me exagerado o seu “quase todos”. Porque há miúdos insatisfeitos e angustiados e deprimidos com 10 presentes caríssimos e miúdos felizes com uma corda e uma bola feita de papel e fita cola? Aproveite a imaginação do seu filho e a ingenuidade do mundo infantil, os seus poucos filtros, o seu ser cru, as coisas simples e uma tarefa só. Experimente fazer uma coisa nova e concentrar-se só numa coisa em vez de fazer mil ligada ao mundo digital. Experimente desligar-se e fazer um mês sem séries, filmes, tv e sem
Telemóvel depois das 18. Experimente desligar-se. Talvez se questione na mesma mas talvez fique menos angustiada. Atualmente há muita informação, muita rapidez, muito “ter de estar sempre em cima do acontecimento”, muitos inputs. Talvez menos, talvez a maior parte das pessoas precise de se desligar mais dos outros e do digital e viver mais no real. Talvez a angústia desse lugar a outras coisas.. talvez.

Anónimo disse...

Aproveita a tua vida Ana e vê essa inquietação como uma coisa positiva. Todos a sentimos mas nem todos somos capazes de a expressar. Sabes o título daquele livro do Tolentino "o pequeno caminho das grandes perguntas" é isso a vida... eu sou feliz à minha maneira e só quero encontrar a paz da rotina das pequenas coisas. Sou mãe de duas meninas pequenas e aos 39, há uns meses, fui operada a um cancro da mama. Um choque que me fez repensar muita coisa como costuma acontecer a quem passa por isto. Agora só peço 10 a 15 anos para criar as minhas filhas e para ser feliz vivendo com humildade as pequenas grandes coisas do dia a dia. Não publiques este comentário por favor. Bj

Catarina Lobão disse...

É pegar nessa inquietação e sede de vida e viver muuuuito! Fazer mais, fazer melhor, não parar, não se acomodar, não morrer antes de se estar morto.
Não te martirizes, pipoca, pega na tua energia do querer e não pares nunca. Um dia talvez chegues ao sentido de tudo. Talvez esse dia nunca chegue. Mas , pelo sim pelo não , não pares nunca e pelo menos o caminho da procura não terá sido em vão.

E acima de tudo não pares nunca de escrever. És brilhante!

Anónimo disse...

"Anón 14:49h,é muito provável que quando for mãe" ...Oi?! Quando for mãe? Ouço isto todos os dias como se fosse algo fatal como o destino...

Anónimo disse...

Também estou quase nos 37 e essa angustia também se apoderou de mim nos últimos anos. Há dias que sinto mais, nomeadamente no aniversário e no Natal. Este ano, por exemplo, íamos ter casa cheia no Natal e dei por mim a sofrer por antecedência, uns dias antes: queria manter aquele quadro para sempre, família reunida e muito amor. O sentimento pós Natal foi péssimo, como já previa. Muita angustia, medo de perder aqueles que ali estiveram e fizeram do Natal uma época tão feliz. Enfim, por que é que não conseguimos contentar-nos em aproveitar o momento e estar sempre a pensar nos "se"? Quem me dera ser uma otimista nata!

Anónimo disse...

Compreendo os teus sentimentos também já os senti. Às vezes a vida é rotineira e parece que não andamos cá a fazer nada. Mas deve agradecer porque se está assim, é porque está sem problemas. Porque quando uma pessoa tem um problema grave de saúde ou outros financeiros passam os seus dias a lutar contra uma doença ou aflitos a procura de trabalho que os dias passam e só queremos voltar a ter aquele sossego nas nossas vidas. Talvez se fizesse algum trabalho de solidariedade se sentisse mais útil e feliz. Porque para mim não há nada mais gratificante na vida do que ajudar o próximo. Que tal uma ida ao IPO e oferecer os seus livros às crianças. Só lhe posso dizer que se algum dia vier a ter um problema grave o que mais vai desejar é acordar como acorda hoje sem preocupações e ter mais um dia normal. Ter o seu marido e o seu filho ao seu lado felizes.

Sara disse...

Same here, mas com 27! Alma desassossegada... Acho que há um quê de Fernando Pessoa em nós. Talvez por isso goste tanto dele.

Um beijinho. Havemos de encontrar o nosso caminho!

Anónimo disse...

Acho que esses pensamentos são naturais no ser humano. Uns com mais propensão para tal, outros menos, mas toda a gente os tem. Toda a gente se questiona, toda a gente pensa nos "ses" da vida, acho que faz parte de sermos quem somos. O ser humano nunca está plenamente feliz ou em paz consigo próprio. Não se apoquente Pipoca, vida a vida como ela merece ser vivida, e isso, já será o bastante!

Anónimo disse...

Francisco adoro os seus comentários! Pensa e escreve muito bem, continue assim que eu venho ler a Pipoca e os seus comentários! Faço das suas palavras as minhas!

Anónimo disse...

Força Pipoca, you are not alone :)
Se me pusesse a relatar aqui o vai pela minha cabeça, desconfio que so me levantava do sofá amanha de manha e com muita baba e ranha corrida.

Francisco o Pensador disse...

Anónimo (15:53), bem...confesso que agora você apanhou-me. Sempre fui uma pessoa melhor preparada para as criticas do que propriamente para os elogios. Na verdade nunca sei bem o que fazer quando recebo um. Se ele for sincero, fico-lhe muito agradecido pelas suas palavras, e se não for...agradeço-lhe na mesma porque fez-me acreditar nelas. Apenas achei pena não ter deixado um "nick" que o(a) pudesse identificar porque, se bem conheço esta gente, ainda podem pensar que fui eu que escrevi como Anónimo só para poder elogiar-me a mim próprio...

Mas pelo menos sei que você saberá que não. Obrigado. :)

Simone disse...

Muito boa reflexao pipoca, obrigada por partilhares este (surpreendente) lado lunar. Sinto-me muito como tu e e bom ver esta complexidade transportada para palavras tao claras que me ajudam por isso a por as minhas proprias angustias em ordem. recomendo o livro da maria ribeiro tambem, a primeira cronica e excelente e acho que esta tambem relacionada com esta tensao.

Anónimo disse...

O sentido da vida é que não tem... sentido. ou então: life's a bitch and then you die. aproveita o filho, a saúde, os teus pais, porque um dia isso tudo vai-se e nunca mais volta.

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Teorias absolutamente espectaculares

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