Não, na verdade não é. Na verdade ainda faltam dois meses para o dito cujo. Mas já há tanta árvore de Natal e tanta luz a piscar por tudo quanto é lado, que parece que o Natal é já depois de amanhã. O que vale é que chegou o frio e a chuva, porque se não havia de ser bonito andar a apregoar o Natal com 30 graus e a malta de molho na praia. Mas pronto. Serve o intróito para explicar que este ano, e tendo em conta a crise, e o corte nos subsídios e o despesame anual em presentes, pensei que era capaz de ser boa ideia repensar o Natal e tentar arranjar outro esquema menos dispendioso. Ontem houve jantar de família, a conversa veio à baila e havia várias propostas na mesa: fazer um amigo secreto, definir um valor e toda a gente ter de o cumprir, manufacturar os presentes, dar só às crianças (péssima ideia, os putos já têm tralha que chegue e é preciso incutir-lhes o espírito de poupança), e outras que tais. Claro que não se chegou a consenso nenhum e, como dizia uma das minhas cunhadas, se fôssemos largados numa ilha deserta e tivéssemos de definir uma estratégia para nos safarmos, estávamos todos feitos ao bife. Havia quem defendesse que Natal sem presentes não é Natal, havia quem defendesse que amigo secreto só se faz no trabalho, havia quem defendesse que tinha 28 presentes para dar e a conta quase a zero, havia quem defendesse que este ano as coisas tinham mesmo de ser diferentes... enfim, havia de tudo, e por isso mesmo é que não resolvemos nada. Pessoalmente, sou apologista de dar e receber menos, mas melhor. Prefiro que me ofereçam qualquer coisa útil ou que eu queira mesmo do que 25 coisinhas que acabam por ficar a amontoar cá por casa. Pedimos à família que nos desse cheques-viagem de 5€ ou 10€, mas houve quem achasse demasiado impessoal ou sem graça. Ora se nós andamos a poupar para uma viagem, se todos os dias pomos moedas de um e dois euros no nosso porquinho (que já esta bem rechonchudo), e se isto é realmente uma coisa que nos dá prazer, porque é que não levam a proposta a sério? Eu também acho que Natal sem presentes não é Natal, e gosto muito de pensar no que vou dar a cada pessoa (mais até do que naquilo que vou receber), mas acho que está na hora de começarmos a ser mais inteligentes nas ofertas e dar às pessoas coisas que realmente lhes são úteis ou que temos a certeza que elas vão amar. Posto isto, ficam as minhas sugestões para as trocas de prendas deste ano. Quem tiver outras, que as junte à lista, que 25 mil cabeças juntas pensam melhor do que uma:
- Amigo Secreto: sim, na família também pode ser. Tira-se um nome à sorte e tem de se dar uma prenda a essa pessoa. Seja uma coisa mais a gozar, seja uma coisa mais compostinha (se só houver um presente para dar, pode ser mais caro). Poupa-se uma fortuna e não deixa de ser um presente personalizado.
- Estabelecer um valor máximo, tipo 10 euros. Depois cada pessoa diz o que gostaria de receber até 10 euros (não sei se já disse, mas queremos cheques-viagem) ou sujeita-se ao que os outros quiserem dar.
- Toda a gente se junta para comprar os presentes dos outros. Cada pessoa só recebe um presente mas é, seguramente, muito melhor. Se cada um entrar com dez euritos, já se consegue uma prenda bem jeitosa.
- Pegar no dinheirinho que cada um pensa gastar e dar a uma instituição, em nome da família toda.
- Escrever só um postalinho a desejar um santo e feliz Natal.
- Não fazer nada disto e estourar com o cartão de crédito (eu não tenho, logo não posso dar presentes).
- Entre amigos, resumir a coisa a uma bela jantarada natalícia em que cada um leva uma coisa diferente para comer/beber.
- No que toca à criançada, sou uma grande defensora de que não devem receber mais de dois ou três presentes. É perguntar-lhes o que é que querem mesmo, mesmo, mesmo, mesmo muito receber e, dependendo dos preços, dar-lhes só essas duas ou três coisas (se for uma coisa muito cara, tipo uma consola ou assim, junta-se a família toda e recebem só isso). Ideal, ideal, era receberem só um brinquedo e o resto seriam coisas úteis e nas quais os pais gastam fortunas (roupa, calçado, material escolar, etc e tal). A quantidade de prendas que recebem a cada ano é um absoluto disparate. Os putos não ligam nada, só querem rasgar papel, pelo que sugiro que este ano se voltem a embrulhar os presentes do ano passado (de certeza que já não se lembram) ou que lhes sejam oferecidas caixas vazias. Assim como assim, só acham graça à parte de desembrulhar, mal olham para o que está lá dentro e já estão a perguntar pelo próximo. Acho que também não era má ideia ter uma conversa pedagógica com eles (na nossa família têm todos mais de cinco anos, já percebem as coisas), explicar-lhes o que custa a vidinha e porque é que este ano não vão ter 30 presentes cada um, como é costume. Ah, isso e obrigá-los a escolher os briquedos que usam menos para dar a crianças que precisem mais. Claro que convencer pais, tios e avós a embarcarem nisto é muito mais complicado (toda a gente acha muita graça a dar cinco presentes à criança), mas pronto, fica a ideia.
Entre propostas mais a sério e outras não tanto assim, acho mesmo que este ano devia ser diferente e que devíamos encontrar novas formas de comemorar o Natal. Pelo sim, pelo não, na noite de 24 vou levar o nosso porquinho-viagens e e fazê-lo passar de mão em mão.
- Amigo Secreto: sim, na família também pode ser. Tira-se um nome à sorte e tem de se dar uma prenda a essa pessoa. Seja uma coisa mais a gozar, seja uma coisa mais compostinha (se só houver um presente para dar, pode ser mais caro). Poupa-se uma fortuna e não deixa de ser um presente personalizado.
- Estabelecer um valor máximo, tipo 10 euros. Depois cada pessoa diz o que gostaria de receber até 10 euros (não sei se já disse, mas queremos cheques-viagem) ou sujeita-se ao que os outros quiserem dar.
- Toda a gente se junta para comprar os presentes dos outros. Cada pessoa só recebe um presente mas é, seguramente, muito melhor. Se cada um entrar com dez euritos, já se consegue uma prenda bem jeitosa.
- Pegar no dinheirinho que cada um pensa gastar e dar a uma instituição, em nome da família toda.
- Escrever só um postalinho a desejar um santo e feliz Natal.
- Não fazer nada disto e estourar com o cartão de crédito (eu não tenho, logo não posso dar presentes).
- Entre amigos, resumir a coisa a uma bela jantarada natalícia em que cada um leva uma coisa diferente para comer/beber.
- No que toca à criançada, sou uma grande defensora de que não devem receber mais de dois ou três presentes. É perguntar-lhes o que é que querem mesmo, mesmo, mesmo, mesmo muito receber e, dependendo dos preços, dar-lhes só essas duas ou três coisas (se for uma coisa muito cara, tipo uma consola ou assim, junta-se a família toda e recebem só isso). Ideal, ideal, era receberem só um brinquedo e o resto seriam coisas úteis e nas quais os pais gastam fortunas (roupa, calçado, material escolar, etc e tal). A quantidade de prendas que recebem a cada ano é um absoluto disparate. Os putos não ligam nada, só querem rasgar papel, pelo que sugiro que este ano se voltem a embrulhar os presentes do ano passado (de certeza que já não se lembram) ou que lhes sejam oferecidas caixas vazias. Assim como assim, só acham graça à parte de desembrulhar, mal olham para o que está lá dentro e já estão a perguntar pelo próximo. Acho que também não era má ideia ter uma conversa pedagógica com eles (na nossa família têm todos mais de cinco anos, já percebem as coisas), explicar-lhes o que custa a vidinha e porque é que este ano não vão ter 30 presentes cada um, como é costume. Ah, isso e obrigá-los a escolher os briquedos que usam menos para dar a crianças que precisem mais. Claro que convencer pais, tios e avós a embarcarem nisto é muito mais complicado (toda a gente acha muita graça a dar cinco presentes à criança), mas pronto, fica a ideia.
Entre propostas mais a sério e outras não tanto assim, acho mesmo que este ano devia ser diferente e que devíamos encontrar novas formas de comemorar o Natal. Pelo sim, pelo não, na noite de 24 vou levar o nosso porquinho-viagens e e fazê-lo passar de mão em mão.

































