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quinta-feira, maio 18, 2006
E assim vai a vida...

Pois é, hoje tive mais uma brilhante entrevista de trabalho. A minha capacidade para dizer asneiras neste tipo de situações é sobejamente conhecida e já foi exposta neste blog por diversas vezes, mas hoje até nem correu mal. O gajo era simpático, a entrevista foi na esplanada ao lado de minha casa, estávamos nos meus domínios e consegui controlar-me o suficiente para não dizer tudo o que me ia passando pela cabeça. Ia um bocado chateada e sem grande vontade... na verdade, estava numa de gritar com alguém, de berrar "ODEIO MADRID, ODEIO ESTA MERDA TODA, ESTA CIDADE DÁ CABO DE MIM". Mas como, minutos antes da entrevista, alguém me disse que eu era uma desilusão, canalizei toda a minha ira para tentar que a coisa não corresse muito mal. Se ficar com o trabalho (que é um estágio remunerado numa agência de relações públicas) ficarei mais três mesitos em Madrid. Não sei onde irei viver, não faço ideia de um sem número de pormenores, não imagino como sobreviveria a um Verão nesta terra sem praia e sem amigos, mas a verdade é que me apetecia mesmo fazer este estágio. E que estou aqui à espera que a merda do telemóvel toque e me digam "venhaaaaaaaaaa trabalhar connosco, minha querida, você foi a escolhidaaaaaaaaaaaaaaa". Claro que se gerou uma certa animosidade quando o gajo me disse que estava com uma alergia que tinha apanhado em Portugal há um ano, e que depois disso voltou lá, teve um acidente no Porto, a namorada desmaiou e sei lá eu mais o quê, e eu tive vontade de lhe dizer "olha lá, meu alemãozinho sonso mas que até nem é feio de todo, se não gostas não voltes lá", mas acabei por fazer um sorrisinho compreensivo e só lhe disse que giro, giro era Lisboa e que ele tinha mesmo que lá ir, com a promessa que, desta feita, nada lhe aconteceria.
Para além de ter contado toda a minha vida profissional em espanhol, ainda fui submetida a um inquérito em inglês, tendo passado com distinção. Para além disso, tive ainda que entregar um trabalhinho escrito, em espanhuelo, e aí é que a porca torce o rabo. Ele levou-o para dar uma vista de olhos com mais atenção, mas eu acho que ele não quis foi desatar a rir-se na minha cara, de tão mau que aquilo devia estar. Enfim, enfim... estou a tentar não ser acometida do meu habitual pessimismo, de pensar que sim senhora, tenho todas as condições e mais algumas para ficar com este trabalhinho (sou gira, que Diabo!!!), mas acho que não vou ter lá muita sorte. É esperar para ver. Entre hoje e amanhã terei notícias. E agora vou mas é esplanadar, que tristezas não pagam dívidas e há um bronze para manter.

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