
Foi o facto de a minha amiga Mary me ter dito "pára de ouvir Jeff Buckley... ou então ouve, ouve tudo de uma vez, ouve também Antony and the Johnsons... mas ouve tudo hoje", que me fez perceber que não tenho feitio para ficar a amargar por muito tempo. Ou melhor, ter até tenho, é a história da minha vida, não tenho é paciência. Continuo triste, continuo de mal com a vida, mas ficar para aqui a amarrar o burro é que não está com nada. E deixar o Pipoca ao abandono parte-me o coração, porque passo a vida a pensar em coisas que me apetece aqui escrever. Assim sendo, estou para aqui a ouvir todas as músicas deprimentes que tenho na playlist, a bater no mais fundo que posso, já chorei o que havia para chorar, pr'ámanhã acordar fresca e recomposta qb, apanhar os caquinhos todos, colá-los o melhor possível e preparar-me para despedaçar o coração uma vez mais, que eu só estou bem assim.
Estou em Lisboa, a ressacar, que estar em Madrid e ainda por cima triste, é o fim da picada! Os últimos dias não foram maus no que toca a novas amizades. Um novo amigo belga, uma francesa, um Tomás-bem-jeitoso-vizinho-de-cima-e-arraçado-de-portugueses com quem meti conversa na escada ao ouvir falar português, o rapaz do bar por baixo de minha casa, que me viu hoje de malas aviadas e me disse "ohhh, já te vais embora?", uma mensagem no hi5 de um tuga que me viu num bar madrileno a ver o glorioso SLB e que por acaso até trabalha na Adolfo Dominguez e que POR ACASO até tem desconto de 30 por cento...enfim, de repente parece que toda a gente em Madrid se lembrou de fazer amiguinhos, o que poderá tornar o meu regresso menos penoso.
Entretanto, hoje no aeroporto consegui fazer a proeza de perder o bilhete de avião. E vi-me perante um dilema: esperar que me chamassem pelos altifalantes e passar pela vergonha de todo o aeroporto saber que eu tinha dado sumiço ao bilhete ou ir de novo ao balcão da TAP, onde tinha estado há cinco minutos, e pedir para me darem um novo. Por momentos pensei que a senhora me ia pôr uma pulseirinha, qual criança de quatro anos, e dizer "vá, agora veja já se não perde este também", mas limitou-se a dar-me um bilhetinho novo, sem perguntas nem sermões.
De manhã, quando estava a preparar-me para sair de casa, dei por mim a repensar todo o meu o outfit em função das malas que levava. Ou melhor, em função de achar que podia ter excesso de peso e que, por isso, convinha estar girita, no caso de ser um gajo a fazer o check in e de eu precisar de recorrer a todo o meu charme (que é imenso, por acaso). Sim, porque da última vez levava peso a mais, eram gajos a atender e não houve problema nenhum. No regresso a Madrid apanhei uma cabra fria e insensível no check in, que me disse com um ar quase feliz "tem excesso de peso, vai ter que pagar". Mas lixou-se à grande, porque esvaziei uma das malas para um saco que levei comigo e a malinha foi rigorosamente vazia! Toma lá, nojentorra! Enfim, para me precaver lá fui eu passar um blushzinho pela cara e um lápis pelos olhos. Por acaso calhou-me uma gaja, mas também só tinha 1,5kg de excesso, nada que pudesse pôr em risco a vida dos estimados passageiros. A sério, é uma tristeza que uma mulher tenha que se pintarolar (e rezar para que seja um gajo a tomar conta do processo) para que lhe perdoem dois ou três quilinhos de bagagem! Ao que o mundo chegou! Mas se são estas as regras do jogo... nós jogamo-lo como ninguém!
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Teorias absolutamente espectaculares