
Um problema de rede
Em tempos idos, os requisitos mínimos para se andar com alguém eram a idade, a localização geográfica e, vá, alguma cumplicidade intelectual. Mas agora uma nova pergunta veio juntar-se à infindável "lista de perguntas a fazer quando se conhece alguém com quem nos apetece mais do que um simples cafezinho". E a pergunta, que já está no top 3, logo a seguir ao "como é que te chamas?" e "quantos anos tens?" é....txaraaaaaaaaaaaammm... "qual é a tua rede?". Pois é, ser TMN, Vodafone ou Optimus pode ser extremamente decisivo na hora de sacar uma pessoa e, até mesmo, de manter uma relação... ou dar cabo dela. Ora como eu sou uma pessoa que tem muito em que pensar, tempo para o fazer, e me dou com gente que alimenta a minha imaginaçãozinha (não é, Mary, sua grande querida que faz anos hoje???), ontem dei por mim a ir deixar a babe a casa depois de uma volta pelo Bairrinho e a pensar nisso. Já nem me lembro como é que a conversa começou, acho que foi por a Mary ter dito que teve um caso qualquer com um 96 (sendo ela 91), e que por isso as chamadas eram só feitas para casa. E que quando se chega a um ponto sério na relação, um deles tem que mudar. "Sim, porque é que achas que mudei de 96 para 91? Por causa do Pedro!". Fiquei sentida, que fiquei, porque achei que tinha sido por minha causa, mas tudo bem, recuperei, não dei sinais de fraqueza nem de mágoa e continuei a conduzir como se nada se tivesse passado.
O meu primeiro telemóvel foi um 96, que tive dois ou três anos até me ter fartado. Mudei então para a Vodafone (velhinha Telecel), mas sem que houvesse qualquer assunto do coração por trás disso! Muito mais tarde arranjei um TMN, por causa de um gajo. Deixei-o (a ele e ao telemóvel), e passei a reactivar o bicho conforme os gajos 96 que ia arranjando. Neste momento acho que já passou da validade novamente... e cheira-me que vai ficar quieto por uns bons tempos. Acho que os senhores da TMN até já me conhecem. Quando ligo paras lá a reactivar o cartão devem dizer uns prós outros "pronto, já sacou mais um caso 96, a cabra".
Os problemas de andar com alguém que não tem a mesma rede que nós começam na altura em que alguém tem que mudar. Ora isso é uma coisa que ninguém quer fazer, por isso acaba por ser a gaja a comprar outro telemóvel. Sim, porque A GAJA tem mala, por isso A GAJA pode levar dois telemóveis, a bolsa de pinturas, outro par de meias, a agenda, as chaves de casa e do carro... ah, e claro, a carteira e o telemóvel DELE! Mas, mais cedo ou mais tarde, esse problema acaba por vir ao de cima, porque quando a gaja sair com uma mala muito pequena e tiver que escolher um telemóvel... meus amigos, é certo e sabido que o que fica em casa é o telemovel que for da mesma rede do do namorado. E, está-se mesmo a ver, isso vai acabar em chatice.
Se, por acaso, o feliz casalinho optar por manter os telemóveis que já tem...não dou um mês para a relação ir à vida. Porque há um que se vai queixar que liga mais, que gasta mais dinheiro, que se soubesse que ia ser assim não se tinha metido naquilo... o afastamento é inevitável a cada mês que a conta chegar lá a casa.
Portanto, a conclusão a que se chega é que só nos devemos relacionar com pessoas da mesma rede que nós. E, mesmo isso, é meio caminho andando para uma relação falhar, porque ser da mesma rede implica tarifários reduzidos, mensagens gratuitas e a certeza que a outra pessoa será bombardeada a cada cinco minutos. Ou seja, um enjoo pegado que também acaba em três tempos.
Já sei.. procurem alguém que NÃO tenha telemóvel! Isso sim, é uma raridade nos dias que correm. Evitam-se chatices desnecessárias, dinheiro mal gasto e ataques de nervos. Tivesse eu coragem e o meu ia já pela janela.














