Petição anti-pombo
“Nos céus de Lisboa voam aves adoráveis, penudas (se se diz peludas, de certeza que também se pode dizer penudas!), dóceis, que precisam de muito milho, amor e afecto...”. Assim poderia começar uma crónica de uma pessoa que simpatize com pombos, sim, porque é dessas criaturas do demo que eu estou a falar. Mas como um dos meus objectivos de vida é eliminá-los um por um, reformulo o início do texto. Então cá vai:
Nos céus de Lisboa abundam aves verdadeiramente nojentas, cor de rato, pulguentas, que precisam de muito pesticida no milho e de muito estalo naquele bico. Uma vez mais, arrisco-me a ter a Liga de Defesa dos Animais à porta de casa para um ajustamento de contas, mas eu não posso mais estar calada perante a proliferação de pombos em Lisboa.
Um amigo meu costumava dizer que os pombos organizam um concurso entre si chamado “Vamos Ver Quem Acerta Mais no Carro Do/a...”. Quando digo acertar, sabem bem ao que me refiro, àquelas manchas brancas e esverdeadas que só saem à custa de quatro horas de esfreganço com palha de aço e muito diluente. Mas cheira-me que agora a coisa se tornou pessoal e TODOS os pombos de Lisboa se uniram para acertar em cheio na minha viatura. E o prémio deve ser dos bons, porque não há dia em que o meu belo carro não seja alvo de uma... cagadela (chamemos as coisas pelos nomes!). Recorrendo a um antigo slogan que por aí se via, também a mim me apetece dizer “faça alguma coisa, Dr. Santana Lopes!”.
A situação está a ficar tão problemática que já quase dei por mim a olhar para o céu e a gritar “vou lavar o carro amanhã, por isso despachem-se e façam tudo o que têm para fazer, sim?”. Não adianta, ainda mal saí da lavagem automática e já os gajos estão a afinar as miras. O que é que uma pessoa pode fazer perante uma situação destas? Nada, a não ser lançar uma petição subordinada ao tema “’bora lá dar cabo deles!” e esperar que todos os lisboetas tenham o bom senso de aderir.
E para que não digam que sou uma pessoa intolerante e que não dou opções de escolha, quem assinar a petição vai poder optar entre quatro ou cinco formas de exterminar os estafermos. Assim, afogamento no Tejo, tiro ao pombo, depenamento do pombo ou insuflação do pombo até que rebente são algumas das possibilidades oferecidas a quem quiser aderir.
Se alguém me apresentasse o lado positivo de haver pombos na cidade eu até poderia reconsiderar a minha posição radical mas, assim de repente, não estou a ver uma única coisa que abone a favor dos bichos. São cinzentos, uma cor completamente ultrapassada e que não dá com nada, não apresentam o mais pequenos sinal de inteligência, arrulham (que raio de animal é que se manifesta através do verbo “arrulhar”????), cagam em cima de tudo e mais alguma coisa (os estrangeiros devem achar que o esverdeado é a cor natural de todas as nossas estátuas, edifícios e monumentos) e de certezinha que cheiram mal. Longe de mim aproximar este tão refinado nariz de uma criatura dessas, mas basta olhar para eles para saber que são imundos e espalham um verdadeiro catálogo de doenças.
Posto isto, resta-me esperar que estas linhas produzam algum efeito. Eu já nem digo que os aniquilem, mas ao menos que os integrem num programa de reinserção social e os recambiem para outro país qualquer, tipo Espanha. Assim como assim é já aqui ao lado, os pombos não se cansam por aí além e a malta vinga-se, finalmente, de nos terem açambarcado Olivença.
segunda-feira, junho 20, 2005
Carta aberta a Manuel Maria Carrilho
Caro Senhor:
Pois é, parece que isto agora o que está a dar é ofender jornalistas, não é? Já não bastava o Alberto João vir-nos chamar de “filhos da puta”, agora vem o senhor apelidar-nos de “débeis mentais” e de não nos interessarmos “pelo essencial”. Isto a propósito da classe jornalística ter dado muita importância ao facto do senhor ter feito um bonito vídeo de campanha à Câmara de Lisboa com a senhora sua esposa, Babá Guimarães, e o senhor seu filho, Diniz Maria. Posto isto, parece-me relevante salientar aqui alguns pontos:
1- Quer-se dizer, primeiro andou aí a esconder a criança como se a dita tivesse três olhos ou qualquer outra anormalidade do género, chegou até a agredir um fotógrafo, e tudo isto pela privacidade do menino que não tem nada que ser exposto e tra lá lá. Mas agora já acha muitíssimo normal espetar com a cara do ranhoso do puto toda a santa semana na capa da Caras e Lux e merdas afins... e feio que é!
2- Quando chama os jornalistas de “débeis mentais”.... ora vamos lá a ver... tem noção que é casado com um jornalista, ou ninguém lhe tinha dito nada ainda??? Malandros!
3- Quando diz que os jornalistas não se interessam pelo essencial,presumo que esteja com isto a querer dizer que... O SEU VÍDEO DE CAMPANHA NÃO INTERESSA AO MENINO JESUS, e que por isso nem sequer lhe deviamos ter dado tempo de antena, certo? Concordo plenamente! Felizmente, não trabalho na secção de política, senão pode crer que me recusaria a entrevistá-lo!! Antes ser despedida, seu sonso afectadinho de nariz empinado.
4- Ah, e quando se lamenta com arzinho de Calimero ao dizer “pobre país que tem uma classe jornalística assim”, deixe-me antes que lhe diga “pobre país que tem uma classe (pseudo) política assim”. Aprenda mas é a dizer os “erres” como as pessoas normais e não seja possidónio, não?
Caro Senhor:
Pois é, parece que isto agora o que está a dar é ofender jornalistas, não é? Já não bastava o Alberto João vir-nos chamar de “filhos da puta”, agora vem o senhor apelidar-nos de “débeis mentais” e de não nos interessarmos “pelo essencial”. Isto a propósito da classe jornalística ter dado muita importância ao facto do senhor ter feito um bonito vídeo de campanha à Câmara de Lisboa com a senhora sua esposa, Babá Guimarães, e o senhor seu filho, Diniz Maria. Posto isto, parece-me relevante salientar aqui alguns pontos:
1- Quer-se dizer, primeiro andou aí a esconder a criança como se a dita tivesse três olhos ou qualquer outra anormalidade do género, chegou até a agredir um fotógrafo, e tudo isto pela privacidade do menino que não tem nada que ser exposto e tra lá lá. Mas agora já acha muitíssimo normal espetar com a cara do ranhoso do puto toda a santa semana na capa da Caras e Lux e merdas afins... e feio que é!
2- Quando chama os jornalistas de “débeis mentais”.... ora vamos lá a ver... tem noção que é casado com um jornalista, ou ninguém lhe tinha dito nada ainda??? Malandros!
3- Quando diz que os jornalistas não se interessam pelo essencial,presumo que esteja com isto a querer dizer que... O SEU VÍDEO DE CAMPANHA NÃO INTERESSA AO MENINO JESUS, e que por isso nem sequer lhe deviamos ter dado tempo de antena, certo? Concordo plenamente! Felizmente, não trabalho na secção de política, senão pode crer que me recusaria a entrevistá-lo!! Antes ser despedida, seu sonso afectadinho de nariz empinado.
4- Ah, e quando se lamenta com arzinho de Calimero ao dizer “pobre país que tem uma classe jornalística assim”, deixe-me antes que lhe diga “pobre país que tem uma classe (pseudo) política assim”. Aprenda mas é a dizer os “erres” como as pessoas normais e não seja possidónio, não?
segunda-feira, junho 20, 2005
Quer combater a celulite? Não me pergunte como
Se há estação da qual eu gosto é do Verão. Gosto, pronto. Lisboa fica vazia, é possível estacionar calmamente, sem ter que andar ao estalo para conseguir um lugarito, as pessoas ficam mais bronzeadas e, consequentemente, menos feias, Portugal enche-se de festarolas de aldeia com artistas do mais alto gabarito... enfim, só coisas boas. E, claro, também não há futebol nem política, o que é meio caminho andado para um ou dois meses na paz dos anjos.
Mas o Verão também tem todo um lado mau e sobre o qual me debruçarei nas linhas que se seguem. Um mal que se propaga enquanto o diabo esfrega um olho e que dá pelo nome de CELULITE. Sim, escrito em maiúsculas e tudo, para perceberem bem a dimensão deste flagelo que se torna mais dramático quando chega a hora de ir para a praia em trajes menores.
Odeio a celulite com todas as minhas forças, e ela também me deve odiar a mim, dada a fúria e a velocidade com que se instala em certas zonas do meu corpo, muito bem localizadas, por sinal. E é tão víbora, tão víbora, que parece estar mesmo à espera que arranque a época balnear para se tornar ainda mais saliente. Se pudesse desvendar um segredo à minha escolha seria esse: como exterminar a casca de laranja em dois minutos, mas de forma a que lhe pudesse infligir também algum sofrimento. Do género, enfiá-la num frasquinho e deixá-la agoniar lentamente, até que me implorasse, em desespero, “não, por favor, eu prometo nunca mais me alapar nas tuas pernas” (giríssimas, por acaso). Enfim, no mundo ideal seria assim, mas no mundo real sou obrigada a conviver com essa peste, como se alguma vez lhe tivesse endereçado um convite para que passasse umas férias vitalícias no meu rabo. É o fim...
Se calhar pareço alucinada, mas eu estou profundamente convicta que a celulite é uma coisa com vida própria, que pensa e que faz os possíveis e os impossíveis para nos tramar. É que só isso justifica que ela não desapareça nem por nada. Uma pessoa gasta uma fortuna em cremes, comprimidos, ginásios e afins, e a sonsa mantém-se ali, gelatinosa e irritante como só ela.
E é claro que isto me obriga a tomar medidas drásticas na praia, como ir enrolada na toalha até à água, dar um mergulho e sair a correr, na esperança que ninguém repare naquelas bolinhas demoníacas. Mas eu juro, aqui, diante de todos vós, que não me vou deixar vencer e que vou descobrir a cura para este tormento. Não acreditam, é? Tudo bem, quando me virem em Estocolmo, a receber o Nobel, depois falamos.
Se há estação da qual eu gosto é do Verão. Gosto, pronto. Lisboa fica vazia, é possível estacionar calmamente, sem ter que andar ao estalo para conseguir um lugarito, as pessoas ficam mais bronzeadas e, consequentemente, menos feias, Portugal enche-se de festarolas de aldeia com artistas do mais alto gabarito... enfim, só coisas boas. E, claro, também não há futebol nem política, o que é meio caminho andado para um ou dois meses na paz dos anjos.
Mas o Verão também tem todo um lado mau e sobre o qual me debruçarei nas linhas que se seguem. Um mal que se propaga enquanto o diabo esfrega um olho e que dá pelo nome de CELULITE. Sim, escrito em maiúsculas e tudo, para perceberem bem a dimensão deste flagelo que se torna mais dramático quando chega a hora de ir para a praia em trajes menores.
Odeio a celulite com todas as minhas forças, e ela também me deve odiar a mim, dada a fúria e a velocidade com que se instala em certas zonas do meu corpo, muito bem localizadas, por sinal. E é tão víbora, tão víbora, que parece estar mesmo à espera que arranque a época balnear para se tornar ainda mais saliente. Se pudesse desvendar um segredo à minha escolha seria esse: como exterminar a casca de laranja em dois minutos, mas de forma a que lhe pudesse infligir também algum sofrimento. Do género, enfiá-la num frasquinho e deixá-la agoniar lentamente, até que me implorasse, em desespero, “não, por favor, eu prometo nunca mais me alapar nas tuas pernas” (giríssimas, por acaso). Enfim, no mundo ideal seria assim, mas no mundo real sou obrigada a conviver com essa peste, como se alguma vez lhe tivesse endereçado um convite para que passasse umas férias vitalícias no meu rabo. É o fim...
Se calhar pareço alucinada, mas eu estou profundamente convicta que a celulite é uma coisa com vida própria, que pensa e que faz os possíveis e os impossíveis para nos tramar. É que só isso justifica que ela não desapareça nem por nada. Uma pessoa gasta uma fortuna em cremes, comprimidos, ginásios e afins, e a sonsa mantém-se ali, gelatinosa e irritante como só ela.
E é claro que isto me obriga a tomar medidas drásticas na praia, como ir enrolada na toalha até à água, dar um mergulho e sair a correr, na esperança que ninguém repare naquelas bolinhas demoníacas. Mas eu juro, aqui, diante de todos vós, que não me vou deixar vencer e que vou descobrir a cura para este tormento. Não acreditam, é? Tudo bem, quando me virem em Estocolmo, a receber o Nobel, depois falamos.
terça-feira, junho 07, 2005
Cocacólica anónima
Olá, o meu nome é Pipoca Mais Doce e há quase duas semanas que não bebo Coca-Cola.
(agora é a parte em que todos dizem "olá, Pipoca Mais Doceeeeeeeee")
Pois é, decidi pôr de lado o meu maior vício, a santa da Coca Cola. Estou triste, deprimida mesmo. Nunca mais vou ouvir aquele barulho típico das bolhinhas a rebentar... nunca mais vou afogar o limão lá dentro e espremê-lo com muita força contra o copo... nunca mais vou sentir aquele fresquinho a descer pela garganta abaixo...nunca mais vou ficar de lágrimas nos olhos à conta do gás.... BUÁAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!! Nunca mais vou poder chegar a uma esplanada, em pleno Verão, e dizer a célebre frase "uma coca-cola com gelo e limão". Nunca mais.....
Digam-me, amigos, isto é vida? Uma mulher merece isto? Não merece, pois não? Mas também não merece ver a celulite a amarinhar por ela acima como se não houvesse amanhã. Uma pessoa tem que fazer escolhas e eu acho que fiz a correcta.
Adeus, coca-cola, que tantas noites (e tardes e manhãs) me acompanhaste na vidinha de abstémia... olá Ice Tea de pêssego, que não chega aos calcanhares da Coca-Cola, mas ao menos não tem aquele gás demoníaco e, assim como assim, também sabe bem no Verão (ainda que esteja longe, muito longe do prazer proporcionado por uma latinha de Coca Cola).
E agora vou embora, chorar a minha tristeza para outras paragens e tentar não ir ali ao Extra açambarcar uma garrafa de dois litros....
Olá, o meu nome é Pipoca Mais Doce e há quase duas semanas que não bebo Coca-Cola.
(agora é a parte em que todos dizem "olá, Pipoca Mais Doceeeeeeeee")
Pois é, decidi pôr de lado o meu maior vício, a santa da Coca Cola. Estou triste, deprimida mesmo. Nunca mais vou ouvir aquele barulho típico das bolhinhas a rebentar... nunca mais vou afogar o limão lá dentro e espremê-lo com muita força contra o copo... nunca mais vou sentir aquele fresquinho a descer pela garganta abaixo...nunca mais vou ficar de lágrimas nos olhos à conta do gás.... BUÁAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!! Nunca mais vou poder chegar a uma esplanada, em pleno Verão, e dizer a célebre frase "uma coca-cola com gelo e limão". Nunca mais.....
Digam-me, amigos, isto é vida? Uma mulher merece isto? Não merece, pois não? Mas também não merece ver a celulite a amarinhar por ela acima como se não houvesse amanhã. Uma pessoa tem que fazer escolhas e eu acho que fiz a correcta.
Adeus, coca-cola, que tantas noites (e tardes e manhãs) me acompanhaste na vidinha de abstémia... olá Ice Tea de pêssego, que não chega aos calcanhares da Coca-Cola, mas ao menos não tem aquele gás demoníaco e, assim como assim, também sabe bem no Verão (ainda que esteja longe, muito longe do prazer proporcionado por uma latinha de Coca Cola).
E agora vou embora, chorar a minha tristeza para outras paragens e tentar não ir ali ao Extra açambarcar uma garrafa de dois litros....
segunda-feira, junho 06, 2005
As minhas gosmentinhas
As minhas gosmentinhas são as mais lindas do mundo inteiro
As minhas gosmentinhas fazem-me rir até não poder mais
As minhas gosmentinhas dizem disparates e coisas completamente sem sentido
As minhas gosmentinhas fazem batalhas de bolas de papel
As minhas gosmentinhas chamam-me víbora e gosmenta, mas eu gosto delas à mesma
As minhas gosmentinhas conversam comigo pela noite dentro, sentadas no meio da rua
As minhas gosmentinhas usam expressões que só nós percebemos, que não têm piada absolutamente nenhuma, mas que nos fazem soltar gargalhadas e mais gargalhadas
As minhas gosmentinhas organizam jantares a propósito de coisa nenhuma
As minhas gosmentinhas dão-me as prendas mais queridas de todo o sempre
As minhas gosmentinhas andam sempre de máquina fotográfica atrás, por isso há sempre momentos para mais tarde recordar
As minhas amigas vestem-se com cores alegres
As minhas gosmentinhas cheiram muitooooo bem e só dá vontade de lhes dar abracinhos
As minhas gosmentinhas têm (quase) sempre um sorriso na cara e não há nada melhor que isso
As minhas gosmentinhas fazem-me perceber, dia após dia, que não há solidão possível quando se tem pessoas assim à nossa volta
Gosto muito de vocês e achei que hoje era um bom dia para vos dizer
As minhas gosmentinhas são as mais lindas do mundo inteiro
As minhas gosmentinhas fazem-me rir até não poder mais
As minhas gosmentinhas dizem disparates e coisas completamente sem sentido
As minhas gosmentinhas fazem batalhas de bolas de papel
As minhas gosmentinhas chamam-me víbora e gosmenta, mas eu gosto delas à mesma
As minhas gosmentinhas conversam comigo pela noite dentro, sentadas no meio da rua
As minhas gosmentinhas usam expressões que só nós percebemos, que não têm piada absolutamente nenhuma, mas que nos fazem soltar gargalhadas e mais gargalhadas
As minhas gosmentinhas organizam jantares a propósito de coisa nenhuma
As minhas gosmentinhas dão-me as prendas mais queridas de todo o sempre
As minhas gosmentinhas andam sempre de máquina fotográfica atrás, por isso há sempre momentos para mais tarde recordar
As minhas amigas vestem-se com cores alegres
As minhas gosmentinhas cheiram muitooooo bem e só dá vontade de lhes dar abracinhos
As minhas gosmentinhas têm (quase) sempre um sorriso na cara e não há nada melhor que isso
As minhas gosmentinhas fazem-me perceber, dia após dia, que não há solidão possível quando se tem pessoas assim à nossa volta
Gosto muito de vocês e achei que hoje era um bom dia para vos dizer
segunda-feira, junho 06, 2005
Olá, ancas largas! Adeus, fio-dental!
Realmente era só isto que nos faltava. Já não bastava às mulheres todas as preocupações com que são confrontadas diariamente (desde aturar maridos e namorados a ver modelos esbeltas na televisão a dizer que não fazem «rigorosamente nada» para terem aqueles corpinhos de sonho), agora também nos querem impingir teorias que só podem ter sido desenvolvidas ou por homens que não percebem nada de mulheres, ou por mulheres que também não percebem nada de mulheres.
Pois que esta semana foi publicada uma notícia cujo título anunciava «mulheres de ancas largas vivem mais». A explicação vem logo de seguida, mas quero ver qual vai ser a mulher que a vai levar a sério. Ora então, segundo uns chicos-espertos do Instituto de Medicina Preventiva de Copenhaga, ter ancas largas é meio caminho andado para prevenir doenças cardíacas. Mas não é uma ancazinha qualquer, minhas amigas. A coisa só resulta se a mulher for detentora de uns quadris acima dos 100 centímetros. Já as outras, as magras, habilitam--se a apanhar com uma carga de problemas em cima que vai desde diabetes a tensão alta, passando por problemas na vesícula.
Eu não quero lançar aqui boatos, mas cheira-me que este Instituto é patrocinado pelo McDonalds ou coisa que o valha. É que só isso pode justificar que se peça às mulheres que esqueçam as dietas e se dediquem antes a comer que nem umas alarves para poderem passear-se pela rua com umas ancas de 100 centímetros. Tudo isto sob a desculpa que serão mais saudáveis. Gordas que nem texugos, mas ainda assim, mutíssimo saudáveis. Deve ser, deve!
Uma outra notícia brilhante, e desta feita anunciada por um ginecologista alemão, revela que usar cuecas fio-dental pode causar problemas de saúde. Irritações na pele e infecções em certas e determinadas zonas são os problemas que as mulheres podem herdar se insistirem em usar lingerie minúscula. Já outro especialista, desta feita britânico, vem deitar mais achas para a fogueira dos disparates, acrescentando que usar cuecas dois números abaixo do adequado é que pode provocar desconforto. Não, a sério??? Finalmente está explicado porque é que eu me sentia sempre um bocado apertada quando usava roupa interior destinada a crianças de quatro anos.
Está tudo louco, não está? Uns querem ancas largas, outros defendem o regresso dos cuecões de avó... o que é que vai ser a seguir? É que se a moda pega, até parece que já estou a ver os títulos dos próximos estudos levados a cabo por gente desta: «mulheres que soltam flatulências em público sofrem menos de stress». Ou «mulheres que não tomam banho e abdicam do perfume e do desodorizante preservam mais a pele». Ou ainda «mulheres com menos de um metro e acima dos 200 quilos têm mais hipóteses de conquistar o coração de Brad Pitt».
Quanto a vocês não sei, mas eu não vou desistir enquanto não atingir uma cinturinha de vespa e o fio-dental, esse, vai continuar a marcar presença na minha gaveta da roupa interior. De todas as cores e feitios... e quanto mais pequeno, melhor!
Realmente era só isto que nos faltava. Já não bastava às mulheres todas as preocupações com que são confrontadas diariamente (desde aturar maridos e namorados a ver modelos esbeltas na televisão a dizer que não fazem «rigorosamente nada» para terem aqueles corpinhos de sonho), agora também nos querem impingir teorias que só podem ter sido desenvolvidas ou por homens que não percebem nada de mulheres, ou por mulheres que também não percebem nada de mulheres.
Pois que esta semana foi publicada uma notícia cujo título anunciava «mulheres de ancas largas vivem mais». A explicação vem logo de seguida, mas quero ver qual vai ser a mulher que a vai levar a sério. Ora então, segundo uns chicos-espertos do Instituto de Medicina Preventiva de Copenhaga, ter ancas largas é meio caminho andado para prevenir doenças cardíacas. Mas não é uma ancazinha qualquer, minhas amigas. A coisa só resulta se a mulher for detentora de uns quadris acima dos 100 centímetros. Já as outras, as magras, habilitam--se a apanhar com uma carga de problemas em cima que vai desde diabetes a tensão alta, passando por problemas na vesícula.
Eu não quero lançar aqui boatos, mas cheira-me que este Instituto é patrocinado pelo McDonalds ou coisa que o valha. É que só isso pode justificar que se peça às mulheres que esqueçam as dietas e se dediquem antes a comer que nem umas alarves para poderem passear-se pela rua com umas ancas de 100 centímetros. Tudo isto sob a desculpa que serão mais saudáveis. Gordas que nem texugos, mas ainda assim, mutíssimo saudáveis. Deve ser, deve!
Uma outra notícia brilhante, e desta feita anunciada por um ginecologista alemão, revela que usar cuecas fio-dental pode causar problemas de saúde. Irritações na pele e infecções em certas e determinadas zonas são os problemas que as mulheres podem herdar se insistirem em usar lingerie minúscula. Já outro especialista, desta feita britânico, vem deitar mais achas para a fogueira dos disparates, acrescentando que usar cuecas dois números abaixo do adequado é que pode provocar desconforto. Não, a sério??? Finalmente está explicado porque é que eu me sentia sempre um bocado apertada quando usava roupa interior destinada a crianças de quatro anos.
Está tudo louco, não está? Uns querem ancas largas, outros defendem o regresso dos cuecões de avó... o que é que vai ser a seguir? É que se a moda pega, até parece que já estou a ver os títulos dos próximos estudos levados a cabo por gente desta: «mulheres que soltam flatulências em público sofrem menos de stress». Ou «mulheres que não tomam banho e abdicam do perfume e do desodorizante preservam mais a pele». Ou ainda «mulheres com menos de um metro e acima dos 200 quilos têm mais hipóteses de conquistar o coração de Brad Pitt».
Quanto a vocês não sei, mas eu não vou desistir enquanto não atingir uma cinturinha de vespa e o fio-dental, esse, vai continuar a marcar presença na minha gaveta da roupa interior. De todas as cores e feitios... e quanto mais pequeno, melhor!
quarta-feira, junho 01, 2005
Homem condutor é coisa que dá dor
Aí há uns tempos foi dia de “conduzir com cortesia”. Quando ouvi a notícia na rádio pensei de imediato: “querem ver que vão proibir os homens de pegar no carro?”. Por momentos sonhei com a ideia de poder saír à rua sem correr o risco de ser abalroada ou de não ter ninguém a buzinar-me desenfreadamente só porque demorei um quarto de segundo a arrancar quando o verde caiu. Mas não, afinal foi um dia igual a todos os outos. Impaciência, muita, cortesia... nem vê-la.
Se “mulher ao volante, perigo constante”, “homem condutor é coisa que dá dor”. De cabeça, claro, e daquelas que não passam nem com três caixas de Trifene 200 pela goela abaixo. Há algo nos homens que faz com que basta ligarem o carro para o cérebro se desligar de imediato. É um daqueles processos de causa-efeito que não tem explicação possível e muito menos solução.
Ao sentar-se ao volante o homem assume um estatuto que ninguém lhe conferiu mas que ele acha que pode ter, ou seja, o do “chico-esperto”.
Mas afinal, o que é isso do “chico-espertismo”?. Ora então vamos lá ver: acelerar até não poder mais quando a velocidade máxima permitida é de 50 km/hora, fuçar nas filas ou “confundir” o verde com o vermelho, tudo isso se inclui na categoria do “chico-espertismo”. Mas há mais, muito mais, como ser incapaz de deixar alguém passar à frente (mesmo que seja uma grávida quase a entrar em trabalho de parto!), fazer corta-mato pelas estações de serviço para ganhar mais uns metros em hora de ponta ou insistir ou ultrapassar tudo e todos (seja pela esquerda ou pela direita, que nisso os “chicos-espertos” não fazem distinção) para virar logo ali no primeiro cruzamento.
A esta hora é certo e sabido que os dois ou três homens que lêem esta blog se estão já a insurgir contra estas linhas e a perguntar com aquela vozinha de Kalimero que lhes é tão característica quando se sentem injustiçados: “então e as mulheres?”. As mulheres são os verdadeiros exemplos da boa condução e lá por não passarmos os limites de velocidade não quer dizer que sejamos nabas. Somos prudentes, isso sim! Quando um homem acha que pode buzinar-me ou fazer sinais de luzes só porque não vou a 400 km/h, nessas alturas faço questão de abrandar ainda mais, fazer pequenas pausas para cumprimentar quem passa ou retocar a maquilhagem e, se me chatear mesmo muito, travo com tanta força e tão repentinamente que obrigo o espertinho a enfaixar-se e a pagar-me aquela mossa que já ali está há tanto tempo (feita por outro homem, claro!).
E já que falamos de homens condutores, que paranóia é aquela de se recusarem a pedir informações? Podem estar completamente perdidos na mais remota localidade do Burkina Faso, mas sujeitarem-se à vergonha de admitir que não fazem ideia de onde estão, isso é que nem pensar! Antes ficar ali parado, ser devorado por lobos da Alsácia e ser encontrado morto passado um ano. Dizia-me no outro dia alguém (um homem) que as orientações do sistema de GPS que tem instalado no carro são dadas por uma voz feminina, e que basta não seguir uma vez as indicações dadas para a voz se calar e não mais se fazer ouvir. Claro, o que é que estavam à espera? Se há coisa para a qual as mulheres não têm pachorra absolutamente nenhuma é para homens broncos e incapazes de ouvir bons conselhos. Mesmo que seja uma mulher enfiada num GPS!
Aí há uns tempos foi dia de “conduzir com cortesia”. Quando ouvi a notícia na rádio pensei de imediato: “querem ver que vão proibir os homens de pegar no carro?”. Por momentos sonhei com a ideia de poder saír à rua sem correr o risco de ser abalroada ou de não ter ninguém a buzinar-me desenfreadamente só porque demorei um quarto de segundo a arrancar quando o verde caiu. Mas não, afinal foi um dia igual a todos os outos. Impaciência, muita, cortesia... nem vê-la.
Se “mulher ao volante, perigo constante”, “homem condutor é coisa que dá dor”. De cabeça, claro, e daquelas que não passam nem com três caixas de Trifene 200 pela goela abaixo. Há algo nos homens que faz com que basta ligarem o carro para o cérebro se desligar de imediato. É um daqueles processos de causa-efeito que não tem explicação possível e muito menos solução.
Ao sentar-se ao volante o homem assume um estatuto que ninguém lhe conferiu mas que ele acha que pode ter, ou seja, o do “chico-esperto”.
Mas afinal, o que é isso do “chico-espertismo”?. Ora então vamos lá ver: acelerar até não poder mais quando a velocidade máxima permitida é de 50 km/hora, fuçar nas filas ou “confundir” o verde com o vermelho, tudo isso se inclui na categoria do “chico-espertismo”. Mas há mais, muito mais, como ser incapaz de deixar alguém passar à frente (mesmo que seja uma grávida quase a entrar em trabalho de parto!), fazer corta-mato pelas estações de serviço para ganhar mais uns metros em hora de ponta ou insistir ou ultrapassar tudo e todos (seja pela esquerda ou pela direita, que nisso os “chicos-espertos” não fazem distinção) para virar logo ali no primeiro cruzamento.
A esta hora é certo e sabido que os dois ou três homens que lêem esta blog se estão já a insurgir contra estas linhas e a perguntar com aquela vozinha de Kalimero que lhes é tão característica quando se sentem injustiçados: “então e as mulheres?”. As mulheres são os verdadeiros exemplos da boa condução e lá por não passarmos os limites de velocidade não quer dizer que sejamos nabas. Somos prudentes, isso sim! Quando um homem acha que pode buzinar-me ou fazer sinais de luzes só porque não vou a 400 km/h, nessas alturas faço questão de abrandar ainda mais, fazer pequenas pausas para cumprimentar quem passa ou retocar a maquilhagem e, se me chatear mesmo muito, travo com tanta força e tão repentinamente que obrigo o espertinho a enfaixar-se e a pagar-me aquela mossa que já ali está há tanto tempo (feita por outro homem, claro!).
E já que falamos de homens condutores, que paranóia é aquela de se recusarem a pedir informações? Podem estar completamente perdidos na mais remota localidade do Burkina Faso, mas sujeitarem-se à vergonha de admitir que não fazem ideia de onde estão, isso é que nem pensar! Antes ficar ali parado, ser devorado por lobos da Alsácia e ser encontrado morto passado um ano. Dizia-me no outro dia alguém (um homem) que as orientações do sistema de GPS que tem instalado no carro são dadas por uma voz feminina, e que basta não seguir uma vez as indicações dadas para a voz se calar e não mais se fazer ouvir. Claro, o que é que estavam à espera? Se há coisa para a qual as mulheres não têm pachorra absolutamente nenhuma é para homens broncos e incapazes de ouvir bons conselhos. Mesmo que seja uma mulher enfiada num GPS!
Subscrever:
Mensagens (Atom)


