Dia dos namorados, Cátia Sofia e muito mais...
Dez horinhas...mais dez horinhas e estou LIVRE desta pirosada! Livre dos casais melosos e felizes, livre dos corações por todo o lado, livre das palavras DIA-DE-SÃO-VALENTIM (a pior conjugação alguma vez criada), livre das montras alusivas ao tema. Para me confortar decidi ir dar uma voltinha pelas lojas...má ideia, muito má ideia! Em primeiro lugar, ia sendo abalroada pelos 400 a 500 mil pares de namorados que, não tendo nada de mais interessante para fazer, escolheram como programa um passeio romântico no Vasco da Gama!E depois não desgrudavam! Lá deve estar instituído nas Regras de Bem Passar Um Dia Dos Namorados que os ditos não podem, em momento algum, largar as mãos, sob pena de o encanto se quebrar e descobrirem que o namoro é uma verdadeira fraude. Bem, ao fim de muito encontrão lá consegui chegar a uma das minhas lojinhas de eleição... outra grande má ideia. A fila para pagar era gigantesca e maioritariamente composta por homens que escolheram a MINHA loja para comprarem presentinhos para as respectivas! NOJENTOOOOOS! Inspirei profundamente,determinada a pagar os "presentinhos" que tinha decidido ofertar a mim mesma. O pior estava para vir. Atrás de mim, uma mãe, um filho e uma miuda cujo parentesco não consegui identificar, trocavam ideias muitíssimo elucidativas sobre relações. A miuda, de cabelos louros até à cintura e o belo do piercing no nariz, tinha na mão o seu vasto curriculo que, segundo percebi, ia entregar na loja onde estávamos. Na parte de "experiência profissional" da Cátia Sofia (assim se chamava) podia ler-se "bom contacto com o público, uma vez que trabalhei na cafetaria de Santa Apolónia e na Pizza Hut do Vasco da Gama". Meio caminho andado para um trabalho como assessora de imprensa! Enfim, mas a parte verdadeiramente interessante estava para vir. Para quem está numa fase anti-relacional, aquele trio foi o pior que me podia calhar em pleno dia dos namorados. E moderninhos que eles eram! A mãe, aí com os seus quarenta e tal, deve ter usado a expressão "bué" e seus derivados aí umas 30 vezes. O filho, o mais normalzinho (se bem que com um brilhante em cada orelha), olhava extasiado para a prenda que ia comprar para a namorada. A Cátia Sofia, por seu lado, falava pelos cotovelos. "O Guga deixou a Tânia porque ela não queria curtir com ele. MAS EU NAMOREI QUATRO MESES COM ELE E NUNCA FOMOS PARA A CAMA, AI DELE QUE ME OBRIGASSE" (NOTA: a criança tinha 17 aninhos.)A saga continuava: "eu gosto mesmo é do Tiago. A minha mãe diz que ainda vamos voltar, é bruxa! Eu gostava dele porque ele dizia que eu tinha sempre razão. Quando fui lá a casa dele o pai levou-me para um quarto e perguntou-me se aquilo era uma relação séria. Se não fosse que me pusesse a andar". Posto a descoberto toda a vida amorosa da Cátia Sofia, foi a vez da mãe elogiar a nova namorado do seu rebento. "O meu Rui [o esposo] gosta mais desta que da outra. Achava a outra mais falsa, com esta está mais à vontade. Ela é bué [cá está] despachada". Rapidamente tentei afastar da minha mente as imagens do chefe de família "à vontade" com a namorada do filho. Entretanto a Cátia Sofia parecia prestes a desistir da sua nobre missão de entregar o curriculo: "não gosto muito disto, são assim snobs". Farta da mãe, do filho e da bimba da Cátia Sofia lá consegui pagar a merda das coisas e pôr-me a andar! E pensar que ainda faltam dez horas para este dia chegar ao fim...!
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Teorias absolutamente espectaculares